Lápis azul: Um drama maior!

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Rui Cernadas

Competência em Medicina Farmacêutica da Ordem dos Médicos

O actual Governo já vai e ficará por uma legislatura que conclui por inteiro.

No caso do Ministério da Saúde e em jeito de celebração dos 40 anos do Serviço Nacional de Saúde – SNS, o primeiro titular e sempre putativo candidato ao lugar, foi “despachado” e o Primeiro-Ministro, obviamente um optimista, apostou todas as fichas numa segunda figura.

Os sorrisos e a capacidade de comunicação são muito diferentes, mas a satisfação global dos utentes dos serviços públicos não se alterou.

Os dados revelados pela revista “Teste Saúde” (junho 2019 – N° 139, DECO) são esclarecedores, por exemplo em relação aos Cuidados de Saúde Primários (CSP).

Tratam-se de resultados de inquérito nacional de satisfação a cerca de cinco mil cidadãos quanto aos centros de saúde. E no caso, do quinto inquérito aplicado, depois de realização similar nos anos de 2000, 2004, 2009 e 2014, este último em plena Crise!

Pela primeira vez, desde 2000, os resultados não melhoraram e caíram mesmo.

A principal culpada parece ser a questão do elevado tempo de espera para uma consulta. Mas ainda bem para o Governo, porque assim a culpa também continua sem rosto nem identidade…

De facto, tempos médios de espera na ordem de um mês, trinta dias, excede em muito o que fora prometido pela Reforma dos CSP e o que se apontava para o modelo USF e se dizia ser um passo para a resolução do problema português das “urgências”…

O outro ponto importante respeita ao que os inquiridos experienciaram sobre os centros de saúde e sobre os profissionais que aí desempenham as funções de serviço público.

O índice mais baixo referiu-se ao grupo dos assistentes administrativos, mesmo afirmando uma tendência de melhoria face aos valores obtidos em edições anteriores.

O nível de satisfação com a enfermagem surpreendeu-me. Realmente, é conhecida a proximidade entre os enfermeiros e a generalidade dos utentes, sobretudo numa actividade como a dos CSP, associada a cuidados familiares e de continuidade. Mas, na verdade, os resultados de 2019 foram inferiores aos registados para os médicos de família.

O nível de satisfação obtido pelos médicos foi o mais elevado de sempre.

Pese embora, naturalmente, o facto significativo e lamentável da carência de médicos de família no SNS e a falta de médico atribuído a um número nunca inferior a 650 000 utentes.

É urgente valorizar os profissionais de saúde, motivando-os e melhorando-lhes as condições estruturais de trabalho.

Õ modelo organizativo é sempre muito relevante, mas este Inquérito demonstra como os cidadãos sabem distinguir os centros de saúde dos seus profissionais.

Oxalá saibam os Portugueses, também no futuro próximo, distinguir o trigo do joio, o possível do ideal, os sorrisos das promessas fáceis dos discursos de rigor e seriedade.

E optar por um compromisso firme com o SNS!

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Fonte: Saúde Online

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