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Saúde Mental em adolescentes e famílias em tempos de COVID-19

Saúde Mental

A saúde mental, o bem-estar e a qualidade de vida são fundamentais para o desenvolvimento humano positivo ao nível pessoal e social.

Perturbações ou dificuldades acentuadas ao nível da saúde mental e qualidade de vida podem comprometer estas capacidades e consequentemente o desenvolvimento do potencial dos indivíduos, e das sociedades. Segundo a Organização Mundial de Saúde (World Health Organization [WHO], 2013a; 2013b) a saúde mental é definida como uma componente da saúde relacionada com o bem-estar e qualidade de vida através do qual as pessoas concretizam o seu potencial, gerem as situações stressantes e desafiantes da vida, estudam e trabalham de forma produtiva e construtiva e contribuem para o seu desenvolvimento e da sua comunidade.

 Adolescência fase de desenvolvimento da identidade

Durante a adolescência, como período de transição evolutiva entre a infância e a idade adulta parece aumentar a presença de sintomas de ansiedade e depressão. A presença de sintomas psicossomáticos, de preocupações e de comportamentos autolesivos também aumenta na adolescência.

A adolescência é caracterizada pela ambivalência, vontade de experimentar e enfrentar desafios, dificuldades nos papeis sociais, com amigos, com família e expectativas em relação ao futuro. Tudo acompanhado com dificuldades de regulação das emoções intensas que sentem, insegurança de quem são, do que os outros esperam deles e do que querem ser.

A Pandemia COVID-19 teve impacto ao nível global, nomeadamente ao nível da saúde mental das crianças e adolescentes. A pandemia COVID-19 apresentou desafios a longo prazo para além da saúde física, afetando os domínios económico, social e da saúde mental. A pandemia pode ser particularmente desafiante para as populações adolescentes, especialmente aquelas com antecedentes de exposição ao stress no início da vida devido ao aumento do risco para a saúde mental.

O isolamento dos amigos ao longo do tempo, a incerteza sobre o futuro tanto a curto como a longo prazo, bem como um contínuo estado de medo, tal como o medo de ser infetado, tudo isto tem demonstrado constituir um risco para o desenvolvimento da psicopatologia na juventude. A distância e o isolamento trazem mais desafios na partilha e comunicação com os amigos, maior permanência com a família quando seria uma altura normal de autonomia progressiva, todo este processo precisa do seu tempo e a pandemia fez com que ele se fizesse de forma mais abrupta o que dificulta a tarefa de adolescentes e pais.

 Estudo do bem-estar e saúde mental dos adolescentes em 2021 em pandemia (Gaspar et al, 2021)

A investigação revela que mais de 30% dos adolescentes apresenta sintomas depressivos (tais como, sentimentos de tristeza, aborrecimento, isolamento, falta de motivação e expectativas). Cerca de 35% sente tristeza tão grande que não aguenta, 81% tem preocupações que o acompanham no dia a dia, mais de 18% teve comportamentos de aulolesão e mais de 30% refere que a COVID-19 afeta as suas expectativas futuras.

Para compreender os fatores que mais influenciam os sintomas depressivos, verificamos que os jovens que apresentam mais sintomas depressivos são os que apresentam mais sintomas físicos e psicológicos (tais como, dores de cabeça, barriga, ansiedade, irritabilidade), mais preocupações, mais comportamentos de autolesão e são os mais afetados pela COVID-19

Como fatores de proteção face aos sintomas depressivos surgem a melhor perceção de bem-estar, mais competências socioemocionais ao nível da regulação emocional e assertividade e relações mais positivas com os pais, professores e colegas.

Saúde mental dos adultos de referência

É importante realçar que os adultos de referência também eles próprios estão a passar pela pandemia e os estudos também revelam dificuldades de adaptação ao nível do bem-estar e saúde mental, as mulheres mais ao nível emocional ansiedade e preocupações e os homens ao nível do consumo de substâncias e jogo.

