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Já sabemos o que torna os ataques de asma mais fortes à noite

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Taborsk / Canva

Um novo estudo veio confirmar finalmente aquilo que já há muito se sabia e a resposta está no relógio interno do nosso corpo.

Num ataque de asma, as vias respiratórias nos pulmões começam a fechar, o que dificulta a respiração e causa tosse e deixa as pessoas ofegantes. Muitos asmáticos reportam uma  uma particularidade nos ataques – que costumam ser mais fortes durante a noite – e há agora um estudo que explica porquê.

Um estudo de 2005 concluiu que quase 75% dos asmáticos tem ataques mais severos à noite e um inquérito nos hospitais de Londres nos anos 70 concluiu que os ataques nocturnos ou ao início da manhã tinham uma maior probabilidade de ser fatais.

Os cientistas tinham muitas teorias, entre ser o sono a causa, a posição em que se dorme, possíveis alérgenos na roupa da cama ou o ciclo circadiano, ou seja, o relógio do nosso corpo que regula as hormonas, o batimento cardíaco e o sistema imunitário a cada 24 horas e que é influenciado por factores externos como a luz e a hora das refeições. No entanto, a razão continuava desconhecida, até agora.

Publicado em Setembro na Proceedings of the National Academy of Sciences, um estudo mostrou como se pode tornar o ciclo circadiano “imune” a estes factores externos que o influenciam e que contribuem para a asma, escreve a Wired.

A amostra era composta por 17 participantes asmáticos, que tiveram de avaliar a sua função pulmonar em casa quatro vezes todos os dias com um respirómetro, que mede quanto ar conseguem puxar dos pulmões num único segundo. Os participantes também registaram os seus sintomas e anotaram todas as vezes que tinham de usar a bomba.

Foram depois colocados em duas experiências diferentes enquanto viviam em salas com pouca luz. Na primeira, chamada “protocolo de rotina constante“, os participantes ficaram sentados numa cama durante 38 horas sem poderem dormir, levantar-se para ir à casa-de-banho ou fazer qualquer esforço físico. A cada duas horas comiam a mesma refeição – uma pequena sandes de atum ou de manteiga de amendoim e geleia.

O objectivo é testar o relógio interno do corpo, já que nestas salas sem relógios ou janelas que mostrem a luz solar e sem os horários de trabalho normais dos participantes, parecia que o tempo não existia e não havia forma de saber quando é hora de comer ou dormir ou se era de dia ou de noite.

Os participantes foram também ligados a termómetros que monitorizavam as suas temperaturas e a cada entre duas e quatro horas, os enfermeiros recolhiam amostras de sangue e urina e mediam a resistência das vias repiratórias. Estes testes serviam para perceber como o ritmo circadiano sem a influência das pistas comportamentais e ambientais.

A segunda experiência, chamada “protocolo de dessincronia forçada“, serviu para entender como é que os ciclos comportamentais podem afectar a asma. Desta vez, os participantes tiveram de viver nas mesmas salas com pouca luz durante oito dias, mas em vez de terem as as suas actividades rotineiras – como comer, tomar banho ou dormir – programadas para um ciclo de 24 horas, estavam planeadas para um dia de 28 horas.

Desta vez, podiam levantar-se e andar um pouco pelo quarto, mas não podiam sair ou fazer algum tipo de exercício exigente. A cada duas ou quatro horas, eram novamente testados.

Todas estas experiências chegaram a uma conclusão: o ciclo circadiano de cada pessoa contribui para um agravamento da asma. Quando o relógio do corpo acha que é de noite e hora de dormir, os participantes usaram quatro vezes mais a bomba. No caso do sono coincidir com a noite circadiana, a tensão das vias respiratórias também aumentava.

Steven Shea, um dos autores do estudo, afirma que estas experiências conseguiram de uma vez por todas mostram que os ritmos circadianos afectam a asma, independentemente de outros factores, mas lembra que outros factores também têm impacto. “O relógio circadiano está sempre tiquetaquear, mas fazemos coisas a toda a hora também, e precisamos mesmo de saber como isto tudo de acumula”, conclui.

  ZAP //

Fonte: ZAP

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