2321 enfermeiros ponderam sair do país em busca de melhores condições de trabalho

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O ano começa com tantos pedidos de documentos para emigração quanto em 2018, avança hoje o jornal Público.

2321, mais precisamente. Este é o número exato da quantidade de solicitações, por parte dos enfermeiros à sua Ordem (OE), de uma declaração para efeitos de emigração, um documento que lhes permite exercer a sua atividade profissional noutro país.

Nos primeiros seis meses de 2019 atingiram-se quase tantos pedidos como nos 12 meses do ano anterior. Uns “meros” 415 separam a totalidade de enfermeiros que solicitaram o documento e emigraram em 2018 e os pedidos para o fazer em 2019. Por esse mesmo motivo, acredita-se que este possa ser um ano-recorde na emigração desta classe profissional.

Após se ter registado uma diminuição substancial em 2016 e 2017 (altura coincidente com o início da atual governação), o cenário em 2018 demonstrou que os enfermeiros continuavam insatisfeitos com o cenário atual de governação e das condições de trabalho, tendo este ano culminado num aumento ainda mais expressivo em apenas seis meses.

Comparativamente com 2019, no primeiro semestre de 2018 foram solicitadas 1451, uma diminuição de 870 relativamente ao ano corrente.

“É um número-recorde. E [os jovens] acabaram agora os cursos, havendo cerca de 3000 jovens enfermeiros que ainda não sabemos se ficam ou se tencionam emigrar”, diz ao Público a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, que aproveita ainda para recordar que existe uma lacuna de cerca de 30 mil enfermeiros no sistema de saúde, seja ele no público, no privado ou no social

Justifica, dizendo que “o rácio da OCDE é de 9,2 enfermeiros por mil habitantes”, sendo “a média do SNS [Sistema Nacional de Saúde]  de 4,2 e a média do sistema de saúde é de 6,2 enfermeiros por mil habitantes”, o que representa um défice de 5 enfermeiros por cada mil habitante no SNS e de três no sistema de saúde.

“Há uma falta crónica de enfermeiros e não há contenção. Eles continuam a emigrar”, esclarece ao jornal.

Segundo a bastonária existem dois fatores que justificam e exponenciam a vontade de muitos profissionais de saúdede deixarem o seu país para trabalhar fora:

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O primeiro “é a agressividade e a forma como têm sido maltratados em Portugal por parte da ministra da Saúde [da atual legislatura, Marta Temido]. Há um sentimento de injustiça. Não nos vamos esquecer que a ministra chamou aos enfermeiros criminosos.”

Por outro lado, as condições de trabalho e a carreira que desejavam com direito a progressão constituem o segundo fator para este elevado índice de imigração destes profissionais de saúde.

“Os enfermeiros trabalham 70 horas semanais, acumulam milhares de horas a mais, e perceberam que a carreira que era plausível sair acabou por ser uma mão cheia de nada”, diz, dando o exemplo da limitação a 25% de enfermeiros especializados.

Lúcia Leite, presidente da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), afirma, em declarações ao órgão de comunicação social nacional, não se espantar com os números já alcançados até então.

A presidente da ASPE enaltece que existem profissionais com quatro e cinco anos de carreira que ainda estão em situações precárias (com contratos a termo ou têm perto de 20 anos de carreira e que, ainda assim, não saíram da base da tabela salarial (1200 euros brutos).

“Os mais novos estão efectivamente a procurar outras possibilidades Percebem que fora e não muito longe acabam por ter oportunidades de carreira e de chegar rapidamente a patamares de reconhecimento e remunerações tentadoras”, refere.

EQ/SO

Fonte: Saúde Online

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