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Inglês foi a primeira vítima da Covid-19 em Cabo Verde e permanece sepultado provisoriamente

“O corpo foi sepultado aqui na ilha, foi um momento de espanto, era o primeiro caso, uma situação inédita também no contágio”, explicou à Lusa o presidente da Câmara Municipal da Boa Vista, Cláudio Mendonça, após visitar o cemitério do município.

Andrew Forster, 62 anos, estava de férias na Boa Vista quando em 19 de março de 2020 foi diagnosticado com Covid-19. Foi o primeiro caso da doença em Cabo Verde e quatro dias depois, já hospitalizado e segundo os médicos também com outras complicações de saúde, foi também oficialmente a primeira vítima da doença, conforme anúncio do Governo ao país.

O enterro deu-se rapidamente, de forma provisória, face às dúvidas que então se registavam sobre a transmissão da Covid-19. Foi enterrado sem identificação fora da zona principal do cemitério de Sal Rei, arredores do centro da cidade, onde ainda hoje permanece.

À Lusa, o autarca da Boa Vista explicou que foi por iniciativa dos serviços municipais, que gerem o cemitério, que recentemente foi colocada a identificação na campa do cidadão inglês, que permanecia praticamente incógnita até então.

“A família ainda não contactou a Câmara Municipal para saber da sepultura nem das perspetivas com as ossadas, e outras coisas que podem acontecer. No entanto, estaremos aqui para poder dar todo o apoio necessário”, garantiu Cláudio Mendonça, recordando aquele caso, que em 19 de março de 2020 rapidamente levou o Governo a isolar a Boa Vista, sem ligações aéreas e marítimas, para conter a transmissão da doença.

“Acabou por confinar toda a população naquela altura com medo do contágio. Foi um momento de muito pânico”, explicou o autarca.

Sobre o inglês, pouco se sabe na Boa Vista, além da data de nascimento, 12 de março de 1958, inscrita agora na sepultura, sendo um dos quatro que desde o início da pandemia morreu de Covid-19 na ilha, entre mais de 1.300 infetados com a doença localmente.

Elton da Luz era um dos poucos médicos da Boa Vista na altura e desde janeiro de 2021 que é também o delegado de saúde da ilha. Recordou à Lusa que na altura “tudo ainda era novo” sobre o contágio da doença e por isso foi tomada uma rápida decisão sobre os restos mortais do cidadão inglês: “devia ser feito o enterro aqui”.

Ainda assim, admite que no futuro, os restos mortais “podem ser exumados”, se a família assim o pretender.

Cabo Verde confirmou em 19 de março de 2020 o primeiro caso de Covid-19 no arquipélago, seguindo-se um outro turista inglês e um holandês, todos contactos próximos. Rapidamente o Governo colocou então a ilha em quarentena, isolada de todas as outras, enviando militares e equipas médicas, e obrigando a população a ficar em casa.

Elton da Luz conta que dois anos depois muita coisa mudou na Boa Vista, a segunda mais turística de Cabo Verde, de onde os turistas praticamente desapareceram devido à pandemia, até à retoma, em outubro último.

“Um dos impactos positivos, pode dizer-se, dessa doença, é que a ilha saiu reforçada”, afirma o médico e delegado de saúde da Boa Vista.

“Recebemos mais médicos, recebemos mais enfermeiros. A nível de recursos materiais melhorou bastante, a capacidade de resposta sanitária da ilha aumentou, foi criado o nosso laboratório de virologia, criamos um novo centro de cuidados intensivos para dar resposta a pacientes graves, os nossos laboratórios forçam reforçados e os meios humanos”, acrescentou.

Hoje, para uma população de cerca de 20 mil pessoas, a ilha conta com cinco ventiladores, 17 enfermeiros e oito médicos.

Elton da Luz recorda que há dois anos viveu “uma mistura de sentimentos difícil de descrever”, desde logo pela “insegurança entre os profissionais de saúde”, na altura pouco mais de uma dezena.

“Quando nos tocou viver pessoalmente essa doença foi um impacto muito forte”, recordou.

Mas foi também um momento de “desafio”, que provocou um “engajamento forte” destes profissionais, rapidamente reforçados com a chegada de médicos intensivistas, enfermeiros e outros profissionais, de outras ilhas, para “dar resposta” à doença.

Ainda com centenas de turistas estrangeiros nos hotéis, em confinamento, logo após o primeiro caso, seguiram-se semanas de “um trabalho forte no terreno”, na busca dos contactos dos doentes que todos os dias aumentavam.

Dois anos depois, Elton da Luz está consciente que já muito se sabe sobre a doença e admite que o pior já passou, mas não esquece o momento mais delicado da pandemia, logo no início.

“Foi trabalhar nos centros de isolamentos. Muitos pacientes, muito stress, foram dias muito esgotantes, foram os piores dias. Era trabalhar 24 sobre 24 horas, havia que dar o máximo para combater esta doença”, desabafou.

Em praticamente dois anos de pandemia, Cabo Verde registou mais de 55.900 casos de Covid-19 e mais de 400 mortes por complicações associadas à doença.

LUSA/HN

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