A associação de diabetes mais antiga do mundo faz anos: “Quem entra na APDP entra num sítio que é humanizado”

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6 min de leitura

A Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) faz 95 anos. É a associação de diabetes mais antiga do mundo e valeu uma mensagem de parabéns do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que destaca a qualidade do trabalho realizado pela associação ao longo das últimas nove décadas.

“A Associação Protectora dos Diabéticos está de parabéns, e é com renovada gratidão que assinalo mais um aniversário, desejando que o excelente trabalho desenvolvido continue e se projete no futuro do nosso país”, pode ler-se na mensagem do chefe de Estado que refere ainda que “a qualidade do trabalho da Associação Protectora dos Diabéticos é reconhecida pelos seus pares, por outras instituições da saúde e da solidariedade social, pela Organização Mundial da Saúde e, mais importante, pelos Portugueses em geral e pelos doentes em particular”.

A propósito do aniversário da APDP, conversámos com o diretor clínico desta associação, o médico endocrinologista João Raposo.

Qual é a importância atual desta associação no contexto da Diabetes?

Há 95 anos, quando a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) foi fundada, tinha como objetivo garantir que as pessoas pobres tivessem acesso à insulina, que era extremamente cara e, a par desse processo, encontrar recursos na comunidade que permitissem dar a insulina gratuitamente às pessoas.

Atualmente a associação mantém ativas as suas 4 vertentes de ação: o associativismo, a clínica de diabetes, o centro de formação e o centro de investigação. Pensamos que estas quatro atividades, associadas, são a única forma de manter o conhecimento e a prática da diabetes atualizada, respondendo às necessidades das pessoas com diabetes e das suas comunidades. Olhando para a história da APDP percebemos que é, ainda hoje, e será sempre provavelmente necessário, garantir o acesso das pessoas com diabetes ao melhor tratamento de acordo com os recursos que estão disponíveis, mas lutando para que esses recursos sejam mobilizados, para que as pessoas tenham realmente acesso aos melhores tratamentos, realçando o papel do ensino das pessoas e reforçando a necessidade de serem cada vez mais cidadãos ativos na gestão do seu processo de doença.

Para isso temos a clínica da APDP, que é um modelo inovador de integração de cuidados. As pessoas vêm cá e sabem que vão ser vistos por uma equipa multidisciplinar, altamente diferenciada no tratamento das pessoas com diabetes, ou seja, englobando médicos de diferentes especialidades, incluindo os enfermeiros, os nutricionistas, diferentes técnicos de várias áreas que contribuem todos para que a pessoa seja vista sem redundância de informação e de recursos, que seja vista de acordo com uma linguagem comum que é transversal a toda a equipa.

O conceito de integração de cuidados passa na nossa perspetiva por fornecer cuidados de saúde centrados na pessoa com diabetes

Como é que a APDP está a gerir a pandemia?

A APDP adaptou-se, reinventou-se e abraçou o desafio imposto pela distância, contactou todos as pessoas que são acompanhadas na associação, tivessem ou não consultas marcadas, para percebermos como estavam a viver o confinamento e a ameaça da COVID-19 e se precisavam da nossa ajuda.

Todo o trabalho desenvolvido foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um exemplo de boas práticas durante o período de confinamento e do esforço de recuperação do trabalho que a pandemia impediu de realizar.

Na vertente associativa, a APDP conta com cerca de 17 mil associados. Na parte do acompanhamento clínico já ultrapassou as 200.000 pessoas. Todos os anos são acompanhadas em consultas e atos de saúde cerca de 50 mil pessoas.

João Filipe Raposo, APDP

João Raposo, médico e diretor clínico da APDP

créditos: Iluminar Media/Luis Ribeiro

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João Raposo, médico e diretor clínico da APDP créditos: Iluminar Media/Luis Ribeiro

O que é que difere esta associação de outras unidades de saúde?

A associação tem, desde a sua origem, algo que é fundamental, a humanização do serviço. Ou seja, quem entra na APDP entra num sítio que é humanizado e para além de ser humanizado é um sítio de excelência para o tratamento da diabetes. A associação tem um centro clínico, com todas as valências para a diabetes. O conceito de integração de cuidados passa na nossa perspetiva por fornecer cuidados de saúde centrados na pessoa com diabetes – de acordo com os seus conhecimentos, capacidades, necessidades e recursos.

Para além da facilidade de estar tudo no mesmo sítio, há a questão humana. Porque quem tem uma doença crónica obviamente tem de estabelecer uma relação profissional baseada na empatia com os profissionais de saúde que o vão seguir ao longo da vida. E esta empatia é muito ancorada naquilo que é a humanização do serviço. A APDP liga a humanização dos serviços à qualidade dos mesmos. Num grande hospital isso é impossível de ter. A humanização do serviço tem a ver com as pessoas que lá trabalham e as pessoas que trabalham na APDP têm todas essa visão, são dedicadas à causa da diabetes, envolvem-se muito e isso faz a diferença.

Portugal era em 2019 um dos dois países da União Europeia com maior taxa de prevalência de diabetes entre adultos

A doença ainda é muito prevalente em Portugal. Como é que o país compara com o resto do mundo?

Segundo o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), publicado em novembro de 2020, Portugal era em 2019 um dos dois países da União Europeia com maior taxa de prevalência de diabetes entre adultos.

Em 2019, Portugal tinha 9,8% dos adultos (entre os 20 e os 79 anos) com diabetes dos tipos 1 e 2, surgindo atrás da Alemanha (10,4%), o pior país da União Europeia nas estatísticas.

A média da UE a 27 foi 6,2%, com Irlanda (3,2%), Lituânia (3,8%) e Estónia (4,2%) a registarem as taxas mais baixas de prevalência da diabetes entre adultos.

Quais os comportamentos de risco mais comuns em Portugal no que toca à diabetes?

A diabetes tipo 1 é auto-imune, o que significa que ocorre quando o sistema imunológico ataca o próprio corpo. Não conhecemos nenhum comportamento de risco associado a este tipo de diabetes.

No caso da diabetes tipo 2, são considerados comportamentos de risco aumentado para diabetes os hábitos alimentares pouco saudáveis (alimentação hipercalórica, rica em hidratos de carbono e gorduras pouco saudáveis) e o sedentarismo (somos um dos países mais sedentários do mundo) que se associam ao excesso de peso e obesidade.

Outros fatores importantes para o risco de diabetes são: idade (mais de 45 anos), ter familiares próximos com diabetes, ter hipertensão arterial ou colesterol elevado.

Quais os desafios para os próximos anos?

Ainda há muito para desenvolver. Para quem é hoje diagnosticado com diabetes, continua a ser confrontado com uma doença que representa uma ameaça, com um tratamento que é complexo, com resultados que são frustrantes, com o peso da discriminação por parte da sociedade. Há todo um trabalho que não foi terminado ainda e que cada vez mais precisa de continuar a ser desenvolvido. A APDP mantém isso como um foco da sua tarefa associativa, a par do desenvolvimento da clínica, porque o tratamento diferenciado e o melhor tratamento da diabetes não será o que temos hoje, mas aquele que queremos almejar e essa luta constante pelo conhecimento e pela aplicação do novo conhecimento é um fator diferenciador da nossa atividade.

Fonte: Lifestyle Sapo

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