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Cristina Baixinho: “Movimento iniciado durante a pandemia está e vai continuar a alterar radicalmente a prática clínica dos enfermeiros”

“Estas transformações, que incluem ambiente virtual, implicam que as escolas de saúde capacitem os estudantes e profissionais para uma realidade diferente e para novas modalidades de prestação de cuidados, bem como para a colaboração em equipas interdisciplinares na produção e desenvolvimento de soluções tecnológicas”, disse, em entrevista, a Professora da ESEL Cristina Baixinho, que apresentou os resultados do projeto InnovAID juntamente com a Professora Adriana Henriques.

HealthNews (HN) – A missão do consórcio internacional InnovAID (Increasing the entrepreneurial innovation capacity of higher education institutions in AI and data science in healthcare) é aumentar o potencial de inovação e empreendedorismo nos estudantes de ensino superior das instituições participantes. Uma delas é a Escola Superior de Enfermagem de Lisboa (ESEL). Correto?

Adriana Henriques (AH) – Correto. O principal objetivo do innovAId é aumentar a inovação e a capacidade empreendedora nas instituições parceiras, sobretudo nos estudantes, mas também nos professores e, no caso da ESEL, foram incluídos profissionais de saúde das instituições parceiras com quem temos desenvolvido atividades para a concretização deste fim. Concomitantemente, o projeto pretende desenvolver e fortalecer o ecossistema em torno da inovação na área da saúde digital. De Portugal são parceiros a ESEL e a empresa AI4MedImaging. Eu asseguro a coordenação do projeto na ESEL e a articulação com o consórcio (University Medical Center Utrecht, Medical University Gdansk, PXL University of Applied Sciences and Arts, Lisbon School of Nursing, AI4MedImagin & Igor Sikorsky Kyiv Polytechnic Institute).

HN – No que respeita à ESEL, o que é que tem vindo a ser desenvolvido no âmbito do projeto? E que grupos estiveram envolvidos?

Cristina Baixinho (CB) – A ESEL considerou desenvolver a formação, com cursos de curta duração e seminários, online, sobre inovação, produção e implementação de conhecimento inovador na educação em enfermagem e saúde, empreendedorismo, transferência de conhecimento e desafios da inteligência artificial (IA) nos cuidados de saúde, para estudantes, docentes e profissionais de saúde. Outra atividade relevante tem sido o aumento do nosso ecossistema com a formalização de parcerias nacionais e internacionais, com a definição de planos de trabalho que permitirão, a curto e a médio prazo, melhorar a nossa capacidade inovativa na educação e investigação. De salientar a participação na organização de Multiplier events e do InnovAId Hackathon. Este permitiu colocar os estudantes das instituições parceiras, profissionais de saúde e da área da tecnologia e IA em torno de desafios/problemas concretos dos contextos clínicos na busca de soluções, em ambiente virtual, com recurso a software inovador. Foi avaliado positivamente por todos os envolvidos.

HN – A iniciativa terminará no próximo ano? O que acontecerá no próximo evento, “End event InnovAID”, em maio de 2024?

AH – O evento final tem por finalidades apresentar os resultados do projeto e envolver os stakeholders relevantes no domínio da IA, ciências de dados e cuidados de saúde, incluindo empresas, centros de investigação, organismos governamentais, ONG e outros parceiros sociais. É interesse do consórcio explorar novas oportunidades de trabalho e financiamento, que permitam a continuação de projetos conjuntos nas áreas da inovação, empreendedorismo, saúde digital e IA.

HN – Como é que projetos como este podem fazer a diferença nas instituições de ensino e de saúde?

CB – Este tipo de projeto permite inovar na educação, promovendo o desenvolvimento de competências especificas, nos docentes e estudantes, e aproximar as Instituições de Ensino Superior do ambiente empresarial, no nosso caso, das instituições prestadoras de cuidados de saúde e empresas tecnológicas. Apesar de as escolas de enfermagem estarem próximas dos contextos de clínicos, por via dos ensinos clínicos dos estudantes, estes projetos criam oportunidades de trabalho colaborativo nas áreas da inovação, investigação e desenvolvimento tecnológico.

