COMPETENTE OU INCOMPETENTE?

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Frequentar um serviço de saúde e ser atendido de modo competente pode ser uma questão de sorte?

Poderá. Mas também poderá ser uma questão de acreditar que quem geriu as pessoas que dele fazem parte, as colocou no melhor sítio, tendo em conta as suas competências e as valorizando; que o profissional está contente, está no usufruto pleno das suas capacidades.

Senão, vejamos bem:

– A pessoa estudou, mas tem inexperiência na área onde desenvolve funções;

– A pessoa estudou e se especializou numa determinada área mas:

– exerce em outra;

– está a aguardar uma oportunidade de ser transferido para trabalhar na sua área;

– exerce de modo geral sem oportunidade de reconhecimento de exercer na área que estudou;

– exerce na área mas são-lhe atribuídas mais funções e sem reconhecimento do que desenvolve.

– A pessoa estudou mas há anos que considerou que o seu conhecimento é suficiente e recusa a atualização contínua.

– A pessoa pode querer e estar disponível mas a chefia não querer valorizar as suas competências;

– A pessoa pode ter áreas competentes adjacentes à principal que podem constituir-se uma mais valia.

– A pessoa pode querer contribuir e lhe ser recusado.

– A pessoa pode exercer para exclusivamente receber o seu ordenado ao final do mês e sem qualquer interesse ou satisfação em o que quer que seja mais (adicional);

E depois…

QUEM É A PESSOA POR DETRÁS DO SERVIÇO QUE É PRESTADO?

– preocupações que traz de casa e que se conjugam com o seu dia a dia;

– formas de encarar a vida;

– comportamentos que tem em casa e que se espelham no modo como organiza o seu trabalho diário.

– problemas financeiros, de saúde… de amor…

No que concerne à área da saúde, e a tudo o que diz respeito a matérias que devem ser decididas, é essencial o conhecimento de causa – a formação.

Quando alguém é escolhido para representar ou para decidir e inferir sobre os outros, deve entender em si, que todas as decisões que tomar, quer conheça de antemão ou no imediato, deve procurar investigar, estudar e saber mais sobre a questão.

O conhecimento é infinito, e aquilo que poderá ser hoje uma verdade, ou se premeia como uma ciência exata e objetiva, ou corre o risco de ser mutável em absoluto dali a pouco tempo. Ainda assim, até se comprovar o oposto, será sempre uma verdade, sendo que pode no entretanto existir uma verdade acima dessa.

Daí a importância de investigar, de não aquietar o conhecimento como se fosse uma verdade absoluta; de se induzir a acreditar que há uma evolução.

Quantos de nós como pessoas encontramos uma predisposição e instinto de pesquisa contínuo, uma disponibilidade para tal, de modo regrado, e constituímos a nossa forma de ser de modo a satisfazer todas as necessidades enumeradas por Maslow?

Quantos, ainda que com dificuldades diárias – poucas ou muitas- conseguem ter um foco cuidado e um conjunto de backgrounds que impedem os “near miss” (quase erro) e criam barreiras, analisando o seu significado para evitar que o acontecimento “X” não volte ou esteja perto a acontecer?

Quantos, depois de uma gestão pessoal, bem resolvida, conseguimos transpor a total disponibilidade no local de trabalho e receber a plena aceitação da nossa individualidade profissional junto das hierarquias?

Qual o verdadeiro interesse das hierarquias nos funcionários?

Talvez hajam imensas questões para além destas… lembro também dos filhos, das preocupações de organizar uma casa, uma família destruturada, de uma geração que desempenha cuidados aos seus progenitores dado o aumento de esperança média de vida e o envelhecimento tendencial…

Afinal, quando vamos a um serviço de urgência, ou recorremos a alguém (médico, enfermeiro…) possivelmente a um serviço de saúde, ou se quisermos generalizar para outras áreas – o que é possível neste texto, quem encontramos por detrás daqueles segundos ou minutos de contacto?

Que momento de vida está ali representado naquela pessoa e em que momento estará ela? Quão cuidada estará a pessoa para poder cuidar de quem precisa dos seus cuidados?

Que aspectos terão que se predispor para que no exato momento em que alguém tem que intervir para resolver uma dada situação estejam conjugados e presentes para que o exercício seja o de  avaliar e resolver as nossas necessidades de modo competente?

As questões de personalidade, as oscilações de comportamento, o que se passou nesse dia, naquele momento…

Se estudou sobre aquela área, até se vê bem, se os seus sentidos estão em pleno funcionamento, se olha para além deles…

Afinal, ir a um serviço e recorrer a alguém tem como resultado uma competência, uma incompetência ou uma questão de sorte?

Há que balizar todas as variantes para garantir que há mesmo um cuidado com rigor… a quem caberá fazê-lo e que limites e acções existem com interesse?

Quem nos representa e decide, já em matérias de discussão geral, estará em pleno conhecimento e predisposição consciente daquilo que decide e das suas consequências?

 

Lúcia Matias

 

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