Desconfinamento já se faz sentir nos internamentos. R(t) está acima de 1

2 min de leitura

(CC0/PD) Tobias Zils / unsplash

O número de casos está a aumentar e este efeito já se começa a sentir nos internamentos. Esta foi a segunda semana consecutiva com aumento de casos, com uma média de 495 novos casos diários.

De acordo com o jornal digital Observador, na última sexta-feira, a média referente aos novos casos reportados ao longo dos sete dias anteriores era de 452 novos casos de infeção. Verificaram-se ao longo dos últimos sete dias, em média, mais 43 casos diários de infeção, o que significa mais 301 casos durante essa semana.

O chamado R(t), índice médio de transmissibilidade do vírus, está agora a 1,02 em solo continental e em 1,02 na totalidade do país. O primeiro-ministro António Costa tinha apontado o valor de 1 para o R(t) como um limite que, caso fosse ultrapassado, poderia colocar em causa o ritmo de desconfinamento nacional.

Segundo o jornal Público, as previsões dão conta de que vão aumentar os internados com a doença em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), bem como nos outros serviços, nos próximos dias.

“Os dados já apontam para algum aumento de internamentos, mas mesmo assim, não está a capturar as alterações dos últimos dias. A situação tenderá a piorar”, alertou Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH).

O responsável disse esperar que o cenário mais positivo apresentado na mais recente previsão “não deverá ser cumprido”, uma vez que os números refletidos já foram atingidos esta quinta-feira, mas o modelo matemático usado nas projeções tem de ser “respeitado”.

Segundo o modelo, o país deve necessitar de ter entre 484 (cenário mais positivo) e 520 (cenário negativo) camas para receber doentes internados com ​covid-19 na próxima semana. Destas, entre 107 e 112 serão para internamentos em UCI.

“Com o aumento do R(t), o número de casos vai aumentar. As medidas de contra balanço a este aumento esperado com o desconfinamento devem ser assimétricas, de acordo com a evolução regional. Os municípios com taxas mais elevadas têm de ter medidas mais duras, nomeadamente de restrição do processo de desconfinamento”, defendeu Alexandre Lourenço.

A previsão de mais internamentos faz com que volte a crescer também o número de profissionais necessários para lidar com a doença. Na próxima semana, deverão ser necessários entre 144 e 153 médicos, 982 e 1050 enfermeiros e entre 399 e 433 técnicos auxiliares de saúde. Já o número de profissionais de saúde público deverá situar-se entre os 477 e 535.

Duas escolas fecham em Faro

Um surto de covid-19 em duas escolas básicas do concelho de Faro obrigou esta sexta-feira ao encerramento dos estabelecimentos, que têm no total 300 alunos.

A escola foi hoje fechada. Ontem [quinta-feira] ainda houve aulas, mas as turmas onde foram identificados casos positivos não tiveram aulas e depois, ao fim da tarde, o delegado de saúde decidiu fechar as escolas”, contou João Geraldes, presidente da associação de pais de um dos estabelecimentos, à Lusa.

Segundo fonte da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, “os inquéritos epidemiológicos estão em curso, mas tudo indica que a disseminação do vírus terá ocorrido em festas familiares e sociais, de aniversário, bem como na prática desportiva” num clube local.

Em declarações à Lusa, a mesma fonte referiu que existem “vários agregados familiares com todos os elementos positivos” e que “muitos dos casos positivos contactados, incluindo as crianças, estão sintomáticos”, embora com sintomas ligeiros, o que levou a que as primeiras pessoas diagnosticadas tivessem tido a iniciativa de fazer auto testes.

Os estabelecimentos em causa são a Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância do Montenegro e a Escola Básica do 1º. Ciclo do Montenegro, segundo a autoridade local de saúde “uma pequena escola com duas salas” do mesmo agrupamento.

A mesma fonte adiantou que está em curso um “processo de testagem massiva”, pelo facto de se tratarem “de vários casos, distribuídos por quase todas as salas dessas escolas, e com a perspetiva de aumento”.

Segundo o presidente da Associação de Pais da Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância do Montenegro, o número de infetados aponta para “cerca de 20 pessoas” pelo facto de algumas crianças terem infetado os pais e irmãos.

O contágio não terá sido na escola, estas coisas acontecem quase sempre fora da escola”, frisou João Geraldes, notando que a origem do surto “terá sido numa festa de aniversário onde estiveram meia dúzia de crianças, quase todas das mesmas turmas” e que têm também atividades num clube local.

O presidente da Câmara de Faro, Rogério Bacalhau, considerou que, até agora, não há motivo para “grande preocupação”, mas manifestou-se apreensivo com o efeito que o surto poderá vir a ter nos próximos dias.

Maria Campos Maria Campos, ZAP // Lusa

Fonte: ZAP

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