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João Brum Silveira: “Cerca de 40% dos doentes não reconhece os sintomas do enfarte agudo do miocárdio”

HealthNews (HN)- O enfarte agudo do miocárdio é uma das principais causas de morte e incapacidade em Portugal. De que forma o conhecimento da sintomatologia e a rápida atuação influenciam a progressão do quadro clínico do doente?
João Brum Silveira (JBS)- Quando uma das artérias coronárias sofre de uma obstrução por um coágulo, a contração do coração deixa de existir e o miocárdio começa a entrar em sofrimento.
Quando há uma obstrução numa das artérias, o doente sente muita dor no peito. No entanto, muitos doentes apresentam aquilo que chamamos ‘sintomas acompanhados’ -enjoos, vómitos, sudorese profusa, fadiga e ansiedade. É importante que o doente saiba identificar estes sintomas e contacte para o 112. Quando é feito esse contacto, a pessoa entra na Via Verde Coronária. O INEM encaminha o doente para o hospital e é feito de imediato o diagnóstico e iniciado o tratamento. Portanto, o enfarte agudo do miocárdio esta dependente do tempo que a artéria coronária está obstruída. Quanto mais tempo passar, maior vai ser a quantidade de musculo do coração (que é o miocardio) que vai ser perdido e mais débil fica o coração.

HN- Segundo o INEM mais de 73% dos casos de enfarte encaminhados para os hospitais em 2021 decorreram em menos de duas horas entre o início dos sintomas e o contacto com o INEM. A evolução do quadro clínico do doente está unicamente dependente da intervenção dos profissionais? Qual o papel do doente?
JBS- Tal como referi há pouco, quanto menor for a quantidade de músculo perdido, maior a probabilidade de sobrevida e de o doente voltar a ter uma vida normal. Portanto, o doente tem de identificar os sintomas o mais rapidamente possível. As recomendações sugerem que, a partir do momento que o doente reconhece os sintomas, deve ser feita a angioplastia primária nos primeiros 120 minutos. O problema é que cerca de 40% dos doentes não reconhece os sintomas do enfarte agudo do miocárdio. Isso atrasa o diagnóstico e o tratamento. Por outro lado, à volta de 30 a 40% das pessoas dirige-se para o hospital pelos seus próprio meios e corre o risco de ir para um que não tenha laboratórios de hemodinâmica… Se o doente entrar na Via Verde Coronária é garantida uma rápida intervenção.

HN- O INEM anunciou recentemente que encaminhou quase 900 casos de enfarte para os hospitais em 2021. Como olha para estes números?
JBS- Gostávamos que fossem encaminhados mais doentes pelo INEM e que deixasse de haver menos pessoas a dirigir-se para os hospitais pelo seu próprio pé. Quem nos deram que 80 a 90% dos doentes com enfarte agudo do miocárdio entrassem pela Via Verde Coronária. Era sinal que os doentes eram tratados mais precocemente e iam ter uma recuperação e sobrevida muito melhor.

HN- Tendo os serviços de emergência médica um papel essencial na sobrevida dos doentes, como olha para os alertas que são feitos sobre a falta de formação dos técnicos responsáveis pelo atendimento destas chamadas de socorro?
JBS- Uma coisa é falar com o doente ao telefone, outra é olhar para a cara do doente. Há pessoas que ligam para estes serviços de emergência médica a acharem que estão a ter um enfarte, mas na verdade não é isso que está a acontecer. Quando os sintomas coincidem com o enfarte o profissional encaminha o doente para o hospital. Mesmo que não se trate de um enfarte, para nós é um sinal positivo de que não perdemos um doente por um enfarte. Portanto, não acredito que haja técnicos mal formados… Há é falta de educação sobre quando é que os doentes devem recorrer às urgências. Qual é a percentagem de falsas urgências que temos nos hospitais? São mais de metade…

HN- Cerca de quatro mil angioplastias primárias para o tratamento de enfarte agudo do miocárdio foram realizadas em 2021. Este aumento de 4,8% face a 2020 é sinal de que há mais doentes em estado grave ou que o receio dos doentes em se dirigirem as urgências desapareceu?
JBS- Estes números revelam que o sistema está a funcionar. Ao contrário daquilo que é dito, o facto de haver mais chamadas ao INEM é sinal de que as pessoas estão mais sensibilizadas para os sinais do enfarte e que estão a entrar meio meio que é o mais correto. Não considero que estes números signifiquem que há mais doentes em estado grave, acredito, sim, que as nossas campanhas estão a dar frutos. O doente que acha que está a ter um enfarte já não se dirige para um hospital privado nem para um hospital que não tem capacidade para o poder tratar, o doente já sabe que tem de ligar para o 112.
Penso que as pessoas começaram a ter, aos poucos, maior confiança no sistema e a perceber que os hospitais estavam bem organizados para receber doentes covid e não covid. Os doentes que não vieram aos hospitais não foi por problemas no sistema. Durante a pandemia, o INEM sempre esteve disponível para tratar os doentes e os centros de angioplastia primária reinventaram-se e adaptaram-se para responder aos doentes.

HN- Grande parte dos doentes tratados são homens com idade acima dos 60 anos. Como se pode prevenir um enfarte agudo do miocárdio?
JBS- Nos doentes que ainda não tiveram enfarte é preciso que seja feito um controlo dos fatores de risco cardiovasculares. Há fatores de risco modificáveis, que são aqueles pelos quais somos responsáveis, nomeadamente o consumo de tabaco, controlo da hipertensão, da diabetes, do sedentarismo e stress. Por outro lado, existem os fatores de risco não modificáveis, que dizem respeito à genética. Há doentes que têm um património genético mais favorável a ter enfarte agudo do miocárdio. A idade e o sexto também são fatores não modificáveis que têm influência na ocorrência de um enfarte, já que é mais frequente no sexo masculino e nas pessoas mais idosas.
Se atuarmos corretamente nos fatores que são modificáveis, conseguimos prevenir o enfarte agudo do miocárdio em mais 80% dos casos.

HN- Todos os anos mais de 12 mil portugueses sofrem um enfarte agudo do miocárdio. O que defende que seja feito para reduzir estes números?
JBS- É preciso que as pessoas têm que adotar hábitos de vida saudáveis – têm que ter cuidado com a alimentação, fazer exercício físico e manter as doenças metabólicas controladas. Enquanto não mudarmos este paradigma, vamos continuar a ver as doenças cardiovasculares como a principal causa de morte nos países desenvolvidos.

Entrevista de Vaishaly Camões

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