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Costa fala do Bloco do mel e do fel e recusa chantagens (porque não é Cavaco Silva)

Ricardo Lopes / RTP

Para António Costa há dois Bloco: o do mel e do fel. Neste debate, o secretário-geral do PS apenas provou do veneno de um deles, levando com uma chuva de críticas.

À entrada para o debate entre António Costa e Catarina Martins, o atual primeiro-ministro reiterou que tem “um Orçamento pronto para entrar em vigor” e que traz aumento de pensões e gratuitidade das creches, entre outros.

Foi a coordenadora do Bloco de Esquerda quem começou ao ataque, culpando o PS por “desejar uma maioria absoluta” e relembrando o sucesso da geringonça.

“A maioria absoluta não é um objetivo em si, mas que em 2019 e 2020 a direção do BE decidiu romper o diálogo à esquerda”, disparou Costa, salientado que “há dois Blocos: o que aparece na campanha, que é muito mel, e o que está na Assembleia da República, que é cheio de fel”.

O primeiro-ministro português acusou ainda Catarina Martins de ser capaz de juntar o seu voto à direita e à extrema-direita para chumbar um Orçamento no PS, mas não é capaz de o fazer para aprovar um Orçamento da direita.

A bloquista virou o feitiço contra o feiticeiro e disse que a questão do mel e do fel também se verifica no Governo: o mel é quando o Governo promete e a fel quando não concretiza. 

“Se nada for feito o SNS estará moribundo daqui a quatro anos. Temos menos médicos desde o início da pandemia, 2 mil enfermeiros que pediram para emigrar”, disse Catarina Martins.

Costa retaliou defendendo que o PS “tem vindo a reforçar sistematicamente o SNS desde 2016”. António Costa disse ainda que “o BE falhou, entre os dois últimos orçamentos, no reforço em 1.500 milhões de euros do SNS”.

Por sua vez, Catarina Martins disse não entende a resistência do PS em promover a exclusividade dos médicos no SNS: “Preferiu fazer um braço de ferro, continuando o SNS a perder profissionais todos os dias”.

A proposta do BE de acabar com o fator de sustentabilidade foi “o que nos impediu de chegar a acordo no Orçamento”, argumentou António Costa, especificando que esta proposta causaria um “rombo brutal” de 480 milhões de euros por ano de impacto na sustentabilidade da Segurança Social.

A coordenadora do Bloco contrariou as contas do líder socialista e disse que o fim do duplo corte em algumas pensões só custaria 16 milhões de euros por ano.

Relativamente às questões laborais, Costa diz que o que o separa do BE é que o partido “propõe a emissão de dívida pública para fazer a nacionalização da ANA, da EDP, da REN, dos CTT e da Galp”. “Pelo valor de hoje, o que o BE propõe é agravar a dívida pública em 14,5% para fazer uma bravata ideológica”, defendeu o secretário-geral do PS.

“Talvez o PS ache normal que seja o Estado chinês a mandar na energia em Portugal ou os CTT serem completamente destruídos”, respondeu Catarina Martins.

O secretário-geral socialista afirmou que assumirá as suas responsabilidades se vencer com maioria relativa e que não fará como o antigo primeiro-ministro Cavaco Silva que, em 1991, disse que só aceitaria governar com maioria absoluta.

Esta posição foi transmitida por António Costa na parte final do debate, depois de questionado pelo jornalista João Adelino Faria sobre o que fará se perder as eleições, ou se vencer com maioria relativa, tal como em 2019.

“Já disse que saio se perder as eleições, porque isso significa um voto de desconfiança dos portugueses. Caso contrário, estou cá para assumir as minhas responsabilidades”, declarou o líder socialista, após ser interrogado se baterá com a porta se não tiver maioria absoluta.

Questionado novamente sobre o que fará se o PS não tiver maioria absoluta nas eleições legislativas antecipadas de 30 de janeiro, António Costa respondeu: “Não, não bato [com a porta]”.

“Eu não faço essa chantagem, eu não sou o professor Cavaco [Silva], o professor Cavaco é que disse: ou me dão maioria absoluta ou me vou embora. O que eu digo é que obviamente quem é primeiro-ministro seis anos, se ao fim de seis anos perde as eleições, tem de tirar uma ilação, é um voto de desconfiança dos nossos cidadãos”, respondeu.

Segundo o líder socialista, em 30 de janeiro, “os portugueses decidirão” como se vai governar o país.

“O que me compete dizer é que, nestas condições, com partidos como o Bloco [de Esquerda], nós, de facto, precisamos de uma solução de estabilidade, que o Bloco não oferece. E para isso a solução é termos uma maioria estável do PS”, disse, num momento em que a coordenadora bloquista já não dispunha de tempo para contrapor.

  Daniel Costa, ZAP // Lusa

Fonte: ZAP

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