COVID-19: Profissionais de saúde separam-se da família para dar “o peito às balas”

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Na casa onde estão, e que bem conhecem por lá passarem férias todos os verões, Miguel e as filhas estão privados de algumas comodidades, como televisão por cabo ou ‘wireless’, que no contexto atual criam “ainda mais dificuldades” de adaptação à nova realidade.

Vale-lhes o quintal, que lhes permite fazer atividades no exterior quando não estão dentro de casa empenhadas nas tarefas escolares ou, no caso do pai, “a fazer algumas tentativas de teletrabalho”.

“Ontem estivemos a fazer um atelier de artes plásticas, com pintura e muita roupa suja. Foi uma atividade livre. Hoje estivemos aqui com uns colchões de ginástica a fazer alguma atividade física também no exterior”, conta Miguel, acrescentando que as filhas também já montaram uma escola no quintal.

No distrito do Porto, Nuno Lemos e a mulher, ambos enfermeiros, dão “o peito às balas” diariamente, tendo também abdicado dos contactos pessoais com os filhos e restantes familiares.

O enfermeiro, que deixou os filhos em casa dos seus pais por tempo indeterminado, refere à Lusa que trabalha em cuidados de saúde primários e na linha SNS24, num total de cerca de 12 horas por dia, salientando que também já se disponibilizou para ir trabalhar para o hospital, uma vez que tem “experiência em cuidados continuados”.

Nuno critica, contudo, a falta de material de proteção e receia que ele próprio ou um colega fiquem infetados, pois estão “a trabalhar no limite” e se “alguém ficar em casa” não haverá suplantação de turnos.

“Nós queremos proteger-nos como profissionais, queremos ter as medidas de segurança e não nos querem dar. É sempre uma discussão diária para conseguir material de segurança, nomeadamente máscaras. (…) Há profissionais de saúde a gastar do seu bolso e a comprar material”, lamenta.

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Recomendações da DGS

A DGS acompanha a situação da expansão do novo coronavírus e recomenda:

  • Em Portugal, caso apresente sintomas de doença respiratória e tenha viajado de uma área afetada pelo novo coronavírus, as autoridades aconselham a que contacte a Saúde 24 (808 24 24 24). Caso se dirija a uma unidade de saúde deve informar de imediato o segurança ou o administrativo.
  • Evitar o contacto próximo com pessoas que sofram de infeções respiratórias agudas; evitar o contacto próximo com quem tem febre ou tosse;
  • Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contacto direto com pessoas doentes, com detergente, sabão ou soluções à base de álcool;
  • Lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir;
  • Evitar o contacto direito com animais vivos em mercados de áreas afetadas por surtos;
  • Adotar medidas de etiqueta respiratória: tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo);
  • Evitar o consumo de produtos de animais crus, sobretudo carne e ovos;
  • Seguir as recomendações das autoridades de saúde do país onde se encontra.

“Nós diariamente estamos a reaproveitar material. Máscaras que deviam ser utilizadas durante um turno estão a ser reutilizadas durante dois e três dias”, denuncia ainda.

Há profissionais, por outro lado, que sentem não ter condições para continuar a viver nas suas casas e procuram eles próprios uma solução.

É o caso de Eduardo, bombeiro voluntário em Lisboa e técnico de emergência no Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que vivia com os pais, que fazem parte de um grupo de risco, e recorreu à bondade de um proprietário de Alojamento Local, juntamente com a namorada.

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“Eu e a minha namorada vivíamos separados, cada um na casa dos respetivos pais. Como o risco de contágio era duplicado (…) decidimos irmos os dois isolar-nos um pouco”, explica à Lusa.

Com a maioria dos portugueses em casa, as ruas estão quase despidas, ao contrário dos serviços de saúde, que todos os dias lutam para responder ao constante aumento de infetados pelo novo coronavírus.

Para fazer face a necessidades de alojamento, vários grupos na rede social ‘Facebook’ e outras plataformas estão a mobilizar soluções de habitação para profissionais de saúde, recorrendo designadamente a proprietários de Alojamento Local.

Acompanhe ao minuto os efeitos do COVID-19 no país e no mundo

Os vírus e os coronavírus: quais as diferenças?

Fonte: Lifestyle Sapo

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