Pneumonia associada à ventilação mecânica

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Estudos sugerem que a cada ano ocorrem nos Estados Unidos entre 5 e 10 episódios de pneumonia relacionada à assistência à saúde por 1.000 admissões. Estas infecções são responsáveis por 15% das infecções relacionadas à assistência à saúde e aproximadamente 25% de todas as infecções adquiridas nas unidades de terapia intensiva. Estima-se ainda uma incidência de 3.7 a 10.7 por 1.000 dias de uso de ventilação mecânica nos EUA.

A microbroncoaspiração constitui a fisiopatologia desta entidade. Pacientes intubados estão sob efeitos de sedativos, com reflexos de tosse reduzidos ou abolidos, elevando o risco de aspiração de secreção acumulada em orofaringe seguida pela inoculação exógena de material contaminado.

O diagnóstico é feito por critérios radiológicos e clínicos como leucocitose, febre, mudança do aspecto de secreção traqueal e piora da oxigenação (relação PaO2/FiO2). Embora pareça simples, o diagnóstico muitas vezes não é tão óbvio na prática médica da terapia intensiva.

Características como congestão pulmonar, infiltrado associado a quadros inflamatórios (SARA) e presença de dispositivos invasivos são fatores confundidores e devem ser levados sempre em consideração. Scores para diagnóstico, como o “CPIS – Clinical Pulmonary Infeccion Score”, podem ser utilizados para casos mais complexos.

CIPS – Clinical Pulmonary Infeccion Score


Pontuação > ou = 6 sugere diagnóstico de pneumonia.

O tratamento desta patologia inclui antibioticoterapia de acordo com o perfil epidemiológico do CTI. Em geral Gran negativos hospitalares e MRSA devem ser levados em consideração.

Após essa breve discussão, a pergunta que devemos nos fazer é: como reduzir a incidência da Pneumonia associada a ventilação mecânica numa unidade de terapia intensiva? A resposta é simples: utilizando de forma exaustiva, sistemática e constantemente auditada, o conjunto de boas práticas (bundle) para sua prevenção. Este bundle consiste em:

  • Cabeceira elevada 30-45º
  • Manutenção de pressão de cuff entre 20 a 25 mmHg
  • Aspiração constante de VAS assim como utilização de tubos orotraqueais com dispositivo para aspiração subglótica
  • Utilização de protocolo de interrupção diária da sedação sempre que possível
  • Inicio de dieta enteral precoce de preferencia com cateter posicionado em região pós pilórica
  • Profilaxias para trombose venosa profunda e hemorragia digestiva
  • Higiene oral com clorexidina

A utilização correta destas práticas está associada a redução significativa da incidência de pneumonias, e a baixa incidência de PAV é considerada como um dos principais indicadores de qualidade em terapia intensiva.

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