HN – Até ao momento, os objetivos definidos pela ESEL foram alcançados?

AH – Os objetivos para a fase 1 e fase 2A do projeto foram alcançados a 100% e reportados ao financiador. Entramos agora, em 2024, na fase 2B, com duração de 6 meses, e com a expetativa de superarmos os resultados a que nos propusemos. Este otimismo estende-se às outras instituições do consórcio e resulta das atividades desenvolvidas em excelente ambiente cooperativo que se criou durante as fases anteriores.

HN – Qual deve ser o papel das escolas de saúde no desenvolvimento da tecnologia e dos cuidados prestados?

CB – As modalidades de cuidados com recurso à telessaúde estão em rápida expansão, não só em termos de serviços de teleconsulta, telemonitorização, telereabilitação, mas também na utilização de big data e registos de saúde eletrónicos, disponíveis para a investigação e tomada de decisão clínica, wearables, desenvolvimento de plataformas e aplicações que possibilitam a prestação de cuidados, com ou sem a mediação dos profissionais de saúde. O movimento iniciado durante a pandemia está e vai continuar a alterar radicalmente a prática clínica dos enfermeiros e dos outros profissionais de saúde. Estas transformações, que incluem ambiente virtual, implicam que as escolas de saúde capacitem os estudantes e profissionais para uma realidade diferente e para novas modalidades de prestação de cuidados, bem como para a colaboração em equipas interdisciplinares na produção e desenvolvimento de soluções tecnológicas, digitais e de IA, que possam produzir valor acrescentado na saúde, com ganhos na saúde e bem-estar dos cidadãos e permitindo melhorar os indicadores de saúde. É também um desafio para o desenvolvimento do conhecimento das diferentes áreas disciplinares e para repensar o curriculum dos cursos da área da saúde, por forma a desenvolver competências transversais e de trabalho colaborativo com outros profissionais, de inovação e empreendedorismo, para que os estudantes, futuros profissionais, sejam proativos e criativos na procura e concretização de novas soluções para garantir um cuidado centrado na pessoa, com responsabilização pela autogestão dos seus processos de saúde-doença e com um apoio, presencial ou mediado pela tecnologia, baseado na evidência, seguro e com respeito pelas preferências de cada um.

HN – Por último, gostaria de apresentar brevemente os principais resultados do projeto?

AH – Os principais resultados são a formação e a mentoria de estudantes, docentes e profissionais de saúde, a criação de uma comunidade digital de aprendizagem em saúde e o desenvolvimento de micro-credenciais. O aumento do ecossistema que nos permite um trabalho colaborativo, com uma melhor gestão de recursos humanos e que cria oportunidades de co-construção e avaliação de test beds.

O projeto prevê ainda o investimento nas infraestruturas para melhorar a educação dos estudantes. Neste ponto, a ESEL está a apostar na criação de estruturas, com a aquisição de software, equipamentos e materiais, que possibilitam a realização de simulação em telemonitorização, teleconsulta e telereabilitação, por forma a aumentar as competências dos estudantes para a prestação de cuidados de saúde digital. No laboratório de saúde digital, através de uma aplicação é possível a monitorização, comunicação digital e utilização de dispositivos médicos e outros de saúde e bem-estar (oxímetro, tensiómetro, termómetro, glicómetro, balança, ECG e wearables), que se conectam através de bluetooth. O laboratório de saúde digital poderá ainda ser usado por profissionais com a finalidade de desenvolver e consolidar competências na tomada de decisão e de trabalho interdisciplinar.

Este tipo de projeto facilita novas parcerias, estimula o empreendedorismo e inovação no ensino superior, e, portanto, acredito que tem um impacto a longo prazo. Termino referindo que com estes resultados o consórcio innovAId trabalha em prol da sua visão de um setor da saúde mais digital, acessível e inclusivo na Europa.

Adriana Henriques

HN/RA

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