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Especialistas abordam DPOC, doenças cardiovasculares e doença renal crónica a partir de caso clínico

A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) está subdiagnosticada, mas tem “grande impacto na mortalidade, sendo que se estima que (…) será a terceira causa de morte mundial”, alertou a médica de família Cláudia Vicente.

Depois do diagnóstico de DPOC, que implica analisar sintomas, fatores de risco e confirmação pela espirometria, faz-se uma gradação do doente no que diz respeito ao nível de obstrução e uma classificação segundo as guidelines internacionais GOLD em A, B, C ou D, explicou Claúdia Vicente.

“Na patologia respiratória, nós sabemos que há uma desvalorização dos sintomas, porque há uma tolerância progressiva. (…) existe este awareness para a mortalidade e para o risco cardiovascular, mas muitas vezes não existe este impacto da informação no doente com DPOC”, segundo a médica. Contudo, sabe-se que “uma agudização tem um impacto enorme na doença, na progressão da doença e, depois de uma agudização, um doente com DPOC nunca mais recupera o seu status prévio”.

De acordo com as GOLD, a agudização da DPOC – intensificação dos sintomas respiratórios – pode ser precipitada por vários fatores: “A principal causa são as infeções víricas, principalmente rinovírus, e também por isso é que é tão importante abordarmos estes doentes na altura do outono com a vacinação antigripal e percebermos se eles têm a vacinação pneumocócica feita. Sabemos que também podem ser infeções bacterianas ou infeções fúngicas e, quando isto acontece, temos doentes que, por norma, têm uma função pulmonar mais deteriorada”, aclarou a especialista.

“A instalação é aguda (sete a dez dias), com agravamento da dispneia, e sabemos que estas agudizações requerem uma terapêutica adicional à sua terapêutica de base, que nós pretendemos que seja em primeiro lugar inalatória, com broncodilatação de curta duração de ação, seja um SABA ou SAMA, e, se houver necessidade, que seja feito o recurso a um corticosteroide oral, por exemplo a prednisolona, e também com recurso a antibiótico quando cursam com infeção no mesmo momento”, prosseguiu.

Depois da agudização, os médicos têm de reavaliar o doente e evitar a próxima, sendo que o principal fator de risco para uma agudização é ter ocorrido uma prévia. As agudizações ligeiras tratam-se apenas com broncodilatadores de curta duração de ação; as moderadas exigem o recurso a corticosteroides orais e/ou antibióticos e tratam-se no domicílio; e as graves levam ao internamento hospitalar. “Os doentes mais graves e que agudizam mais têm uma maior mortalidade”, informou a médica.

Como os hospitais e os centros de referência nem sempre conseguem dar resposta, é necessário procurar recursos locais. Fisioterapeutas, enfermeiros e projetos de investigação são algumas das opções e, ao mesmo tempo, deve-se promover a atividade física dos doentes.

Os corticosteroides inalados estão indicados sobretudo nos doentes agudizadores, que têm pelo menos duas exacerbações moderadas ou uma grave por ano. “(…) se o doente tem uma agudização moderada, este perfil não vai mudar. É um doente que muito provavelmente (…) vai agudizar novamente”, advertiu a médica.

Também é preciso conhecer o nível de eosinófilos, sendo que “o doente que tem mais de 300 eosinófilos é um doente que beneficia ao fazer a corticoterapia inalada”.

A conferência também contou com a participação do cardiologista Carlos Aguiar, que relacionou a DPOC com as doenças cardiovasculares e a doença renal crónica.

O médico começou por dizer que “é muito comum haver DPOC em pessoas com patologia cardiovascular porque há partilha de fatores de risco, em particular o caso do tabagismo”.

O principal objetivo terapêutico na prevenção secundária das doenças cardiovasculares – a principal causa de morte no mundo – “é recuperar tempo de vida perdido”, ou seja, “tentar devolver anos de vida ao doente”, enquanto a prevenção primária consiste em selecionar os indivíduos em alto risco, protegê-los e impedir eventos cardiovasculares.

Após um enfarte agudo do miocárdio, é preciso “controlar o risco aterosclerótico”, “reduzir a tendência trombótica” e “proteger o que resta do capital muscular”. Mas, atenção, há outras medidas importantes que escapam ao cardiologista, como a prevenção da gripe.

“Há uma relação muito importante entre a DPOC e a cardiopatia isquémica, mas também com a insuficiência cardíaca. A DPOC claramente aumenta o risco de morte por problemas cardiovasculares, e, em concreto, enfartes, mas também por insuficiência cardíaca. E é nesse sentido que, havendo uma terapêutica que possa reduzir a mortalidade em doentes com DPOC e doentes que sejam elegíveis para essa terapêutica (…), isso vai ser crucial para o sucesso de tudo o que se possa fazer para o doente, e não o fazer é deixar tempo de vida por devolver ao doente”, alertou o cardiologista.

A doença renal crónica aumenta entre 20 e 30 vezes o risco de morte por problemas cardiovasculares. O médico mostrou-se preocupado com o aumento da prevalência global desta condição, cujas causas dominantes são a hipertensão arterial e a diabetes, bem como com o aumento da mortalidade e do número de doentes a entrar em técnicas dialíticas. Para terminar, o especialista falou de terapêutica: “Durante muitos anos, a inibição da renina-angiotensina-aldosterona era a única terapêutica eficaz para atrasar o declínio da função”, recordou. “Face a resultados promissores nos ensaios clínicos cardiovasculares em diabéticos, a inibição à SGLT2 passou para a arena de doença renal crónica, para ser avaliada a sua capacidade de proteção renal, e em doentes mais crónicos a dapagliflozina é hoje o primeiro fármaco a mostrar redução do risco de insuficiência renal, a reduzir o risco também de morte cardiovascular ou internamento por insuficiência cardíaca e a prolongar a esperança de vida, independentemente da presença de diabetes ou de insuficiência cardíaca”, rematou.

HN/Rita Antunes

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