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Inteligência artificial pode revolucionar cuidados, diz OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) salientou esta quinta-feira que a inteligência artificial (IA) generativa poderá revolucionar os cuidados de saúde, ao acelerar por exemplo o diagnóstico clínico, mas avisou que é preciso estar atento aos riscos.

Num documento hoje divulgado, a OMS analisa os perigos e os benefícios do uso na saúde de Grandes Modelos Multimodais (LMM, na sigla em inglês) – um tipo de tecnologia de IA generativa em crescimento rápido.

Os LMM, como o GPT-4, criado pela OpenAI, ou o Bard, desenvolvido pela Google, podem utilizar vários tipos de dados, incluindo texto, áudio, fotos e vídeos, e gerar resultados que não estão limitados aos dados introduzidos num algoritmo.

“Prevemos que os LMM serão amplamente utilizados e aplicados nos cuidados de saúde, na investigação científica, na saúde pública e no desenvolvimento de medicamentos”, sustenta a OMS no guia hoje lançado com novas orientações éticas para fomentar e garantir o uso seguro na saúde deste tipo de IA generativa.

Entre os principais benefícios dos LMM na saúde, a OMS destaca o acelerar do diagnóstico e atendimento clínico, nomeadamente através da resposta automática a questões dos doentes; a execução de tarefas administrativas, como a documentação das visitas de doentes ao médico em registos eletrónicos; o ensino, como o fornecer aos formandos em medicina ou enfermagem encontros simulados com doentes, e a investigação científica e o desenvolvimento de medicamentos, incluindo a identificação de novas substâncias.

A OMS adverte que, apesar do seu grande potencial, os LMM podem produzir resultados falsos, inexatos, tendenciosos ou incompletos que poderão ter consequências nefastas para as pessoas, realçando que a vulnerabilidade desta tecnologia aos riscos em matéria de cibersegurança poderá colocar em perigo as informações relativas aos doentes, em suma a fiabilidade dos cuidados de saúde.

“As tecnologias de IA generativa têm o potencial de melhorar os cuidados de saúde, mas só se aqueles que desenvolvem, regulam e utilizam estas tecnologias identificarem e considerarem plenamente os riscos associados”, assinalou o cientista-chefe da OMS, Jeremy Farrar, citado em comunicado.

De acordo com Farrar, são necessárias “informações e políticas transparentes para gerir a conceção, o desenvolvimento e o uso de LMM para alcançar melhores resultados de saúde e superar as persistentes desigualdades na saúde”.

No documento hoje publicado, a agência da ONU recomenda que os governos incumbam as autoridades reguladoras de aprovarem a utilização dos LMM nos cuidados de saúde e pede que sejam feitas auditorias para avaliar o impacto desta tecnologia.

Segundo a OMS, é preciso ter “regras em matéria de responsabilidade” para que os “utilizadores lesados por LMM sejam corretamente indemnizados”.

A OMS defende o envolvimento de governos, empresas, prestadores de cuidados de saúde, doentes e sociedade civil em todas as fases de desenvolvimento e aplicação das tecnologias de IA generativa, incluindo a sua supervisão e regulamentação.

LUSA/HN

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