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SNS em risco de ruptura. Já há “tragédias pessoais” na área da oncologia

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(CC0/PD) Hush Naidoo / unsplash

A crise no Hospital de Setúbal, com a demissão em bloco de quase 90 médicos, é um alerta para a “doença sistémica” do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que pode levar à sua ruptura, segundo responsáveis da área que denunciam que já há “verdadeiras tragédias pessoais” por falta de tratamento.

“O caso de Setúbal é apenas um sinal de uma doença que se está a agravar em todo o país e o primeiro passo no sentido de responder a esta doença sistémica é o reforço do financiamento da saúde”. É desta forma que o presidente da Convenção Nacional da Saúde (CNS), Eurico Castro Alves, aborda a actual situação do SNS em declarações à Rádio Renascença.

Após a demissão em bloco de 87 médicos do Hospital de Setúbal, o Ministério da Saúde anunciou o reforço de profissionais na unidade.

É um bom sinal de que há “vontade de acolher e de resolver os problemas”, assume Castro Alves que, contudo, alerta para a importância de se “fazerem reformas estruturais no sistema de saúde”.

É tempo de se perderem complexos de tipo ideológico e poder contar mais com outros sectores, nomeadamente o sector privado e o sector social, na participação dos serviços do SNS. Porque o objectivo é tratar os portugueses, não é implementar ideologias”, salienta ainda Castro Alves.

Em jeito de mais um recado aos políticos, o presidente da CNS aponta que “gostava que alguém mostrasse ao país quanto custou a mais o facto de se terem abandonado as parcerias público-privadas na saúde”.

“Verdadeiras tragédias pessoais” na oncologia

Castro Alves nota ainda que a pandemia agravou a situação do SNS, nomeadamente com o atraso de milhares de consultas e exames de diagnóstico. A área da oncologia é uma das mais afectadas em termos dos efeitos negativos deste cenário.

“Estamos a viver verdadeiras tragédias pessoais de pessoas que não tiveram o seu diagnóstico a tempo de serem tratadas e curadas e, portanto, a doença é diagnosticada numa fase muito mais adiantada e que exige, agora, uma grande mobilização de recursos por parte do SNS”, vinca Castro Alves na Renascença.

A CNS anunciou, nesta semana, que o Orçamento do Estado para 2022 deve incluir, no mínimo, 12 mil milhões de euros para o SNS. Esse investimento público seria um aumento de 700 milhões face à verba inscrita no Orçamento para este ano.

“O Orçamento do Estado não pode ser um beco sem saída. A saúde dos portugueses tem de ser financiada à altura das circunstâncias que enfrentamos”, aponta a nota da CNS.

Enfermeiros ameaçam com “acções de luta duras”

As dificuldades no SNS ficam também patentes com os protestos dos enfermeiros. Na quinta-feira, houve uma manifestação em frente ao Ministério da Saúde e para esta sexta-feira, está prevista uma nova concentração junto à Administração Regional de Saúde do Centro.

Os enfermeiros queixam-se da falta de profissionais e do excesso de trabalho. E o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) alerta para o risco de ruptura nos centros de saúde e nos hospitais.

“A campanha de vacinação da gripe sazonal em curso e o início da terceira toma da vacina Covid, sem esquecer a obrigatória retoma da actividade assistencial, pode atirar os centros de saúde para uma situação de ruptura”, avisa o SEP numa nota divulgada pelo Público.

Não existem “recursos humanos suficientes para tudo”, “temos um enfermeiro para três postos de trabalho”, lamenta Guadalupe Simões, do SEP, em declarações a este jornal.

“Apesar do reforço na contratação de enfermeiros nos últimos anos, os enfermeiros continuam a ser insuficientes. Se tivermos em conta que os centros de saúde funcionam em equipa e que há um milhão de utentes sem médico de família, significa que há um milhão de pessoas sem enfermeiro de família”, realça ainda a sindicalista.

Já a presidente da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), Lúcia Leite, avisa que “o Ministério da Saúde está a empurrar os enfermeiros para acções de luta duras”.

“Os enfermeiros estão a trabalhar com dotações no limite, existe falta de profissionais nas urgências, os centros de saúde desdobram as equipas e responderam à vacinação [contra a covid] com horas extra permanentes”, aponta ainda Lúcia Leite, também em declarações ao Público.

Os Sindicatos do sector da enfermagem reúnem-se na próxima segunda-feira e espera-se que tomem uma posição conjunta sobre a actual situação dos profissionais no SNS.

  ZAP //

Fonte: ZAP

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