Hospital de Braga vai despedir enfermeiros. Ordem lamenta que se ande a “brincar ao combate à pandemia”

0 64

A Ordem dos Enfermeiros alertou esta sexta-feira para o despedimento de profissionais de enfermagem, cujo contrato terminaria no fim do mês, no Hospital de Braga. A situação, que a presidente da Ordem considera “uma palhaçada” foi denunciada por enfermeiros que começaram a receber cartas de rescisão, após terem cumprido dois contratos de quatro meses de trabalho a prazo.

Em plena segunda vaga da pandemia, com todos os serviços de Saúde do país sob pressão e com dificuldades em contratar enfermeiros, “como já é admitido pelas próprias autoridades”, Ana Rita Cavaco afirma ser inadmissível que o Hospital de Braga esteja a notificar e a anunciar despedimentos de enfermeiros com oito meses de experiência de cuidados intensivos.

De acordo com várias exposições recebidas nas últimas horas na Ordem, os enfermeiros em causa já celebraram dois contratos de quatro meses com o Hospital de Braga, o que leva Ana Rita Cavaco a justificar as rescisões como uma tentativa de evitar que lhes seja reconhecida antiguidade e assim passem a integrar os quadros da instituição.

“É uma situação inadmissível, incompreensível e irresponsável, face ao momento que atravessamos”, refere em comunicado a Ordem dos Enfermeiros, que sublinha que esta situação demonstra, uma vez mais, a forma como os enfermeiros “são tratados em Portugal”, acusando a administração de, “para poupar tostões”, andar “a brincar ao combate à pandemia, colocando em risco a vida dos doentes”. Ao Expresso, Ana Rita Cavaco adianta que nesta situação estarão 86 enfermeiros, quando no quadro só existem 50 vagas.

O cenário vivido na instituição de saúde de Braga, um dos municípios que integram a lista de 121 concelhos de maior risco de contágio de covid-19, já foi transmitido pela presidente da Ordem dos Enfermeiros ao secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, por SMS. “Como não consegui falar, deixei mensagem”, refere Ana Rita.

Ler  Ordem dos Enfermeiros apoia greve e formas de luta dos sindicatos

Ao Expresso, o Hospital de Braga confirma que, no contexto da pandemia da covid-19, “contratou enfermeiros à luz deste regime excecional”, mas informa que os referidos enfermeiros continuam em funções no hospital, “estando o Conselho de Administração a envidar todos os esforços para que estes contratos a termo se convertam a contratos sem termo e assim se mantenham todos os enfermeiros contratados em funções”.

PROPOSTAS DE TRABALHA DO ESTRANGEIRO ACELERAM
“A curto prazo, nem os enfermeiros atuais nem os que venham a ser contratados serão suficientes para fazer face à pandemia e para prestar cuidados aos milhares de pessoas que viram os seus exames, consultas e cirurgias suspensas, adiadas e canceladas”, adverte a Ordem dos Enfermeiros, sublinhando que não pode deixar de repudiar esta atitude do Hospital de Braga, “sem prejuízo de continuar a sua colaboração com o Ministério da Saúde na busca de soluções”.

A situação no Hospital de Braga surge num momento em que a Ordem está a ser confrontada, “com particular insistência nas duas últimas semanas”, com pedidos de recrutamento de enfermeiros portugueses por parte de vários países europeus, entre os quais Espanha, Reino Unido, Alemanha e Holanda, que “estão a oferecer contratos anuais, transporte e alojamento grátis”.

E as propostas também chegam de lares. “Só de Espanha houve cinco contactos nos últimos dias, desde a Galiza às Canárias, com ofertas de 30 mil euros brutos anuais. Já a Holanda está a oferecer, além das melhores condições remuneratórias, casa, transporte e curso da língua”, adianta a Ordem no comunicado em que ainda reitera ao Governo a necessidade de encontrar mecanismos de fixação dos enfermeiros em Portugal.

“Apesar de ser unanime o reconhecimento do trabalho dos Enfermeiros no combate à pandemia, não há qualquer incentivo, subsídios de risco ou penosidade, nem remunerações dignas”, diz Ana Rita Cavaco, afirmando que “não podemos continuar a comprar ventiladores e a exportar enfermeiros”. “Após oito meses de pandemia com enfermeiros exaustos e muitos infetados, impedidos de trabalhar, é imperativo que seja revista a forma de contratação de Enfermeiros, bem como as suas condições laborais”, apela a Ordem.

Ler  Covid-19. Medicamento pode travar transmissão em 24 horas, diz estudo

Fonte: Expresso

vote
Article Rating
Looks like you have blocked notifications!
0 0 vote
Article Rating
Subscribe
Notify of
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Utilizamos cookies para personalizar conteúdo e anúncios, fornecer funcionalidades e analisar o nosso tráfego. Ao continuar a navegar, está a concordar com a sua utilização. Aceitar Ler mais

0
Would love your thoughts, please comment.x
()
x
error: Alert: Content is protected !!
Partilha isto com um amigo