Os riscos para os profissionais de saúde vão muito para além do vírus

2 min de leitura

A par do risco de contrair Covid-19, a ansiedade, horas de sono insuficientes, a fadiga e as dores nas costas têm influência na saúde e no desempenho da actividade dos profissionais de saúde que estão na linha da frente contra a pandemia, conclui o segundo questionário do Barómetro da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), divulgado esta quarta-feira.

«Ao caracterizar os factores de risco profissionais a que estão expostos os profissionais de saúde, torna-se claro que estes não se esgotam no vírus SARS CoV-2, agente da Covid-19. O contacto com doentes (ou casos suspeitos) de Covid-19 tem repercussões a nível psicológico, constatando-se que quase três quartos dos respondentes apresentam níveis de ansiedade elevados ou muito elevados como resposta às situações de stress que vivenciam.

A análise ao segundo questionário revela também que «quase 15% dos respondentes apresentam níveis de depressão moderados ou elevados».

Ainda na área psicossocial, o Barómetro constata que «quase metade dos profissionais de saúde (44,8%) refere que dorme menos de seis horas diárias».

É também realçado o facto de 44,8% dos profissionais de saúde não terem praticado exercício físico na última semana e apenas 2% referirem fazer exercício todos os dias. «Tal pode, eventualmente, estar relacionado com o elevado número de alusões à presença de dores musculoesqueléticas (ou desconforto) a nível da coluna vertebral– raquialgias, que não tinham anteriormente e que podem estar relacionadas, para além das exigências do trabalho, por exemplo com à sobrecarga causada pelos EPI que usam», explica a ENSP num comunicado.

Fatores de risco microbiológicos

Em relação aos fatores de risco microbiológicos, os resultados continuam a mostrar que «cerca de um terço (33,4%) dos 5180 profissionais de saúde não realiza a automonitorização diária».

A grande maioria dos profissionais de saúde que participaram no segundo questionário e trabalham em hospitais menciona que o Serviço de Saúde Ocupacional (ou de Saúde e Segurança do Trabalho) gere o risco de contágio para a Covid-19 na sua instituição. Apesar disso, «32,9% referem que no local em que trabalham não existe Serviço de Saúde Ocupacional (ou não os apoia). Desses, 87,5% trabalham fora dos hospitais e 58% em Aces/Medicina Geral e Familiar». Este valor aumenta quando os resultados dos questionários são agregados e situa-se nos 36,6%, o que representa um «substantivo número de profissionais de saúde sem sistema organizado de proteção e vigilância da sua saúde, neste caso do contágio pelo SARS-CoV2 (COVID-19) como risco profissional», salienta a nota à Imprensa.

Quanto aos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), a sua disponibilização na última semana, em relação às semanas anteriores, é considerada pelos profissionais de saúde melhor (31,7%) ou mesmo muito melhor (40,7%). A sua disponibilidade aumentou para a maioria na última semana (55,1%), apesar de 11% considerarem que piorou bastante, em particular nos Aces. Na opinião da grande maioria dos respondentes (80,2%) os EPI são adequados.
Este segundo questionário dirigido a profissionais de saúde recolheu, entre os dias 16 e 24 de abril, 2059 respostas, totalizando agora um universo total de 5180 questionários respondidos.

As respostas são maioritariamente de profissionais do setor público (92,1%), nomeadamente enfermeiros (39,6%), médicos (26,4%), técnicos de diagnóstico e terapêutica (18,6%), assistentes operacionais (2,9%), farmacêuticos laboratoriais e hospitalares, nutricionistas, psicólogos, entre outros.

A maioria dos respondentes trabalha em hospitais (48,9%), Agrupamentos de Centros de Saúde – Aces (43,2%), em Cuidados Continuados (1,2%) e em outros locais de prestação de cuidados (6,7%) como as farmácias hospitalares e comunitárias e em laboratórios.

Neste segundo questionário, ao contrário do primeiro, em que o Norte estava representado com quase 40% dos respondentes, a representatividade geográfica assume dominância na região de Lisboa e Vale do Tejo (68,3%), seguido do Norte (14,5%) e do Centro (13,9%) do país.

Consulte todos os resultados aqui .

Fonte: Univadis

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