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Unidade Móvel leva cuidados de saúde a idosos do Nordeste Transmontano

Uma Unidade Móvel de Saúde (UMS) está a percorrer aldeias do Nordeste Transmontano proporcionando cuidados de saúde como fisioterapia e rastreios, bem como a possibilidade de videoconsultas, evitando deslocações de dezenas de quilómetros à população mais idosa.

A UMS da Resineves é um investimento privado de cerca de 130 mil euros, opera sob a forma de uma carrinha adaptada para este serviço com o objetivo de aproximar os cuidados de saúde à população das localidades mais periféricas, em regime de ambulatório.

A carrinha estacionou no parque da Junta de Freguesia de Carção, no concelho de Vimioso, distrito de Bragança, onde Ana Maria, de 80 anos, equipada a rigor, chegou à aula de ginástica que antecede os tratamentos de fisioterapia que são proporcionados neste serviço móvel de proximidade.

O serviço funciona através de protocolos estabelecidos com as juntas de freguesia, municípios e outras instituições.

À Lusa, Ana Maria disse que, com este serviço, evita deslocações aos hospitais, clínicas e centros de saúde da região, poupando tempo ao mesmo tempo que proporciona o convívio entre conterrâneos, onde a boa disposição e o envelhecimento ativo são pontos de ordem.

“Estes exercícios físicos são espetaculares e estou muito satisfeita. Este serviço ajuda-nos muito quando tenho dores nas articulações. Passa por aqui muita gente. Temos aulas de ginástica e serviço de fisioterapia, e uma carinha com tudo o que precisamos para o nosso bem-estar. Faz-nos sair de casa para nos movimentarmos”, explicou a octogenária.

Esta UMS está sediada em Torre de Moncorvo, mas leva os seus serviços de proximidade a aldeias do concelho de Freixo de Espada à Cinta, Vimioso e Bragança.

Só na aldeia de Carção são cerca de duas dezenas de seniores que escolheram este serviço de saúde de proximidade.

Através da prestação de cuidados de saúde, a Resineves reúne condições para atuar na prevenção da doença, bem como na promoção da saúde e de um envelhecimento ativo, atenuando a solidão e o isolamento sénior e contribuindo para a melhoria dos serviços de saúde e bem-estar das populações.

Além de fisioterapia, a UMS tem ao dispor dos utentes tratamentos de enfermagem, rastreios, entre outras valências.

De acordo com Emílio Neves, da Resineves, o objetivo passa pela realização de ações terapêuticas, exercícios terapêuticos coletivos e assegurar e facilitar o acesso aos cuidados de saúde à comunidade local, consultas de avaliação sem custos, entre outras.

“Numa região onde as acessibilidades são um problema e o envelhecimento uma realidade, com a UMS é possível ir ao encontro da população e das suas necessidades pela sua facilidade de acesso, qualidade de serviço e acessibilidade para um serviço de ativo de proximidade”, explicou o empresário à agência Lusa.

Sofia Brás, de 66 anos e ex-emigrante em França, garantiu que este serviço de saúde evita deslocações, porque os profissionais que nele trabalham ajudam na leitura de análises clínicas, fisioterapia e aconselhamentos clínicos, porque tudo está longe”.

“Isto é formidável e está muito evoluído em relação a anos passados. Uma das grandes vantagens passa por não termos de nos deslocar, já que há pessoas que não têm carro próprio ou carta de condução e teriam de recorrer aos transportes públicos, e assim é mais cómodo. Também nos são dados conselhos sobre alimentação”, destacou esta utente da UMS.

Sofia Brás garantiu ainda que este serviço é um ponto de encontro entre a comunidade de Carção, mas que ao mesmo tempo oferece vigilância de proximidade do estado de saúde, através da realização do controlo do colesterol ou diabetes, entre outras situações, para além do exercício físico acompanhado.

Por seu lado, Teresa Lucas, de 63 anos, indicou que esta equipa da UMS é muito prestável, o que faz com que as pessoas se sintam à vontade.

“Uma vez por mês temos um rastreio médico e tudo fica próximo aqui na aldeia de Carção. Este serviço é muito importante para nós”, observou.

Segundo Nuno Quitério, fisioterapeuta da UMS, as pessoas quando chegam ao serviço vêm como uma dor aqui, outra ali, mas não sabem identificar o problema.

“As pessoas mostram-se mais preocupadas com as causas do que com a origem da dor. Após isto, tentamos identificar o problema, sobretudo nos utentes cuja faixa etária é mais elevada, porque já têm um histórico clínico com alguma informação, como é caso da diabetes, colesterol ou hipertensão, e procuramos aconselhar a melhor terapia”, vincou o profissional de saúde.

O fisioterapeuta referiu ainda que, como se trata de população idosa, há muitas situações de doenças musculoesqueléticas ou fraturas nas articulações e é importante acompanhá-las no dia a dia.

Emílio Neves adiantou que em breve estará disponível um serviço de telemedicina (videoconsulta), com consultas em variadas especialidades médicas.

Este serviço de telemedicina será feito através de mediadores digitais para os utentes que não tenham possibilidade de realizar uma videoconsulta, quer por falta de equipamento ou de conhecimento. A UMS terá um “mediador digital” (da área da saúde) que se deslocará ao encontro das pessoas (com os meios e equipamentos) para a realização de videoconsulta.

LUSA/HN

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