Future MD regressa para informar mais alunos sobre escolhas profissionais e início da carreira médica

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O Future MD foi criado pelos alunos de Medicina da Universidade Nova de Lisboa, mas pensado para todos os alunos do Mestrado Integrado em Medicina em Portugal. Nesta terceira edição, que decorrerá nos dias 22 e 23 de maio, a equipa do Future MD quer voltar a ajudar os seus colegas a decidirem com segurança e informação sobre o seu futuro profissional. Serão abordadas “questões legais e burocráticas de terminar o curso e de iniciar a carreira médica e, por outro lado, carreiras mais alternativas a uma prática convencional”, num congresso que reúne 25 especialidades, não se limitando a informar sobre as mais abordadas no curso de Medicina, explicou ao HealthNews Inês Barbosa, presidente do Future MD.

HealthNews (HN)- O que pretende o projeto Future MD?

Inês Barbosa (IB)- O Future MD surgiu há três anos, e nós criámos este projeto por verificarmos que havia uma necessidade que era comum a todos os alunos de Medicina. Nós temos várias unidades curriculares ao longo do curso que nos vão dando e que nos vão transmitindo conhecimento no âmbito científico. Vasta é a escolha que nós temos de participar em congressos de caráter científico. No entanto, verifica-se que existe uma enorme lacuna no que respeita à informação e ao que os alunos sabem sobre o que acontece após o curso e após o Mestrado Integrado em Medicina. E é neste sentido que surge o Future MD. Ou seja, ao criar um espaço de diálogo, de informalidade e intimista entre os alunos e os médicos, permite que os primeiros sejam esclarecidos relativamente a várias temáticas, nomeadamente o internato de formação geral, o internato de formação específica, entre muitas outras, que eu poderei depois aprofundar e que serão abordadas nesta edição.  Permite, então, que os alunos saibam melhor o que acontece após o curso e, assim, possam tomar uma decisão consciente, uma decisão informada sobre o seu próprio futuro profissional.

HN- Vão realizar o terceiro evento, no qual vão debater oportunidades profissionais para os alunos do Mestrado Integrado em Medicina e jovens médicos. O que vos levou a repetir a iniciativa?

IB- Em primeiro lugar, porque a massa de alunos que nós tivemos a assistir à primeira edição é diferente daquela que nós temos a assistir a esta edição. Aliás, a primeira edição decorreu em formato presencial, pelo que foi um bocadinho limitante no que respeita aos anos que puderam assistir à mesma e, por outro lado, pelo facto de ter decorrido em formato presencial, acabou por limitar os alunos externos no que toca à sua participação, por todas as questões logísticas associadas à participação dos mesmos no congresso, nomeadamente o alojamento, as refeições, entre outras. Numa segunda edição, nós verificámos que houve uma enorme adesão ao congresso, e no questionário que foi colocado após a realização do mesmo, houve vários colegas que deixaram o seu testemunho e que reforçaram a pertinência deste congresso e que este deveria ser continuado no futuro. E aqui estamos nós para realizar a terceira edição do Future MD, para concretizar o desejo dos nossos colegas.

HN- Continua a haver desconhecimento por parte dos alunos das oportunidades que lhes são dadas para decidirem o seu percurso profissional?

IB- Em primeiro lugar, e eu acho que isto também tem um bocadinho a ver com as várias escolas médicas portuguesas – existem escolas médicas que apostam mais num ensino mais teórico e outras que apostam mais num ensino mais prático. Eu tenha a felicidade ou infelicidade de estar numa faculdade que aposta muito no ensino prático, e nós iniciamos os anos clínicos logo no terceiro ano, com uma vertente prática bastante exaustiva. Por outro lado, devo referir que, ainda que nós contactemos com várias especialidades ao longo do curso, aquilo que acontece é que nós contactamos com as especialidades mais triviais, mais convencionais. E a verdade é que há muitas outras carreiras que não são exploradas durante o curso, nomeadamente a área da política, a área da gestão, que muitos de nós também poderemos vir a seguir, e, por desconhecimento, acabamos por não seguir estas carreiras e por achar que não nos identificamos com as mesmas, mas apenas porque não tivemos contacto com elas durante o curso. E daí surgir aqui o Future MD, que aborda as questões legais e burocráticas de terminar o curso e de iniciar a carreira médica e, por outro lado, carreiras mais alternativas a uma prática convencional.

Uma das grandes novidades deste ano são as sessões paralelas, e aquilo que nós procurámos foi trazer o máximo de especialidades possível. Felizmente, conseguimos abranger um leque de 25 especialidades. Procurámos trazer não só aquelas que são as especialidades core da prova final do nosso mestrado, que ditará a especialidade que nós iremos seguir no futuro, mas também especialidades que são menos conhecidas – e que por vezes nós até temos alguma aversão às mesmas -, nomeadamente a genética médica, a farmacologia clínica, entre muitas outras, que são tão ou mais importantes que uma medicina interna e que uma cirurgia geral e que acabam por ser descuradas apenas por nós termos menos contacto com as mesmas.

HN- Vão contar com cerca de 40 oradores. Quais destacaria?

