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Artistas de rua manifestam-se para lembrar que existem

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“Um grupo de artistas de rua que estão há mais de um ano sem trabalhar e sem qualquer apoio vai levar a efeito no próximo sábado, dia 01 de maio, pelas 15:00, a começar no Rossio e marchando até à Praça Camões, uma manifestação/performance de alto impacto visual e de mensagem, alertando para os tempos por que passamos. Iremos utilizar uma linguagem teatral sarcástica e um visual apocalíptico”, anunciou um dos artistas, António Santos, conhecido como Homem Estátua.

A par desta ação contestatária, os artistas dispõem-se a participar ativamente na procura de soluções mais “justas e abrangentes” que protejam todo os setores culturais afetados.

Num manifesto, que acompanha a convocatória para a manifestação, os artistas de rua “e outros excluídos” contestam as medidas de apoio adotadas que deixaram de fora alguns setores da sociedade.

“Nas medidas em vigor, a sobrevivência baseada no nosso trabalho, na nossa arte, foi completamente ignorada. Para salvar uns, não se devem deixar morrer outros. Esse lema deve ser geral”, afirmam, posicionando-se como “críticos de algumas das soluções adotadas”.

É o caso do “estatuto do artista”, no qual “nada existe em relação aos artistas de rua”.

Os proponentes do manifesto recordam que as medidas para contenção da pandemia lesaram muitos setores de atividade, que “alguns foram atingidos gravemente”, como o setor cultural, e, dentro do setor cultural, “muitos foram atingidos mortalmente, como é o caso dos artistas e animadores de rua”.

“Anunciamos a nossa disponibilidade para, junto das entidades respetivas, colaborarmos na procura de medidas socioeconómicas de acompanhamento da crise mais justas e abrangentes”, afirmam, salientando que a manifestação/performance que vão promover “é completamente apartidária”.

Contudo, lançam um repto à luta pela sobrevivência da democracia, nestes tempos em que “os virtuosos parecem ser aqueles que tudo aceitam sem questionar”.

Os artistas pretendem, com esta ação e recurso a algumas técnicas das suas artes, dar “um grito de alerta” para a sua situação e lançar uma “interrogação” a algumas das soluções encontradas e à “falta de outras tantas”, que levaram a que parassem completamente as suas vidas.

Terminam o manifesto lembrando: “Somos profissionais sem estatuto reconhecido em Portugal. O Governo esqueceu que existimos. Por isso gritamos. Poderemos ser considerados os sem abrigo da cultura. Mas existimos. Com as últimas forças que nos restam. Estamos aqui”.

LUSA/HN

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