COVID-19: Doentes precisam de mensagem de confiança para voltar aos hospitais, advertem administradores

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“Estamos a falar de dezenas de milhares de cirurgias e mais de um milhão de consultas em atraso”, elucidou, defendendo que é necessário criar condições para realizar esse trabalho

As condições criam-se trabalhando com os centros de saúde, os hospitais, através de “um plano participado, concertado, integrado em todas as instituições do SNS”, mas também no setor social, “e não planear a resposta na edição de despachos”.

Apesar da sua importância, “a ação de gestão do SNS não se pode esgotar em dar instruções às organizações através deste modelo administrativo”.

“Quanto mais depressa tivermos esse plano e quanto mais participada for a sua construção, mais facilmente nós saberemos como enfrentar os desafios que são crescentes”, defendeu.

Na prática, continua-se “a aumentar o passivo do défice não só em consultas e cirurgias, mas também em meios de diagnóstico de terapêutica, e este plano serviria para responder e perceber como é que podemos alavancar essa transformação com a introdução estruturada de alguns instrumentos como a tele-saúde”.

Segundo o presidente da APAH, este plano incluiria a contratação e a formação de profissionais e o investimento em equipamentos.

“O SNS está há mais de dez anos com perda em termos de investimentos e os seus equipamentos estão cada vez mais obsoletos”, sublinhou.

Relativamente aos recursos humanos, defendeu que é uma questão que exige planeamento: “Não podemos ter uma lógica de contratação avulsa de profissionais de saúde de acordo com a necessidade do dia de amanhã, temos de ter uma estratégia de médio e longo prazo, e isso não está a acontecer”.

Esta situação percebe-se “claramente nesta crise” com o objetivo do Governo de duplicar o número de camas de cuidados intensivos, mas não se percebe como vão formar os enfermeiros e os médicos para trabalhar nesta área.

“Não temos recursos atualmente no país para essa duplicação de camas, isso precisa de planeamento e não é algo que se resolva em seis meses, é algo que vai levar mais tempo”, afirmou, dando também como exemplo a rede de saúde pública, onde “é urgente” criar incentivos para atrair médicos para esta área.

Portugal contabiliza pelo menos 1.568 mortos associados à covid-19 em 41.912 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Fonte: Lifestyle Sapo

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