Enfermagem. “Uma profissão de mulheres que não é boa para mulheres”

Porto, 29/05/2019 - Reportagem na Escola Superior de Enfermagem do Porto sobre a "feminização" da Saúde. (André Gouveia / Global Imagens)
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Todos os anos, no primeiro dia de aulas, Paulo Parente, professor da Escola Superior de Enfermagem do Porto (ESEP), pede aos alunos que olhem à sua volta para que “tomem consciência de que estão a entrar numa profissão de mulheres”. Sempre foi assim. Ao contrário de outras profissões de Saúde, a história da enfermagem em todo o Mundo está, desde as origens, associada à condição feminina.

 

“A mulher tem um sentido de cuidar, diria até um perfil fisiológico” que encaixa bem na profissão, reflete Paulo Parente. Contudo, as condições de trabalho – em regime de turnos nos hospitais e com muitas horas extra – são penosas e difíceis de encaixar nos outros papéis que as enfermeiras também assumem. “Costumamos dizer que é uma profissão de mulheres que não é boa para mulheres”, sorri o docente, que já foi diretor da ESEP.

Em Portugal, a taxa de enfermeiras a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde é de 84%, segundo dados do último balanço social do Ministério da Saúde (2017). Número que se mantém estável ao longo dos anos e semelhante no acesso à profissão: 85,1% dos candidatos da ESEP são mulheres.

TENDÊNCIAS NA ESPECIALIDADE

Mesmo num mundo quase exclusivamente feminino, há especialidades da enfermagem com maior equilíbrio de género. As áreas de Reabilitação e Saúde Mental são as que concentram mais homens (28% cada), seguidas da médico-cirúrgica (22%), segundo dados do anuário de 2018, da Ordem dos Enfermeiros. As primeiras porque tradicionalmente exigiam mais força física, a última porque, em regra, “os homens sentem-se mais atraídos pelos cuidados intensivos e serviços de urgência”, realça Maria do Céu Barbieri, também docente da ESEP.

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MAIS ENFERMEIRAS-DIRETORAS

O acesso aos cargos de chefia por enfermeiras foi acontecendo naturalmente desde a revolução de abril. Atualmente, em mais de metade dos hospitais EPE (58%), os conselhos de administração contam com enfermeiras-diretoras.

E também nos agrupamentos de centros de saúde “há cada vez mais enfermeiras a ocupar funções de chefia”, assegura Maria do Céu Barbieri. “Só não são mais porque efetivamente as mulheres têm menos disponibilidade do que os homens para ocupar estes cargos”, resume Paulo Parente.

Fonte: Jornal de notícias

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