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Encontro ACES Matosinhos. “Desafios na Saúde”

Quais são as mais-valias do modelo de organização das ULS nos cuidados de saúde primários?
No que diz respeito à nossa perceção, estando numa ULS que foi a primeira a ser criada, esta permite-nos uma maior proximidade na integração entre cuidados, os primários e os hospitalares. Esta continuidade permite que trabalhemos integrando as respostas aos nossos doentes de uma forma mais clara, dividindo melhor as tarefas entre nós e os colegas do hospital, não havendo qualquer barreira de contacto.

 

Devido à atual situação política, receia que o modelo de ULS não venha a expandir-se?
Dadas as vantagens que tem e já reconhecidas nas ULS existentes, o modelo tem potencial. Penso que não vai deixar de acontecer, mas poderão os timings ser diferentes. Não sei que impacto poderá vir a ter a crise política no timing da implementação deste modelo.

“Devido às evidentes vantagens, mais cedo ou mais tarde, acredito que o modelo será implementado.”

 

Após a pandemia, o que mudou na interação do cidadão face aos cuidados de saúde?
Há realmente uma forma de interação diferente por parte do utente que surgiu com a pandemia. Por exemplo, mudou muito o uso do e-mail e de outras vias que não a presencial.

A chamada teleconsulta, ou consulta não presencial, era muito pouco utilizada, acontecia raras vezes e apenas com alguns doentes. No entanto, a pandemia obrigou a que deixasse de existir um seguimento normal do doente de forma presencial.

Acabou por se criar um bom hábito, pois conseguimos contactar mais facilmente por outras vias que não só a presencial e na época crítica da pandemia foram resolvidas algumas situações de forma não presencial.

Por outro lado, numa situação normal não tem grande cabimento acontecerem alguns pedidos por e-mail como avaliações clínicas que não são passíveis de se fazer sem a presença do doente. Com frequência ainda acontecem situações em que é necessário que se marque uma consulta presencial.

Portanto, o paradigma mudou bastante, sobretudo o uso do “não presencial”, ou seja, a utilização do e-mail e a consulta remota. Creio que essas foram as maiores mudanças, que vejo de uma forma positiva se forem utilizadas da forma correta. Essa é a parte que temos de trabalhar agora junto das pessoas e é o que temos feito.

“Temos de educar os utentes no sentido de perceberem em que situações podem (e devem) utilizar o contacto remoto, e aquelas em que não devem.”

Relativamente aos profissionais de saúde e à Saúde Mental. Quais são os desafios atuais?
Todo o contexto atual, o conflito que tem havido e que envolve os profissionais médicos com o Ministério da Saúde, reflete-se na saúde mental.

Além disso, existe um acréscimo de cansaço que já vem desde a pandemia, que por sua vez foi um ponto de agravamento e que fez com que os profissionais chegassem a um ponto de exaustão. Efetivamente, temos várias situações de cansaço nos profissionais de cuidados de saúde primários por excesso de trabalho.

Por vezes, até temos resposta nos cuidados de saúde primários e até orientamos o doente quando é necessária uma observação a outros níveis, mas a capacidade de resposta, em alguns campos, é baixa. Isto faz com que o doente continue a procurar cuidados, sobrecarrega o sistema e os colegas.

Por outro lado, temos também um acréscimo de violência contra os profissionais, causado pelos próprios utentes. Esta é uma situação que nos tem preocupado bastante.

“A violência contra os profissionais de saúde não é justificável, de modo algum, mas por vezes é o reflexo da falta de resposta”.

Como funciona o atendimento do utente migrante no ACES Matosinhos e quais os desafios?
Desde o final do ano passado percebermos que começou a haver um acréscimo de migrantes. Falo dos migrantes no global, mas também no grupo de migrantes que está em Portugal há já bastante tempo, mas sem documentação válida.

Essa situação criou (e cria) um problema de prestação de cuidados, porque estas pessoas também têm acesso aos cuidados, na resposta que lhes conseguimos dar. Mas, à margem disso, nas próprias unidades, estas pessoas não constam no sistema e por isso não temos como medi-las.

Não consigo perceber quantos migrantes tenho nesta situação a viver em Matosinhos e, num contexto de gestão, isto tornou-se um problema, porque temos indivíduos com doenças crónicas para seguimento. As unidades não têm meios nem recursos humanos para prestar cuidados a esses doentes. Quando eram meia dúzia, era fácil de ir resolvendo caso a caso, mas com o acumular de situações vimo-nos obrigados a criar uma resposta centralizada.

Esta resposta inclui um médico, um enfermeiro e também um elemento do secretariado, com horas só para prestar cuidados a estas pessoas e articular-se diretamente com a Câmara Municipal de Matosinhos, dado que estes doentes tanto surgem por esta via, como vêm ter diretamente connosco.

Quando a Câmara percebe que existe necessidade de observação clínica, encaminha automaticamente o doente para o nosso ACES, a consulta é marcada e a pessoa é observada.

Desta forma, foi possível melhorar a resposta, porque é uma consulta diferenciada para o assunto em questão, com um profissional que se sinta mais à vontade com as questões linguísticas em questão. Esta foi a grande criação deste ano.

“Agora, o desafio é: o número de migrantes continua a crescer progressivamente e temos percebido que cada vez são necessárias mais horas e profissionais com disponibilidade para dar resposta.”

 

Quais são as ferramentas e transformações de maior impacto que a transformação digital conseguiu atribuir ao SNS?
Durante a pandemia, e ainda após a pandemia, criou-se a possibilidade (além de uma consulta telefónica) da realização de uma consulta on-line, apesar de ser algo ainda não muito usado e talvez não disponível em todos os locais.

Percebemos que existem muitos campos de melhoria com o uso da inteligência artificial. Sobretudo nos cuidados de saúde primários conseguimos melhorias no âmbito da renovação da medicação crónica e na integração de resultados de exames feitos fora do SNS.

No âmbito das receitas, ocupava grande parte do tempo de um médico de Medicina Geral e Familiar renovar a medicação crónica, que é um trabalho que não tem grande mais-valia para o doente. Se esta medicação estiver bem estabelecida e clara e tivermos um sítio onde a colocar informaticamente, isto faz com que tenhamos menos tempo ocupado, que pode ser aplicado em outras tarefas.

 

CG

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Fonte: Saúde Online

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