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Peritos defendem plano para eventual “reforço massivo da vacinação”

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“[Deve-se] Continuar a apostar na vacinação e antecipar desde já a eventual necessidade de reforço massivo da vacinação, estabelecendo um plano que garanta que este processo não fique apenas a cargo dos cuidados de saúde primários, porque isso pode condicionar a capacidade global de resposta em termos de saúde, e manter as estratégias que se mostraram eficazes, como fácil acesso, envio de mensagens, equipas de proximidade, entre outras”, disse.

Na intervenção realizada na reunião do Infarmed, em Lisboa, que volta a juntar especialistas, membros do Governo e o Presidente da República para a análise da evolução da pandemia em Portugal, Raquel Duarte assinalou ainda a importância de manter a testagem – com a identificação de populações de maior risco e a promoção dos testes gratuitos – e a monitorização de variantes.

Além da defesa da manutenção das medidas de prevenção gerais, como o arejamento de espaços interiores ou a promoção do distanciamento, a pneumologista salientou também que a “necessidade de controlo de fronteiras é evidente”, em que o “certificado digital deve ser utilizado como garantia adicional de segurança” para a entrada de pessoas no país.

“Recomendamos a adoção forte das medidas em espaços fechados, onde não é possível o distanciamento. Em todos os setores, propomos que haja a implementação destas medidas gerais, exceto nas unidades residenciais para idosos e neste contexto propomos uma implementação de medidas protetoras mais apertadas”, frisou, acrescentando que “os idosos devem ser um grupo prioritário para a terceira dose da vacina”.

Ainda sobre os idosos, Raquel Duarte reiterou a necessidade de “garantir a segurança relativamente a quem chega do exterior”, pelo que advogou que o uso do certificado digital para acesso aos espaços – face à “cobertura vacinal muito alta” – deve ficar reservada a circunstâncias de maior risco, como os estabelecimentos residenciais para idosos.

Entre as principais mensagens da especialista da ARS Norte, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar sobressaiu a ideia de uma “transição da obrigatoriedade das medidas para uma responsabilidade individual”, assente numa promoção da capacidade de autoavaliação do risco e acompanhada por “comunicação permanente” que seja “clara e inequívoca” nesta matéria.

“Propomos adaptar a estratégia à circunstância atual. Não entramos numa fase de cancelamento das medidas, de todo. É fundamental que todos nós mantenhamos a vigilância e adotemos as medidas protetoras em função do risco”, enfatizou, sem deixar de apontar o caso especial dos transportes públicos, em que os peritos recomendam “a utilização obrigatória de máscara de forma transitória” devido “à impossibilidade de controlo de exposição ao risco”.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram 17.888 pessoas e foram contabilizados 1.059.409 casos de infeção confirmados, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.

LUSA/HN

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