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Estudo: Extinção da Via Verde Saúde em Seixal e Almada mais caro do que aumentar salários dos profissionais

Uma análise ao modelo Via Verde Saúde criado no Seixal e em Almada concluiu que a sua extinção sairá mais cara ao SNS do que aumentar os salários dos profissionais que fazem funcionar a iniciativa.

O estudo de uma equipa de investigadores da faculdade de Economia e Gestão da Universidade Nova de Lisboa (Nova SBE) divulgado hoje aponta que se mais de 25% dos 60 mil utentes da Via Verde Saúde Seixal e Almada escolhessem procurar as urgências hospitalares, os custos seriam superiores ao aumento dos salários dos profissionais de saúde nestas unidades.

A Via Verde Saúde Seixal (VVS) nasceu há dois anos por iniciativa local de médicos e enfermeiros como uma solução temporária para dar resposta a milhares de pessoas sem médico de família, servindo cerca de 45 mil utentes e outras duas mil pessoas em situação irregular, no concelho do Seixal, distrito de Setúbal.

Ao mesmo tempo, foi também criada a Via Verde Almada, iniciativa “gémea” de menor dimensão com cerca de 14 mil utentes.

A continuidade da VVS Seixal, vive, segundo a coordenadora, Alexandra Fernandes, sob constante ameaça de falta de recursos humanos por incapacidade de reter os profissionais, uma vez que os ordenados que auferem são cerca de metade do que receberiam numa Unidade de Saúde Familiar de tipo B.

O estudo da Nova SBE conclui, no entanto, que será mais dispendioso para o Serviço Nacional de Saúde aumentar o número de episódios de urgência hospitalar por falta de resposta do que aumentar os salários dos profissionais na Via Verde Saúde para valores similares aos das Unidades de Saúde Familiar.

No modelo habitual, a cada equipa de família (médico, enfermeiro e secretário clínico) é atribuída uma lista de 1.650 a 2.000 utentes.

Na Via Verde Saúde, uma equipa fixa de médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar (MGF), enfermeiros especialistas e generalistas e assistentes técnicos serve a totalidade dos utentes, congregando e supervisionando um grupo de especialistas em MGF aposentados, internos de MGF, médicos não especializados contratados, médicos de outras unidades de saúde do Agrupamento de Centros de Saúde, enfermeiros contratados e enfermeiros de outras unidades de saúde.

Assim, médicos, enfermeiros e assistentes técnicos estão ao serviço da totalidade dos utentes.

A análise, coordenada pelo investigador Pedro Pita Barros, centrou-se na satisfação dos profissionais, satisfação dos utentes e implicações económicas e financeiras e conclui que existe um elevado nível de satisfação profissional entre os profissionais de saúde devido à missão da unidade, horários flexíveis e a oportunidade de fornecer cuidados abrangentes, apesar da insatisfação salarial e dificuldade em oferecer cuidados personalizados.

Do lado dos utentes, há apreço pela qualidade dos cuidados clínicos prestados, mas são apontados problemas com o agendamento de consultas por telefone e a falta de médicos de família permanentes.

Em declarações à Lusa em janeiro Alexandra Fernandes referiu que a Via Verde Saúde começa também a sofrer a pressão do aumento de utentes sem médico de família e da falta de recursos humanos por incapacidade de reter os profissionais da equipa fixa, uma vez que os ordenados que auferem são cerca de metade do que receberiam numa Unidade de Saúde Familiar B, “pelo que os melhores têm sido recrutados para essas unidades”.

E a pressão é já visível com o surgimento de filas de utentes à porta da unidade para arranjarem consulta, uma imagem que Alexandra Fernandes afirma ir ao arrepio do que sonhou quando criou o novo modelo.

Também ao nível da enfermagem, os profissionais deveriam ser remunerados de acordo com o seu desempenho, defendeu à Lusa a enfermeira especialista Olívia Matos, que abraçou o projeto desde o início com Alexandra Fernandes.

“Não é justo que tenham trabalho diferenciado e especializado e não sejam remunerados dessa forma”, frisou adiantando que estes profissionais são facilmente aliciados para outros sítios, sobretudo Unidades de Saúde Familiar, onde têm melhor remuneração.

LUSA/HN

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