Doentes estão a regressar às consultas de cardiologia

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Sublinhando que as doenças cardiovasculares são as que mais matam em Portugal, voltam a lembrar que com a pandemia as consultas de acompanhamento atrasaram e que estão agora a aparecer doentes que deviam ser seguidos a cada seis meses, mas que há mais de um ano que não eram consultados.

“Ainda esta semana vi doentes que deviam ter consultas semestrais e há mais de um ano que não apareciam”, contou à Lusa Vitor Gil, da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, no dia em que arranca o Mês do Coração, que se assinala em maio.

O especialista reconheceu que “já se nota muito” o regresso às consultas e apelou à confiança no sistema, pedindo aos doentes que contactem os meios de emergência sempre que necessário: “Não é por pedir socorro que estão em risco. A maior parte dos contágios não aconteceu nos serviços de saúde, mas sim em convívios”.

Vitor Gil disse ainda que, com este atraso nas consultas, há doentes a aparecer nalguns serviços “com complicações que não se viam há algum tempo”, frisando que “a pandemia teve impacto negativo no enfarte em fase aguda”.

“A percentagem de pessoas com covid-19 que morrem não é assim tão alta (2%), mas como muita gente teve [a doença] o número de mortos foi elevado”, considerou o responsável, que insiste na importância das vacinas para a proteção dos mais vulneráveis.

“Com toda a tempestade mediática que houve à volta das vacinas, criaram-se receios absolutamente infundados. Conheço vários casos de pessoas que não se vacinaram sem pedir a minha opinião, outros que estavam com medo, mas avançaram, uns que recusaram e outros que têm imensas dúvidas. É preciso dar confiança às pessoas”, afirmou.

Vitor Gil insistiu que “não há nenhuma razão” para que os doentes não tenham confiança nas vacinas e recordou que os poucos casos de que se tem falado “de complicações assoviáveis” à vacina não justificam.

Em declarações à Lusa no âmbito do Mês do Coração, que hoje começa, o diretor de Cardiologia do Hospital de Santa Maria da Feira, Rui Batista, frisou a importância de controlar os fatores de risco, designadamente o colesterol.

O médico lembrou que, num doente saudável e sem histórico familiar, o colesterol é normalmente avaliado aos 40 anos, de preferência nas consultas de medicina geral e familiar, e depois de acordo com as estratégias definidas pelos médicos que seguem o utente.

“Isto não quer dizer que para pessoas com história familiar não se possa identificar os fatores de risco mais cedo”, alertou, dando o exemplo das famílias em que há alteração de colesterol e em que se começa logo a avaliar em criança para se conseguir controlar o risco.

Reconheceu que a pandemia alterou a capacidade de resposta do sistema de saúde, que se focou mais no doente covid-19 e que houve doentes que deixaram as suas consultas de seguimento.

Disse também que, a médio prazo, esta falta de controlo dos fatores de risco como a hipertensão, o tabaco e o colesterol, “vai haver um impacto na incidência” das doenças cardiovasculares.

“A acumulação de colesterol na parede das artérias leva a um maior risco do que queremos evitar” afirmou o responsável, apelando aos doentes que não percam o contacto com os seus médicos.

Segundo os dados oficiais, o colesterol elevado afeta 63,3% da população portuguesa, entre os 25 e os 74 anos.

Sublinha a importância da prevenção e da Medicina Geral e Familiar (médicos de família) na identificação dos doentes em risco e da promoção de estilos de vida saudável, aquilo a que chama de “prevenção primária”.

Contudo, sublinha igualmente a importância da “prevenção primordial”, que é a que o utente consegue controlar para evitar que apareçam fatores de risco de doença cardiovascular, mantendo uma vida alimentação saudável e com pouco sal, fazendo exercício e não fumando.

“Como diz a DGS [Direção-Geral da Saúde], cada doente deve ser um agente de saúde pública”, defendeu.

Em Portugal, as doenças cardiovasculares são responsáveis por 29,5% das mortes, sendo que o enfarte do miocárdio mata, em média, 12 pessoas por dia. Ter o colesterol muito elevado pode significar estar em risco de sofrer um enfarte do miocárdio ou um acidente vascular cerebral (AVC).

Os dados mais recentes indicam ainda que cerca de 85% dos doentes que sofrem um enfarte ficam com algum tipo de perda cognitiva. As áreas mais afetadas são a fluência verbal e a memória.

LUSA/HN

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