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Medicina tradicional moçambicana quer ser “alternativa de baixo custo” às limitações do sistema de saúde

A medicina tradicional moçambicana quer tornar-se numa alternativa de baixo custo à convencional, apoiando o Sistema Nacional de Saúde numa altura em que o setor vive em greves consecutivas, mas estes especialistas pedem investimento em investigação.

“A medicina tradicional aparece de facto como alternativa e agora acho que vai avançar porque fomos abraçados pelo Ministério da Saúde”, declarou, em entrevista à Lusa, o presidente da Associação Moçambicana de Distribuidores de Produtos Naturais (Amodit), Félix Muchanga, observando, no entanto, que a intenção não é substituir a medicina convencional, mas sim complementá-la.

Num momento em que as limitações estruturais do Sistema Nacional de Saúde vêm à ribalta, com protestos dos profissionais de saúde, que pedem, entre outros aspetos, investimentos em medicamentos, a Amodit, que está a mostrar o potencial do setor na semana de medicina tradicional africana, em Maputo, até 31 de agosto, considera ideal um reforço na aposta nesta área, sublinhando, pelo menos, duas vantagens.

“Primeiro, a medicina tradicional vai ao encontro do povoado, sem exigências de muitos valores no que diz respeito ao transporte e etc. O outro aspeto é que é uma medicina de baixo custo”, declarou o presidente da Amodit.

No total, até 2022, a Amodit, criada em 2014, contava com perto de 30 mil pequenos distribuidores de medicamentos e suplementos baseados em plantas e raízes, um número que, para organização, revela a importância do setor, que, entretanto, enfrenta ainda o desafio no que diz respeito a investimentos.

“Temos sonhos e gostaríamos até de reproduzir as nossas plantas e raízes, desde que os respetivos ministérios concedessem espaço e nos auxiliassem, porque de facto este sonho precisa de apoio e investimento”, observou Félix Muchanga, lembrando que, após a independência (1975), a medicina tradicional foi a que evitou um “colapso total” na saúde pública face a limitações no número de recursos humanos e financeiros.

Com uma flora rica, típica de países tropicais, a medicina tradicional moçambicana pode ser entendida como o conjunto de conhecimentos sobre a função medicinal de raízes, plantas e outros elementos da natureza, experiência passadas de geração para geração, principalmente no meio rural.

Em declarações à Lusa, a especialista em medicina tradicional Marta Ussaca notou um aumento no número de pessoas que procuram a medicina tradicional, embora o conhecimento sobre as vantagens de recorrer a “produtos totalmente naturais” para combater doenças sejam ainda desconhecidas.

“No tempo da covid-19, por exemplo, muita gente sofreu desnecessariamente. Nós tínhamos suplementos para reforçar a imunidade”, declarou a especialista, frisando também que, face aos problemas que o sistema de saúde hoje atravessa, a medicina tradicional aparece também como uma opção complementar.

O Sistema Nacional de Saúde moçambicano enfrentou, nas últimas semanas, uma crise provocada por greves de diversos setores, convocadas, primeiro, pela Associação Médica de Moçambique (AMM), contra cortes salariais e falta de pagamento de horas extraordinárias, e depois pela Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), que exige melhores condições de trabalho também para outros profissionais.

Entre outros aspetos, os profissionais de saúde exigem que o Governo garanta medicamentos aos hospitais, que têm, em alguns casos, de ser adquiridos pelos pacientes, a aquisição de camas hospitalares, a resolução do problema da “falta de alimentação” nas unidades de saúde, bem como equipar ambulâncias com materiais de emergência para suporte rápido de vida ou de equipamentos de proteção individual não descartável, cuja falta de fornecimento vai “obrigando os funcionários a comprarem do seu próprio bolso”.

A AMM anunciou na quarta-feira a interrupção da greve em curso desde 10 de julho para dar espaço às conversações com o Governo, mas a APSUSM, que abrange cerca de 65.000 técnicos, serventes e enfermeiros, continua com a paralisação.

LUSA/HN

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