OMS elogia modelo nacional que sinalizou 70 mil crianças em risco desde 2009

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Cerca de nove mil crianças ou jovens em risco foram sinalizados em 2018 através de uma rede de equipas multidisciplinares existentes em todos os centros de saúde e hospitais com pediatria, um modelo elogiado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Um representante da OMS esteve esta quinta-feira a visitar um Núcleo de Apoio a Crianças e Jovens em Risco, no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Oeiras, para perceber o que são estas unidades, para que servem e como funcionam.

No final da visita, em declarações à agência Lusa, a coordenadora do Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil da Direção-geral de Saúde (DGS), explicou que esta Rede Nacional de Núcleos de Apoio a Crianças e Jovens em Risco foi criada em 2008 para responder à problemática dos maus tratos tanto ao nível dos cuidados de saúde primários, como ao nível dos cuidados hospitalares.

Segundo Bárbara Menezes, desde que começaram a ser feitos relatórios de recolha de dados, em 2009, que foram sinalizados cerca de 70 mil situações de crianças e jovens em risco, o que representa “cerca de nove mil situações por ano”.

Acrescentou que dessas cerca de 25% foram encaminhadas para as comissões de proteção de menores ou para os tribunais. No entanto, na maior parte das situações, foi possível resolver com a participação da família, graças ao trabalho do núcleo.

A enfermeira explicou que se trata de equipas multidisciplinares constituídas por médicos, enfermeiros, técnicos de serviço social e psicólogos, todos com formação específica e que fazem consultadoria e prestam apoio às equipas de saúde familiares e às unidades hospitalares.

Este modelo impressionou o responsável da OMS, Yongjie Yon, uma vez que cumpre as recomendações da organização no combate aos maus tratos a crianças e jovens.

Isto é algo que frequentemente defendemos como um elemento importante na abordagem que os países devem ter para combater a violência contra as crianças, que é diferentes setores juntarem-se. E o que aprendi hoje, vi em ação e posso dizer a outros países é que Portugal conseguiu e têm os resultados que mostram o impacto deste trabalho intersetorial”, apontou Yongjie Yon.

Referiu ainda que, muitas vezes, os países se mostram céticos quanto aos resultados deste disto de política, alegando que não têm os meios ou que é de difícil implementação.

Podemos partilhar o exemplo de Portugal. Vimos e isto, de facto, funciona e tem resultados. Por isso, é importante que recolhamos informação para depois partilhar a experiência de Portugal noutros países”, defendeu o representante da OMS, que está em Portugal para participar no seminário “Saúde Infantil, Promoção e Prevenção”, que decorre hoje, em Lisboa, e onde vai abordar as lesões não intencionais na infância.

Bárbara Menezes, sublinhou que a rede precisa agora de uma recolha de dados mais fina, a par de uma formação constante e de investimento no tempo de atuação para cumprir as várias intervenções previstas.

“Na área dos cuidados de saúde primários já conseguimos ter um sistema de informação com todo o processo clínico da criança e com as diretrizes de como se realiza a avaliação de risco familiar e isso ajuda todos os técnicos de saúde a conseguirem objetivar o que estão a observar com aquela criança e aquela família”, apontou.

Os dados da rede mostram que existem atualmente 289 núcleos em Portugal continental e Açores, nos quais trabalham 1.050 profissionais de saúde, divididos entre 41 hospitais com atendimento pediátrico e 248 centros de saúde.

O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Oeiras abrange uma área territorial de 61,21 quilómetros quadrados e serve 250.489 utentes, dos quais 49.663 são crianças com idade entre os zero e os 18 anos.

EQ/Lusa

Fonte: Saúde Online

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