Saúde e bem-estar

A síndrome VEXAS recentemente descoberta está a ser identificada em Portugal

Os médicos assumem preocupação relativamente à síndrome VEXAS (Vacuoles, E1 enzyme, X-linked, autoinflammatory, somatic).

Trata-se de “uma doença rara, que para além de alterar muito a qualidade de vida, também faz com que os doentes vivam menos”, adianta à Renascença Raquel Faria, coordenadora da consulta de sindromes auto-inflamatórios, no Hospital de Santo António, no Porto.

VEXAS é uma doença genética, não hereditária, que “afeta homens e mulheres a partir dos 40 anos”, mas predomina nos homens com mais de 50 anos, refere a médica.

Em Portugal, diagnosticaram-se pelo menos dez doentes com VEXAS e dois morreram, de acordo com os dados divulgados no jornal Público.

Raquel Faria explica que “qualquer especialidade pode identificar estes doentes, porque podem aparecer ou com inflamação ocular, com surdez súbita, alterações pulmonares ou na pele”.

A médica de medicina interna fala da importância em divulgar esta doença que ao que parece “não é assim tão rara, já que em homens com mais de 50 anos pode acontecer um em cada quatro mil”.

Os médicos do Hospital Santo António estão já a desenvolver um teste para diagnosticar a doença.

Homens mais velhos com uma nova síndrome autoinflamatória grave de início na idade adulta, conhecida pela sigla VEXAS, provavelmente estão sendo seguidos com diagnóstico incerto ou incorreto por reumatologistas, dermatologistas e hematologistas.

Recentemente descrita, a síndrome foi publicada em artigo no New England Journal of Medicine no final de 2020.

VEXAS é frequentemente diagnosticada como policondrite recidivante refratária ao tratamento, poliarterite nodosa, síndrome de Sweet ou arterite de células gigantes.

O que significa VEXAS?

V ACÚOLOS
E ZIMA E1
X LIGADA AO X
A UTOINFLAMATÓRIA
S ÍNDROME SOMÁTICA

Foram analisados os exomas e genomas de 1.477 pessoas encaminhadas por febre recorrente não-diagnosticada, inflamação sistêmica ou ambas e 1.083 pessoas afetadas por distúrbios atípicos, não-classificados através de um programa de doenças não-diagnosticadas.

Foram identificados 25 homens com mutações somáticas que afetam a metionina-41 no gene UBA1 (cromossomo X), a principal enzima E1 que inicia a ubiquitinação.

A ubiquitina é uma proteína encontrada nas células eucariotas constituída por 76 aminoácidos que desempenha função importante na regulação de proteínas, marcando proteínas indesejadas para que sejam degradadas por um complexo multiproteico denominado proteassomo.

Em tais pacientes, um quadro inflamatório refratário ao tratamento, muitas vezes fatal, desenvolveu-se no final da idade adulta, com febres, citopenias, vacúolos característicos em células precursoras mieloides e eritroides, medula óssea displásica, inflamações neutrofílicas cutânea e pulmonar, condrite e vasculite.

A maioria desses 25 pacientes preenchiam critérios clínicos para uma síndrome inflamatória (policondrite recidivante, síndrome de Sweet, poliarterite nodosa ou arterite de células gigantes) ou uma condição hematológica (síndrome mielodisplásica ou mieloma múltiplo) ou ambas.

Nesta série original de 25 homens, 15 haviam sido diagnosticados com policondrite recidivante, 8 com síndrome de Sweet, 3 com poliarterite nodosa e 1 com arterite de células gigantes.

A VEXAS parece limitada principalmente aos homens porque o gene UBA1 está localizado no cromossomo X.

A maioria das doenças autoinflamatórias aparecem na infância porque se originam de mutações na linha germinativa.

Já a VEXAS, por conta de mutações somáticas com mosaicismo, parece se manifestar mais tarde na vida: idade média 64 anos (45-80 anos).

Dos 25 participantes, 10 (40%) foram a óbito por causas relacionadas à doença (insuficiência respiratória ou anemia progressiva) ou complicações relacionadas ao tratamento.

Take-home messages

VEXAS é uma síndrome autoinflamatória, de início na vida adulta, recentemente descrita, com elevada mortalidade.

Considerar a possibilidade de VEXAS em homens de meia-idade ou mais velhos que se apresentem com características sugestivas de policondrite recidivante refratária ao tratamento, arterite de células gigantes, poliarterite nodosa ou síndrome de Sweet.

Referências

Beck DB et al. N Engl J Med. 2020;383(27):2628-38. doi: 10.1056/NEJMoa2026834.

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