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Mais de 30 crianças refugiadas já foram observadas no Hospital D. Estefânia

Desde que abriu em 21 de março, a consulta tem recebido uma média de 10 a 15 chamadas diárias, através da linha de apoio (967 059 865), e já assistiu cerca de 33 crianças, disse à agência Lusa a pediatra Rosário Perry da Câmara, adiantando que já há marcações até ao final do mês.

A consulta surgiu de um apelo feito pelo diretor da área de Pediatria Médica do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, Gonçalo Cordeiro Ferreira, aos pediatras do hospital e “teve uma resposta unânime”.

Na realidade já existia uma consulta de apoio a crianças refugiadas, por exemplo do Afeganistão, do Paquistão e da África subsaariana, mas “perante a necessidade aguda da guerra da Ucrânia foi criada mais esta consulta”.

Rosário Perry da Câmara, juntamente com as pediatras Rita Coelho e Joana Faustino, começaram a organizar uma escala e um guião de consulta em que todos participam de uma forma voluntária fora do horário de trabalho.

A consulta funciona da parte da tarde e têm sido observadas três a quatro crianças por dia. “Este número pode parecer pouco, mas como a consulta necessita muitas vezes da presença de um tradutor demora muito tempo”, explicou.

A tradução é feita por médicos ucranianos, disponibilizados pela Ordem dos Médicos, que estão presentes na consulta e que também traduzem relatórios de exames médicos e de outros registos trazidos pelos pais sobretudo de crianças com doença crónica.

Até à data ainda não houve nenhuma situação de internamento ou casos de crianças em estado crítico ou com falta de medicação, sendo a maioria dos casos de crianças com doença crónica que têm ser acompanhadas no Serviço Nacional de Saúde para continuar o tratamento.

O “exemplo mais extremo”, contou a médica, foi a de uma criança que tinha uma fratura na perna e teve que retirar o gesso para realizar a viagem para Portugal e quando chegou teve que o colocar novamente porque a fratura tinha piorado.

“Algumas crianças também chegam um pouco desestabilizadas à consulta”, disse, dando o exemplo de uma criança que até já estava integrada na escola, mas a barreira linguística gerou “muito choro e muita recusa em ir à escola”.

Rosário Perry da Câmara disse que já o guião da consulta e toda a metodologia já foram transmitidos a outros centros hospitalares, como em Coimbra e no Porto, para que sejam replicados.

Em declarações à Lusa, o pediatra Gonçalo Cordeiro Ferreira afirmou que esta consulta “não é para ficar para sempre, mas para ajudar nesta fase imediata da chegada destas crianças”.

O objetivo é apoiar crianças que estavam a ser seguidas nas suas consultas de saúde normais, bebés que chegam e que têm que mudar, por exemplo, a alimentação, os leites, e crianças com doenças crónicas e cujo tratamento podia ser interrompido por falta de medicação.

“Tínhamos que dar uma resposta muito rápida, que não se compadece com burocracias, nem inclusivamente com a perda dessas crianças nos serviços de urgência que estão sobrecarregados”, disse, acrescentando que também é uma forma de dizer a estas famílias que podem contar com os profissionais e com o sistema de saúde português.

“Com tanta vicissitude que lhes aconteceu poderem ter um sítio onde podem ir com facilidade sem muita burocracia, pelo menos, ajuda alguma coisa”, sustentou.

Gonçalo Cordeiro Ferreira observou que muitas destas famílias querem voltar à Ucrânia, sendo por isso necessário “pensar muito bem” como vão ser integradas durante o período que estão em Portugal.

“As crianças com doença crónica podem ser referenciadas para as consultas de subespecialidade, as outras vão ter de ser integradas nos cuidados de saúde primários pelo menos por algum tempo”, explicou.

Sobre a adesão dos profissionais ao apelo, afirmou que “a ideia qualquer um pode tê-la. O que conta aqui é a forma como se consubstanciou esta ideia e as pessoas foram extraordinárias, rapidamente quiseram fazê-lo, organizaram-se e a organização é toda deste grupo de internos e assistentes que adotaram este esquema”, vincou.

“Mas não quero que isto seja visto como o grupinho de médicos do Hospital Dona Estefânia ou de um diretor, o que quer que seja, isto é um conjunto enorme de profissionais de saúde que se mobilizaram para este fim”, rematou.

NR/HN/LUSA

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