IB- O nosso programa já foi divulgado e efetivamente contamos com alguns nomes de maior prestígio e de maior renome na área da medicina. No entanto, quero desde já dizer que todos os nossos oradores são merecedores de igual reconhecimento e têm muito mérito, por onde chegaram e por nos estarem a ajudar nesta iniciativa. Mas devo referir que teremos presente o Dr. Adalberto Campos Fernandes, ex-ministro da Saúde, que irá palestrar no âmbito da medicina na política. Teremos também o Dr. Ricardo Mexia, que foi extremamente importante e teve muito protagonismo neste contexto pandémico, e é precisamente um bocadinho sobre isso que ele vai falar, sobre o papel do delegado de saúde e sobre a saúde pública na primeira linha, entre muitos outros, que deixarei para os nossos colegas descobrirem nos nossos canais de divulgação.

HN- Qual é o formato do evento?

IB- O evento será transmitido a partir do auditório do Hospital Lusíadas de Lisboa. Nós procurámos fazer um evento misto, ou seja, teremos os oradores e a nossa equipa junto dos mesmos. Isto para que a conversa decorra de forma mais natural, e mais intimista também. No entanto, dadas as limitações e os entraves colocados pela pandemia Covid-19 e também, como eu já referi, por termos visto que o formato online era mais benéfico para que outros colegas de outras escolas médicas portuguesas pudessem participar no nosso congresso, optámos pelo formato online, então o nosso congresso será transmitido em live streaming.

Nós já no ano passado tínhamos alguns receios que este formato viesse colocar algumas limitações e até prejudicar ou comprometer o caráter tão intimista e tão informal que é característico do Future MD. No entanto, como pudemos verificar pelo ano passado, em nada isto comprometeu o congresso; muito pelo contrário, a adesão foi superior. Este ano, contamos com ainda mais participantes, com a sua participação ativa no congresso e que estes coloquem todas as suas questões e saiam o mais esclarecidos possível do congresso, uma vez que este foi criado precisamente para ser o mais útil possível para os nossos colegas de Medicina.

HN- Quais são os principais pontos do programa?

IB- Nós começaremos na manhã de sábado com as várias etapas da formação médica, portanto desde a prova nacional de acesso até ao internato de formação específica. Abordaremos também uma questão que acabou por ser um futuro que acabou por se precipitar com as necessidades do presente, a telemedicina, e daí que o tema da plenária tenha sido mesmo descrito como “Telemedicina: Presente ou Futuro?”. E esta será uma pergunta a que a Dr.ª Cristina Caroça dará resposta. Na tarde de sábado, teremos carreiras um bocadinho mais alternativas à prática clínica, desde o médico do INEM ao médico na política. No final da tarde de sábado, iniciaremos as várias especialidades médicas e continuaremos no início da manhã de domingo. Abordaremos também a importância da nutrição clínica e como esta deve ser uma responsabilidade partilhada entre médicos e nutricionistas, e a importância que isto tem desde que o doente entra no hospital. Por outro lado, abordaremos também a gestão hospitalar, a investigação, a medicina aeroespacial.

HN- Destaca mais alguma coisa que seja diferente este ano?

IB- Algo que marca sempre a diferença face a edições anteriores é a inovação que nós procuramos trazer em cada programa e o trabalho que existe por parte de uma equipa para que os programas que são pertinentes, e que serão sempre, sejam repetidos, mas que, por outro lado, também sejam trazidas temáticas novas, para que a cada ano nós possamos enriquecer cada vez mais os nossos colegas, neste caso no que toca ao conhecimento sobre o que acontece após o curso. A destacar da terceira edição, a questão da novidade das paralelas. Teremos 25 especialidades no congresso, algo inovador e até arriscado, mas procuraremos que tudo corra da melhor forma. Por outro lado, traremos um tema que poderá ser um bocadinho controverso, mas que teremos oradores de excelência para lhe dar resposta, que é o futuro da formação médica pós-pandemia, entre muitas outras coisas que poderão ver no nosso congresso.

HN- Nas edições anteriores, houve registo de muitas intervenções dos destinatários, nomeadamente de partilha de experiências enquanto alunos e jovens médicos?

IB- Nós procuramos que as nossas palestras não sejam testemunhos. Isto porque procuramos que elas sejam o mais abrangentes possível e, para isso, tentamos trazer algo que é útil para todos os colegas e não apenas um testemunho individual e pessoal de alguém. No entanto, e por forma a aproximar os estudantes dos médicos, penso que algo que aproxima muito as pessoas é quando se dá o testemunho pessoal e quando se dá o próprio percurso como exemplo, e isso tem sido uma característica do Future MD desde a primeira edição e manter-se-á nesta edição, que irá decorrer nos dias 22 e 23 de maio.

HN- Uma nota final.

IB- O Future MD nasceu como um congresso totalmente inovador, pelo seu conceito de base, e continua a ser totalmente inovador, a cada edição que passa e pelo investimento que nós fazemos em todos os programas. O esforço desta equipa foi imenso para que nós trouxéssemos um programa o mais útil e o mais enriquecedor possível para os nossos colegas, e esperemos apenas que estes venham ao congresso e que contribuam para este, pois sem eles ele não decorrerá da mesma forma.

Rita Antunes

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