Estudo colaborativo descreve doenças mentais com maior exatidão

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Uma equipa de investigadores apresentou alterações para as diretrizes de diagnóstico para doenças mentais comuns, oriundas de indicações de pacientes com aquelas doenças.

Num estudo colaborativo entre investigadores do Reino Unido e dos EUA e a Organização Mundial de Saúde (OMS), foram propostas as alterações para o novo ICD-11 (sigla do inglês International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems), que passará a ser a referência dos profissionais dos estados-membros a partir de 1 de janeiro de 2022 (segundo o sítio da OMS).

O ICD é o sistema de classificação de doenças mais amplamente usado.

Os investigadores recrutaram 157 pacientes com cinco doenças mentais comuns: esquizofrenia, doença bipolar de tipo 1, episódio depressivo, transtorno de personalidade e ansiedade generalizada.

A equipa ouviu as perspetivas dos pacientes em relação à forma como as suas doenças deveriam ser descritas na 11ª revisão do ICD. Esta foi a primeira vez em que pacientes com doenças mentais diagnosticadas foram convidados a contribuir para a publicação de diretrizes para o diagnóstico da saúde mental.

Os participantes fizeram a revisão de um rascunho do capítulo do ICD-11 sobre doenças comportamentais e do desenvolvimento neurológico e recomendaram alterações que melhor refletissem as suas experiências, retirando linguagem desapropriada.

Muitos participantes indicaram que o rascunho omitia experiências emocionais e psicológicas que tinham com regularidade. Muitos pacientes com esquizofrenia adicionaram referências a raiva, medo, problemas de memória, isolamento e dificuldades em comunicarem experiências interiores.

Os pacientes com doença bipolar acrescentaram ansiedade, raiva, náuseas e uma maior criatividade. As pessoas com ansiedade generalizada adicionaram raiva e náuseas às suas experiências. Os pacientes com depressão acrescentaram dor e ansiedade e os pacientes com transtorno de personalidade disseram sentir também angústia e vulnerabilidade à exploração.

Foi ainda sugerida a remoção de termos indutores de confusão ou estigma como “retardação”, “neurovegetativo”, “bizarro”, “desorganizado” e “desajustamento”.

“Descobrimos que o rascunho atual refletia uma perspetiva externa destas doenças em vez da perspetiva da experiência vivida pela pessoa”, indicou Margaret Swarbrick, da Universidade Rutgers, EUA. A autora acrescentou que o uso de termos mais comuns poderá ajudar a ultrapassar dificuldades de comunicação entre os pacientes e médicos.

Fonte: Univadis

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