Atualidade

Tomada de decisão clínica suportada na evidência

Fátima Mendes Marques
Professora Adjunta
Escola Superior de Enfermagem de Lisboa

O mundo em transformação constante tem delineado cenários cada vez mais incertos, instáveis e desinquietos, pondo à prova a capacidade de tomada de decisão dos indivíduos. Eco de um mundo globalizado onde os progressos tecnológicos se exprimem, entre múltiplos aspetos, numa rápida e mutante informação, impondo uma tomada de decisão adaptável, eficaz e eficiente.

A tomada de decisão pode ser apreciada como uma função cognitiva essencial para uma interação adequada da pessoa com o seu contexto social. Nesta escolha racional do processo de tomada de decisão, espera-se que um indivíduo, quando submetido a um processo de escolha entre várias alternativas, selecione a que lhe proporciona a maior satisfação possível, ou a combinação que tenda no melhor resultado. Além da capacidade de raciocínio e de decisão, a pessoa que toma a decisão necessita de estratégias lógicas para conseguir inferir uma resposta adequada, auxiliada por mecanismos de raciocínio, tais como memória e atenção. Não obstante a componente racional, a emoção e o sentimento atuam no raciocínio e essa intervenção é geralmente benéfica. O estímulo emocional pode atuar fora do radar da consciência, produzir alterações da memória, da atenção e do raciocínio de modo que os mecanismos de decisão sejam influenciados no sentido de preferir a escolha que levará ao melhor dos efeitos dado a experiência anterior. Alguns estudos referem a utilização da intuição como elemento determinador na tomada de decisão. A intuição surge como que uma atração por determinadas sugestões em detrimento de outras, devido à nossa consciência da situação.

Nos cuidados de saúde, a tomada de decisão clínica é o termo utilizado para descrever as tomadas de decisão em contexto clínico. Em Enfermagem, surge como a aplicação de padrões distintos de pensamento e análise dos dados em questão, juntamente com outras variáveis que o enfermeiro utiliza para fazer julgamentos sobre os cuidados que presta. O processo de cuidar, inerente à intervenção do enfermeiro, presume a detenção de competências de tomada de decisão que deem uma resposta adequada aos problemas de saúde da pessoa, família e comunidade ao seu cuidado. Em vários estudos sobre a tomada de decisão em enfermagem constatou-se que as tomadas de decisão dos enfermeiros estão diretamente relacionadas com os diagnósticos de enfermagem, com as intervenções de enfermagem e seus resultados na pessoa ou grupo cuidados.

A tomada de decisão é uma competência fundamental ao desempenho clínico dos enfermeiros compreendendo uma avaliação global da situação de cuidados e a seleção do melhor curso da ação. Tomar decisões em enfermagem, indica que além de saber porque uma intervenção é necessária e como fazê-la competentemente, os enfermeiros têm uma responsabilidade profissional de fundamentar, explicar e defender o julgamento e decisões tomadas. A capacidade de tomada de decisão clínica indica um processo mental complexo, em que os dados são recolhidos, interpretados e avaliados a fim de eleger a ação mais adequada, sustentada em evidência científica.

A prática baseada em evidência é uma abordagem que agrupa o conhecimento recente sobre um fenómeno com a experiência clínica permitindo uma tomada de decisão clínica efetiva e com maior segurança. A tomada de decisão clínica, como processo de avaliação e seleção das melhores intervenções que permita atingir os resultados desejados em contexto clínico, deve ser regulada por princípios científicos, com conhecimentos de elevados níveis de evidência e que promovam cuidados de excelência.

A integração crítica de evidências de pesquisa com informações sobre preferências da pessoa alvo dos cuidados, experiência clínica, contexto clínico e recursos para decisões garante a segurança da tomada de decisão dos diversos atores sociais envolvidos nos serviços de saúde. A procura pela melhor e mais atual evidência científica tem como objetivo uma otimização do atendimento dos serviços de saúde, dos resultados clínicos, bem como a diminuição de resultados adversos, da mortalidade das pessoas cuidadas e da taxa de internamento, resultando na minoração de custos.

É indispensável para a concretização da Enfermagem como ciência, que se demonstre a capacidade de tomar decisões e prescrever ações de enfermagem através das quais ocorram respostas específicas da pessoa cuidada. Na complexidade que constitui os cuidados de enfermagem à pessoa, família, comunidade, a tomada de decisão e o julgamento clínico devem traduzir uma rutura com paradigmas anteriores e criar novos modelos de uma prática baseada na evidência.

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