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Atualidade

Pandemia com impacto reduzido na mortalidade

“A mortalidade por todas as causas encontra-se dentro dos valores esperados para a época do ano, o que indica um reduzido impacto da pandemia na mortalidade”, refere o documento da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) que substituiu o relatório das “linhas vermelhas” que foi divulgado nas últimas 50 semanas.

A DGS justifica esta alteração com a “redução da gravidade e impacto da pandemia, assim como pela necessidade de adaptação dos anteriores indicadores a uma fase onde as revisões das medidas de controlo da pandemia não se preveem tão frequentes”.

De acordo com o novo relatório, a mortalidade específica por covid-19 estava, na última segunda-feira, nos 27,7 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, o que corresponde a uma diminuição de 20% relativamente ao período anterior (34,6 mortes).

Apesar desta redução, o valor de 27,7 óbitos é ainda superior ao limiar de 20 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) e que constitui uma das referências determinadas pelo Governo para o país passar para um nível sem restrições de controlo da pandemia.

O documento refere ainda que a razão entre o número de pessoas internadas em enfermaria e de infetadas pelo SARS-CoV-2 foi de 0,15 com tendência crescente, um valor que é inferior ao registado em anteriores ondas da pandemia, o que indica uma “menor gravidade da infeção do que a observada anteriormente”.

A DGS adianta também que se registou uma estabilização da ocupação hospitalar por doentes de covid-19 em 1.140 pessoas internadas, menos 7% do que na semana anterior, com a faixa etária dos idosos com mais de 80 anos a ser aquela com maior número de hospitalizações.

Relativamente aos cuidados intensivos, o relatório da DGS e do INSA indica que, na segunda-feira, estavam nestas unidades 66 doentes, o que corresponde a 26% do limiar definido como crítico de 255 camas ocupadas, quando na semana anterior era de 31%.

“O número de doentes internados em unidades de cuidados intensivos mantém uma tendência decrescente”, com os hospitais do Centro, do Norte e do Alentejo a apresentarem maior ocupação, “mas ainda distantes do seu nível de alerta”, avança o documento.

A proporção de testes positivos para SARS-CoV-2 registada entre 08 e 14 de março foi de 22,2%, valor que se encontra acima do limiar dos 4%.

A frequência da linhagem BA.2 da variante Ómicron, considerada mais transmissível, é agora de 82%, sendo “claramente dominante em Portugal”, enquanto a linhagem BA.1 apresenta uma prevalência de apenas 18%, com tendência decrescente.

Relativamente à ocorrência de mortes por covid-19, tendo em conta o estado vacinal, registaram-se, entre 01 e 28 de fevereiro, 245 óbitos (23%) em pessoas não vacinadas, 28 (3%) em pessoas com vacinação incompleta, 280 (27%) em pessoas com esquema vacinal completo contra a covid-19 e 490 (47%) em pessoas com dose de reforço.

“O risco de morte para os casos diagnosticados em fevereiro, medido através da letalidade, por estado vacinal, foi uma a duas vezes menor nas pessoas com vacinação completa em relação às pessoas não vacinadas ou com esquema incompleto”, avança o relatório.

De acordo com os dados da DGS e do INSA, na população com 80 e mais anos, a dose de reforço “reduz o risco de morte por covid-19 quase três vezes em relação a quem tem o esquema vacinal completo e reduz em seis vezes o risco de morte em relação aos não vacinados ou com esquema incompleto”.

Da análise dos diferentes indicadores, a “epidemia de covid-19 mantém uma transmissibilidade muito elevada, com tendência estável”, adianta o documento, que considera ainda que o “sistema apresenta capacidade de acomodar um aumento de procura por doentes com covid-19, que pode vir a acontecer nos próximos dias dado o aumento do número de casos na população acima dos 65 anos”.

“Deve ser mantida a vigilância da situação epidemiológica da covid-19 e recomenda-se a manutenção das medidas de proteção individual nos grupos de maior risco e a vacinação de reforço”, salientam a DGS e o INSA.

O relatório de monitorização da situação epidemiológica continuará a ser atualizado, quer com a inclusão de novos indicadores, de modo a medir outras componentes da pandemia, quer com a adaptação dos indicadores já existentes, sempre que se justificar, em função da evolução da covid-19, adianta ainda a DGS.

A covid-19 provocou pelo menos 6.011.769 mortos em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

A doença é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron, que se dissemina e sofre mutações rapidamente, tornou-se dominante no mundo desde que foi detetada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul.

LUSA/HN

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