Os genes e o tipo de sangue são importantes para resistir a infeções graves de Covid-19

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Um novo estudo europeu, que envolve investigadores da Noruega. Alemanha e Espanha, entre outros, aponta que as características genéticas podem explicar a maior vulnerabilidade de algumas pessoas para desenvolver formas graves da infeção de Covid-19. O trabalho, publicado nesta quinta-feira no New England Journal of Medicine, liga duas variantes genéticas localizadas em regiões específicas do genoma a um risco maior de insuficiência respiratória. “Procuramos a resposta nos genes e encontramos uma forte associação entre certas variantes nos cromossomas 3 e 9 e a gravidade da doença causada pela SARS-CoV-2”, explicam os autores, em que se incluem cientistas espanhóis do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede (CIBER),

Quando ainda se tenta descobrir mais sobre o novo coronavírus, este estudo procurou saber qual o motivo que leva a certas pessoas terem infeções mais graves. A resposta não está no vírus mas sim nas defesas que o corpo de cada um apresenta perante a infeção. A idade e as doenças crónicas são fatores conhecidos e a genética e tipo de sangue são agora explorados por cientistas.

Neste caso, durante o pico da pandemia em Itália e Espanha, investigadores do CIBER de diferentes hospitais iniciaram um projeto, coordenado por geneticistas da Noruega e da Alemanha, para tentar descobrir o que leva a que algumas pessoas sejam assintomáticas ou apresentem sintomas ligeiros.

“Como noutras doenças, a genética é apenas um dos muitos fatores que determinam a gravidade e a mortalidade “, disse ao jornal El Mundo Jesús Bañales, Investigador do Hospital Universitário de Donostia e um dos elementos do estudo. “As variantes genéticas podem mudar de acordo com a população, algo que explicaria, pelo menos parcialmente, as diferenças na gravidade da infeção em diferentes grupos”, acrescentou.

Recolheram 1.610 amostras de sangue de doentes com uma forma grave de Covid-19, todos a receber assistência respiratória, oxigénio ou ventilação mecânica. Depois, o DNA foi extraído para estudo num laboratório em Kiel, Alemanha, no qual quase nove milhões de variantes genéticas foram rastreadas.

“Em menos de 2 meses, todas as informações necessárias estavam disponíveis para avaliar os resultados e compará-los com um grupo controlo de 2.205 pacientes saudáveis”, relatam os autores. Dessa forma, observou-se maior frequência de 26 variantes nos doentes a sofrer de insuficiência respiratória. “Em particular, duas, localizadas nos cromossomas 3 e 9, mostraram uma poderosa associação com a gravidade”, destacam.

Grupo sanguíneo A com maior risco

Uma região do genoma associada a problemas respiratórios graves está localizada no cromossoma 9, especificamente no gene que determina o grupo sanguíneo. Nesse sentido, os resultados refletem que as pessoas que têm o grupo sanguíneo A têm um risco 50% maior de precisar de assistência respiratória em caso de infeção. No polo oposto, o grupo sanguíneo 0 parece ter efeitos protetores, com um risco 35% menor.

Os investigadores são cautelosos sobre as implicações. “É verdade que uma das duas variantes genéticas identificadas está localizada no gene que determina o grupo sanguíneo”, diz Jesús Bañales, acrescentando, contudo, que “a inter-relação entre o grupo sanguíneo e a evolução dos pacientes com Covid-19 é ainda desconhecida e está em estudo”.

Identificar os grupos mais vulneráveis ​a uma variante grave da doença – que inclui insuficiência pulmonar – abre as portas para reforçar a proteção das pessoas de maior risco, bem como a tratamentos mais personalizados. Os autores explicam que a variante genética no cromossoma 3 é mais frequente em pessoas relativamente jovens (59 anos em média), o que poderá explicar, pelo menos em parte, a gravidade dos casos observados nessa faixa etária.

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