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Atualidade

Desinformação e preconceito prejudicam tratamento de doentes obesos

Os intervenientes – António Albuquerque, cirurgião e vice-presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO); Eduardo Lima da Costa, cirurgião e diretor do Centro de Responsabilidade Integrado de Obesidade do Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto; e Marisa Oliveira, presidente da Associação Portuguesa dos Bariátricos (APOBARI) – aproveitaram a oportunidade proporcionada pela Medtronic Portugal – representada nesta sessão pelo diretor-geral Luís Lopes Pereira, que discursou antes dos três convidados – para alertar os jornalistas para o perigo da desinformação espalhada por toda a sociedade, inclusivamente entre os profissionais de saúde.

Essa desinformação não é livre de preconceito, e Eduardo Lima da Costa diz mesmo que a obesidade é “o último preconceito que a sociedade” portuguesa “ainda tolera”. “Nós associamos a obesidade” a um “problema de caráter e de força de vontade, ignorando que há muitas causas que nos conduzem naturalmente a essa situação” e tendemos “a colocar o ónus da responsabilidade sempre no obeso”, lamenta o médico do São João.

Quando os doentes obesos decidem tratar-se recorrendo à cirurgia bariátrica, o preconceito permanece, porque, erradamente, “as pessoas acham que [a cirurgia] é a forma mais fácil de se livrar do problema”, referiu Lima da Costa. Na verdade, “a pessoa que procura uma solução destas é uma pessoa que, para já, é proativa, que decide enfrentar o seu problema com toda a coragem e de frente, que sabe que a cirurgia implica um programa de exercício físico, uma dieta adequada e alterações na forma de lidar com o seu dia a dia e com o seu estilo de vida, e, portanto, temos que valorizar as pessoas que se empenham nesta solução”, defendeu o cirurgião do Norte. Para além disso, continuou, o problema da obesidade tipo 2 e tipo 3 ou da superobesidade só se resolve “de uma forma sustentada” com a cirurgia.

António Albuquerque concordou com o colega e acrescentou que “os doentes, quando chegam à cirurgia, já passaram por um conjunto de medidas de terapêutica não cirúrgica que falharam” – “um dos requisitos para que o doente possa ser operado”.

“Se a pessoa não lutar contra a cirurgia, é suficiente para um controlo ponderal e uma recuperação do seu peso ideal de uma forma relativamente rápida”, explicou Lima da Costa. Trata-se do “tratamento mais eficaz da obesidade”, corroborou António Albuquerque. Mas, apesar dos bons resultados, a obesidade é uma doença crónica, pelo que, depois desta intervenção, os doentes devem continuar a ser acompanhados por uma equipa multidisciplinar. Eduardo Lima da Costa contou que os esforços da sua equipa estão sobretudo no pós-cirurgia, porque os resultados a curto prazo “são quase um dado adquirido” e a manutenção do peso exige “a tal abordagem multidisciplinar, com nutricionistas, psicólogos, pessoas ligadas ao exercício físico” e “endocrinologistas”, por exemplo.

Marisa Oliveira conhece bem a realidade dos doentes obesos que pedem ajuda à APOBARI porque chegou a pesar 140 quilos e fez uma cirurgia bariátrica. Antes da intervenção, o peso impedia-a de aproveitar a vida – “Eu não vivia, eu sobrevivia”, contou. Foi num parque de diversões, com o seu filho, que decidiu mudar: “ele queria andar numa cadeirinha que eu não cabia, e ele tinha que andar acompanhado porque era pequeno, e foi o clique”. A também assistente social sabe que o tratamento “não é nada fácil”, mas garante que “os resultados superam todas as dificuldades”.

A experiência positiva da presidente da APOBARI não é um caso raro. “A maior parte dos doentes dizem: ‘se eu soubesse, já tinha feito isto há mais tempo’”, relatou o vice-presidente da SPEO.

“Muitas vezes a obesidade não é encarada como uma doença”

No webinar, António Albuquerque lamentou que a obesidade nem sempre seja encarada como uma doença, o que dificulta o tratamento. Para o cirurgião, a falta de seriedade reflete-se na inexistência de uma consulta de especialidade nos cuidados de saúde primários e no número insuficiente de profissionais de saúde envolvidos no tratamento, tanto nos centros de saúde como nos hospitais.

Outra falha sinalizada pelo médico prende-se com a farmacologia e os doentes mais carenciados. Os três medicamentos disponíveis em Portugal para tratar a obesidade não são comparticipados, portanto não chegam a todos aqueles que deles necessitam, e nesses casos, os doentes “vão continuar a aumentar de peso, vão continuar a agravar as suas classes de obesidade, e depois, muitas vezes, resta só a cirurgia”, criticou.

No campo da prevenção, ambos os médicos reconheceram que os decisores políticos têm implementado medidas importantes e frisaram a relevância da alimentação saudável e da prática de exercício físico. Contudo, António Albuquerque observou que os passos dados na prevenção “continuam a ser insuficientes”, em Portugal e no mundo, para combater a pandemia da obesidade. O combate “deve ser desenvolvido em várias frentes, não só mobilizando os profissionais de saúde, mas também os decisores políticos” e “a sociedade em geral”, sublinhou.

Meios para vencer o combate não faltam, segundo Eduardo Lima da Costa: “Se há mensagem que eu gostaria de passar é que nós, neste momento, temos armas mais do que suficientes para, de uma forma multidisciplinar, controlar o problema da obesidade”. Para o médico do São João, a obesidade deve ser entendida como uma “doença crónica que tem de ser acompanhada e controlada, mas que é perfeitamente passível de solução”; “não é nenhum bicho papão” e “é uma consequência normal da evolução da nossa espécie para uma sociedade moderna como a que nós temos agora”.

Ontem assinalou-se o Dia Mundial da Obesidade, um dos maiores problemas de saúde pública que o mundo enfrenta. Há 800 milhões de doentes obesos.

HN/Rita Antunes

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