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Covid-19: Governo espanhol ocultou informações importantes sobre a Covid-19 no início da pandemia, aponta estudo

Um estudo, publicado no ‘International Journal of Communication’ e editado pela University of Southern California, analisou pela primeira vez a perceção do risco da Covid-19 em Espanha pela opinião pública, especificamente os meios de comunicação e redes sociais, e garantiu que o Dia Internacional da Mulher, 8 de março de 2020, foi o momento de viragem. “Como se soube mais tarde, o Dia da Mulher em Espanha apresentava um cenário informativo assimétrico, no qual o Governo tinha registos relevantes que a opinião pública e imprensa desconheciam”, segundo apontaram os autores do estudo.

“O cenário de incerteza em Espanha na primeira quinzena de março apresenta uma experiência natural para explorar como a ocultação de mensagens importantes afeta as redes e os meios de comunicação, a transmissão de informação e a avaliação de um risco coletivo. Em menos de 15 dias houve uma mudança abrupta nas estratégias epidemiológicas e de comunicação das autoridades políticas, que passaram de negar e minimizar a Covid-19 como um risco para a saúde a ter de estabelecer um estado de alarme”, pôde ler-se no estudo.

Naquele fim de semana de 8 de março, o Governo espanhol “encorajou a celebração de 67 manifestações e comícios feministas, convocando uma mobilização em massa e minimizando o possível risco”, referiu o estudo, apontando que 5 dias depois Pedro Sánchez, primeiro-ministro de Espanha, ter ido à televisão declarar o estado de alarme.

“O nosso objetivo não é julgar a gestão da pandemia, mas sim a gestão da mensagem pública. A conclusão é que isso não foi mau, foi terrível. A oscilação entre a minimização do risco e sua divulgação subsequente polarizou as opiniões, gerou incerteza e minou a confiança. Este erro, depois de dois anos e cinco ondas, continua a ser cometido”, explica Marta Martín Llaguno, principal autora do estudo e professora de comunicação audiovisual e publicação da Universidade de Alicante.

Os autores realizaram o estudo através do processamento de linguagem natural ou PNL (um campo da Inteligência Artificial) e do uso da teoria das redes. Entre 1 e 15 de março, foram recolhidos um total de 13.113 tweets relacionados à Covid-19. Além disso, foram ainda recolhidas informações publicadas nas 44 manchetes impressas mais representativas das 17 comunidades (foram recolhidos 1.247 artigos). Os dados foram divididos em dois grupos: os correspondentes ao período de 1 a 8 de março de 2020 e os recolhidos entre 9 a 15 de março.

Assim, o estudo apontou que “9 de março é o ponto de inflexão” na atenção do público à pandemia. “Houve um notável aumento de mais de 60% nas notícias”, o que revela um primeiro elemento diferencial entre os dois períodos. E o mesmo acontece com a imprensa: “Poucas horas depois da celebração do 8 de março, o número de notícias passou de 55 neste dia para 137 no dia 9. Com efeito, na primeira semana desse mês, foram produzidos 120 textos (18,3%), uma média de 17,15 artigos/dia, enquanto após as manifestações de 8 de março e até meados daquele mês, o número subiu para 534 (81,7%), com média de 66,7 artigos/dia.

O tom utilizado, tanto nas redes sociais como nos media, também mudou. O sentimento neutro visto na imprensa permaneceu nos mesmos níveis baixos da semana anterior, mas o sentimento positivo diminuiu consideravelmente. Das 1.247 reportagens de jornais, 666 (53%) apresentaram sentimento negativo, 418 (33,5%) positivo e 163 (13,07%) neutro.

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