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Salário dos médicos é “incompatível” com “elevado grau de diferenciação e responsabilidade”, diz novo bastonário

O novo bastonário da Ordem dos Médicos considera que o setor da “evidencia uma balanço preocupante”, com um Serviço Nacional de Saúde muito focado nas urgências e deixando de lado a aposta nos cuidados de saúde primários. Carlos Cortes apelidou ainda a carreira médica de “anacrónica e desvalorizada” e diz que os salários dos médicos são incompatíveis com “o elevado grau de diferenciação e responsabilidade”.

“Cabe-nos ter a consciência clara do momento presente. A realidade do setor da saúde evidencia uma balanço preocupante que nos é impossível ignorar”, disse Carlos Cortes, durante a cerimónia de tomada de posse como novo bastonário da Ordem dos Médicos, em Lisboa.

No seu discurso, o médico alertou que o “Serviço Nacional de Saúde afunda-se sob um sistema que assenta grande parte da sua resposta num serviço de urgência hospitalar em dificuldades”, alertando para a necessidade de apostar nos cuidados de saúde primários, na prevenção da doença e na literacia em saúde.

Fazendo alusão a um estudo da OCDE, que aponta que dos mais de seis milhões de episódios de urgência em Portugal, 44,4% foram classificados como não-urgentes, Carlos Cortes alerta ainda para “o grau de “urgencialização” de todo o sistema de saúde” e sublinha que as listas de espera para cirurgia e consultas “crescem exponencialmente” devido à “insuficiência de recursos humanos”, mas também “por falta de salas de bloco operatório ou de gabinetes de consulta”.

Ainda sobre a carência de profissionais, lamenta que não haja “nenhum levantamento das necessidades e insuficiências” que permita um planeamento e diz que se mantém “o princípio arcaico da navegação à vista, sem qualquer perspetiva de médio ou longo prazo, ou sequer além de um mandato eleitoral”.

O novo bastonário critica ainda a atual carreira médica, que apelida de “anacrónica e desvalorizada” e diz que os salários dos médicos são incompatíveis “com o seu elevado grau de diferenciação e responsabilidade”. Além disso, alertou ainda para outros temas que apesar de não diretamente estão ligados à saúde, como as alterações climáticas, discriminações de género, de raça ou de orientação sexual. “Temos de estar atentos a todos os fatores que nos rodeiam, sociais, económicos, culturais, ambientais”, afirmou.

Ainda assim, Carlos Cortes acredita que ainda há esperança na mudança. “Hoje, como ontem, temos de olhar daqui para novos horizontes e fronteiras redesenhadas mantendo o enfoque na qualidade da Saúde, na defesa dos doentes e na defesa dos médicos para a construção de um mundo melhor”, afirmou.

Nascido em Lisboa, Carlos Cortes formou-se em Medicina em Coimbra, tendo-se especializado em Patologia Clínica em 2006. Além disso, o médico de 53 anos, tem subespecialidade em Microbiologia Médica desde 2020 e uma pós-graduação em gestão e direção em Saúde e de Ética em Saúde. Atualmente é médico no Centro Hospitalar Médio Tejo e era até agora presidente da secção regional do Centro da Ordem dos Médicos. Há cerca de um mês, foi eleito bastonário da Ordem dos Médicos, numa eleição onde recolheu 11.176 votos (57,8% do total de 19.312 votos).

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