É importante salientar que grande parte dos adultos que estão com as crianças e os adolescentes são mulheres, as mães, as educadoras, as professoras, e as suas dificuldades refletem-se na relação com os adolescentes o que pode agravar o problema. Daqui resulta que o apoio aos adultos, em especial às mulheres também se torna fundamental para promover a saúde mental e bem-estar dos adolescentes.

Prevenção ao nível Saúde Mental

A prevenção deve ser realizada numa perspetiva ecológica junto das crianças e adolescentes e dos contextos e atores das suas vidas, nomeadamente junto de pais, professores e alunos ao nível da promoção e desenvolvimento de competências socioemocionais, sensibilização para a importância do bem-estar e saúde mental, promoção de competências de literacia emocional, gestão das emoções e autorregulação, gestão de conflitos e desenvolvimento de atividades conjuntas de bem-estar.

A própria escola deve ser um ecossistema de bem-estar, naturalmente com as aprendizagens formais, mas também espaço de partilha, atividades desportivas, de lazer e especialmente de interação e reflexão (debates, dinâmicas de grupo, aulas “diferentes” e mais tempo de recreio …)

Intervenção quanto mais cedo melhor  

Como psicóloga o que verifico é que os casos que nos chegam já são muito graves, quanto mais cedo as crianças e adolescentes e famílias procurarem ajuda menores serão os sintomas e especialmente menor será o impacto causado ao nível social, psicológico e escolar.

Identificamos como principais barreiras, literacia na área da saúde mental, muitas dificuldades no acesso aos serviços de saúde do SNS, e o estigma ainda associado à procura de ajuda psicológica

Nos casos mais graves com situações de depressão clínica, psicopatologia, comportamentos de autolesão ou comportamentos suicidários a situação é muito difícil por falta de prontidão da resposta dos serviços de saúde ao nível dos cuidados de saúde primários, consultas de. especialidade e também no acompanhamento ambulatório na comunidade.

Os casos muitas vezes chegam às urgências dos hospitais, depois é marcada uma consulta de triagem com enfermagem que demora cerca de 1 mês ou 2, depois é marcada uma consulta com pedopsiquiatra mais uns meses e ao nível do apoio psicológico cerca de 6 meses e depois com acompanhamento esporádico, é manifestamente insuficiente sem falar da necessidade de apoio aos pais ou família.

A área da saúde mental das crianças e jovens deve ter um investimento massivo no sentido de mitigar o impacto no desenvolvimento, potenciar as oportunidades e potencial das crianças e jovens, sem esquecer que o impacto dos problemas de saúde mental interfere num desenvolvimento saudável da criança e jovem, no bem-estar de toda a família e as consequências também se sentem a médio longo prazo na medida em que quanto mais precoce e grave for a perturbação mais probabilidade tem de interferir com a vida adulta e na possível futura parentalidade instalando-se um ciclo difícil de quebrar.

É fundamental, promover um bom ambiente sociocultural, a nível familiar, escolar e comunitário. Através do desenvolvimento de competências de tolerância, empatia e igualdade entre rapazes e raparigas, entre diferentes grupos étnicos, religiosos ou diferentes grupos sociais. Esta ação passa, também, por estabelecer mais e melhores conexões entre a escola, família e comunidade, encorajando a criatividade, competências académicas e promovendo a autoestima e autoconfiança das crianças e dos adolescentes.

Em contexto escolar, e envolvendo toda a comunidade educativa, a saúde mental pode ser promovida através de programas preventivos que impliquem governo, comunidade, família e escola.

Os psicólogos têm que se confrontar com o desafio de providenciar serviços e programas promotores de saúde mental e qualidade de vida que sejam sensíveis às diferenças sociais, culturais, bem como às diferenças individuais, fazendo uma utilização eficaz dos recursos disponíveis e promovendo a capacitação e a autonomia dos indivíduos e comunidade.

 

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