Um terço dos problemas cardíacos conseguem ser detetados antes do bebé nascer

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Cerca de um terço dos problemas cardíacos conseguem ser detetados antes do bebé nascer, segundo a diretora do Serviço de Cardiologia Pediátrica do Centro Hospitalar Lisboa Central, que realiza mais de 100 ecocardiogramas fetais por mês.

No nosso país cerca de 30 a 35% por cento [das anomalias cardíacas] conseguem ser detetados na vida pré-natal. Os números são baixos por vários motivos”, afirmou Fátima Pinto em entrevista à agência Lusa, a propósito dos 50 anos do Serviço de Cardiologia Pediátrica do Hospital Santa Marta, criado pela cardiologista Fernanda Sampayo e que foi pioneiro no país.

A cardiologista pediátrica explicou que a realização do ecocardiograma fetal implica ter um técnico cardiologista pediátrico especializado e aparelhos com capacidade técnica para fazer “exames bem feitos e com a qualidade de imagem” que não deixe dúvidas.

Começamos a fazer estes exames a partir das 15, 16, 17 semanas de gravidez. Estamos a falar de fetos muito pequeninos e de corações ainda mais pequeninos e, portanto, precisamos de capacidades técnicas muito boas”, defendeu.

Para efetuar este diagnostico é necessário especialistas com elevada formação

 

Mas nem todas as grávidas precisam de fazer o ecocardiograma fetal que é feito de forma referenciada quando existem condições maternas ou fetais que aumentem o risco de ocorrer uma cardiopatia congénita.

“Nós estamos a falar de patologias muito raras”, que ocorrem 10 em cada mil nados vivos, observou a especialista.

Para as detetar, “é fundamental” e “mesmo imperioso” que os obstetras que fazem a ecografia morfológica tenham “conhecimentos suficientes para distinguir o que é um coração normal de um coração não normal. Ou seja, encontrarem um coração com quatro cavidades, dois vasos a sair e sem outros problemas”.

“Só é necessário esse tipo de conhecimento, não é preciso que o obstetra tenha conhecimentos anatómicos para identificar a anomalia”, defendeu Fátima Pinto.

Se há alguma coisa que não consegue observar, porque o feto pode estar de costas ou por uma outra situação, o médico deve pedir opinião a um especialista.

“Termos a noção de até onde podemos ir e até onde os nossos serviços têm capacidade técnica para ir, só honra quem faz isto”, disse, considerando que este comportamento “tem que fazer parte integral daquilo que é ser médico”.

Infelizmente, sublinhou, “não existem ainda regras muito claras sobre esse assunto e só assim se justifica que existam colegas que, não tendo potencialmente todas as capacidades técnicas, se atrevam a fazer esses exames”.

No Hospital de Santa Marta e na Maternidade Alfredo da Costa são realizados por ano mais de 1.200 ecocardiograma fetais, sendo que os casos em que são detetadas anomalias cardíacas “não será superior a 15%”.

Ao Serviço de Cardiologia Pediátrica chegam regularmente crianças oriundas de Cabo Verde, São Tomé e Angola ao abrigo de um protocolo entre o Estado português e os Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

“Nós recebemos muitos doentes com patologias graves, algumas já muito tardiamente, o que complica muito as capacidades terapêuticas, porque estas doenças quanto mais cedo puderem ser tratadas menos complicações existem no desenvolvimento das capacidades físicas”, lamentou.

“Somos uma equipa ainda pequena”

 

Ao longo dos 50 anos, os profissionais de saúde do Serviço de Cardiologia Pediátrica acompanharam milhares de crianças. Atualmente, fazem parte da equipa oito cardiologistas pediátricos e seis internos em formação.

A especialista afirma: “Somos uma equipa ainda pequena”. O ideal seriam 12 especialistas. Quanto aos enfermeiros, disse que já houve falhas, mas agora são em número suficiente.

Fátima Pinto destacou o facto do serviço sempre se ter disponibilizado a ensinar e a “formar muitos médicos”, o que permitiu abrir outros centros em Lisboa, Porto e Coimbra.

Foi também pioneiro em “muitas coisas, desde a transplantação, às técnicas de assistência ventricular, a algumas técnicas de cateterismo”.

“Houve muitas cirurgias que fizemos pela primeira vez no país e que depois outros colegas nos seguiram e fazem com muito boa qualidade noutros centros, mas esta característica de pioneirismo nós nunca a perdemos”, rematou.

SO/Lusa

Fonte: Saúde Online

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