Prevenção de acidentes/quedas no Idoso em casa

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Prevenir acidentes no idoso ou quedas é uma das preocupações que a familia tem com os seus familiares.

As quedas são responsáveis por 70% das mortes acidentais neste grupo etário, sendo as consequências das quedas a 6ª causa de morte nos idosos!

Principais causas de quedas dos idosos em casa

Habitualmente só prestamos atenção ao risco de queda quando ela ja aconteceu e já pode ser tarde. É importante prevenir tendo em conta alguns aspectos:

– História de quedas anteriores: por vezes as quedas nos idosos são importantes indicadores de alterações na saúde e declínio funcional, pelo que deve ter em atenção em que contexto aconteceram as quedas, se detectou algum factor precipitante, sintomas físicos antes da queda e referi-lo ao seu médico se necessário.
– Tente aperceber-se de comportamentos “aventureiros” por parte do idoso (como subir escadotes), procure compreender as suas motivações e necessidades e explore formas de o ajudar sem que ele se sinta inferiorizado ou menos activo!
– Diminuição sensorial: com a idade é comum o défice visual, pelo que se torna aconselhável uma consulta de rotina anualmente ou quando são detectadas alterações, de forma a identificar a necessidade de colocação ou actualização de próteses oculares.

Pode adoptar algumas medidas
– Certifique-se que a luz em casa é suficiente e adequada para o idoso. Tenha ainda atenção à capacidade auditiva, que deve igualmente ser corrigida.

– Perda de capacidade mental: em situações de demência pode ser necessário limitar algumas actividades por motivo de segurança, remover objectos em casa que possam ser perigosos e avaliar a necessidade de apoio nas várias actividades de vida diárias.

– Alterações de mobilidade: muitas vezes os idosos têm alterações nos movimentos, o que lhes dificulta a realização das actividades diárias normais, podendo conduzir às quedas. Assim, deve ser avaliada a necessidade de auxiliares de marcha, como bengalas, andarilhos, canadianas, ou alterações em casa, como correcção de sanitários baixos, cama ou banheira, o uso de luzes nocturnas no quarto e casa de banho.

– Devem ter-se em atenção alterações ao nível dos pés, nomeadamente unhas demasiadamente longas, calos dolorosos, ou mesmo o uso de calçado inadequado.

– Os sapatos não devem ter saltos para não prejudicar o equilíbrio, devem ter o tamanho correcto e sola anti-derrapante, devendo evitar os chinelos. A roupa também deve ser confortável e permitir a execução dos movimentos, tendo cuidado com roupa muito comprida, pois o idoso pode tropeçar nela.

– Medicação: é comum os idosos tomarem medicamentos de forma regular e permanente, pelo que se deve tomar especial atenção ao início de novos medicamentos, uma vez que algumas quedas se relacionam com alterações recentes (inferiores a 2 semanas) da terapêutica habitual do idoso. Deve por isso informar
sempre os médicos da medicação que faz habitualmente, incluindo a comprada em ervanárias ou lojas semelhantes, pois podem existir interacções entre os medicamentos.
A polimedicação (4 ou mais medicamentos), ou medicamentos que causem sedação, alteração do equilíbrio, hipoglicémia ou hipotensão, poderão favorecer as quedas. Assim, deve estar informado dos efeitos de cada medicamento e estratégias para atenuar o risco a eles associados. No caso de surgir alguma doença nova, 4
poderá ser necessário ajustar a terapêutica habitual devendo por isso informar os médicos da terapêutica que faz habitualmente.

– Alterações urinárias: o idoso poderá sentir necessidade de urinar várias vezes durante a noite e nestes casos, ter uma mesa-de-cabeceira com dispositivos urinários (urinol, arrastadeira), é uma estratégia que pode revelar-se útil, de forma a evitar as frequentes idas nocturnas à casa de banho. Se houver alterações do controlo urinário, pode planear-se um horário de micção frequente e considerar o usos de fraldas
apenas quando estritamente necessário.

– Hipotensão ortostática: muitos idosos têm hipotensão nas mudanças de posição, especialmente da posição de deitado para sentado, devendo por isso as mudanças de posição ser realizadas lentamente e iniciar a marcha apenas quando se sentir bem, sem tonturas, fraqueza, suores ou indisposição. Se este facto acontecer após iniciar uma nova medicação, poderá ser necessário ir ao médico, para avaliar a necessidade
de ajustar a terapêutica.

 Consumo de álcool: mesmo em pequenas quantidades pode provocar alterações que conduzem a quedas, já que influencia o equilíbrio e interfere com a acção de medicamentos. Desta forma, o seu consumo deve ser evitado ou, se não estiver clinicamente contra-indicado, consumido com moderação.

– Restrição da actividade: o facto do idoso ter algumas limitações físicas e funcionais que aumentam o risco de quedas, não significa que deva permanecer o dia sentado e sem actividade! De facto, o ideal é maximizar as capacidades e potencialidades, pois a restrição da actividade pode relacionar-se com as quedas, uma
vez que se favorece a perda de massa muscular, flexibilidade articular e a força.

– Os idosos devem ser encorajados a andar, realizar actividades diárias, podendo mesmo solicitar um programa de exercício adequado que melhore o equilíbrio e a flexibilidade, que aumente a força e a resistência, bem como a coordenação. Estes programas podem incluir exercícios de carga como andar e
dançar para prevenir a osteoporose, fractura da anca e aumentar a força, resistência e coordenação, ou exercícios, como nadar ou T’ai Chi para melhorar o equilíbrio e a flexibilidade.

– Quem tem familiares acamados deve pedir apoio a profissionais de forma a aprender técnicas para a transferência dos idosos, por exemplo da cama para a cadeira e vice-versa, de forma a evitar quedas durante estas actividades. Os técnicos poderão também fornecer estratégias alternativas para realizar algumas actividades diárias em casa, quando se detecta alguma incapacidade funcional.

– Viver sozinho: este facto pode aumentar não só o risco de quedas como também as suas consequências, uma vez que o idoso após a queda pode não ter possibilidade de providenciar ajuda. Neste caso podemos colocar um tele-alarme na sua casa e quando precisar de ajuda basta carregar no botão.

 Adaptar o ambiente para reduzir o risco e as consequências das quedas. A casa onde o idoso mora ou permanece frequentemente, pode ser um campo cheio de minas e armadilhas que devem ser identificadas e desactivadas.

– Escadas e degraus: Observe as escadas dentro e fora da sua casa; tem papéis, sapatos, livros, vasos, ou outros objectos nas escadas? Retire-os e mantenha-os longe das escadas. Tem apenas uma lâmpada nas escadas? É aconselhável pedir a um electricista que coloque iluminação no topo e no fundo das escadas e que sejam colocados interruptores em ambos locais podendo ser os interruptores brilhantes para serem
mais visíveis. Como estão os corrimões? Estão soltos ou partidos? Existe apenas corrimão de um dos lados da escada? Certifique-se que tem corrimão dos dois lados da escada, que estes são firmes e tão longos como as escadas. As maçanetas no final do corrimão são úteis como aviso do final das escadas, para os idosos com visão diminuída. Se tem carpete nas escadas certifique-se que está bem fixa a todos os degraus, ou retire a carpete e aplique tiras de borracha anti-derrapantes. Uma vez que muitas quedas são devidas à não percepção do último degrau, se as tiras colocadas tiverem cores vivas e contrastantes, poderá prevenir essa situação.

– Cozinha: Observe bem a cozinha; os utensílios que são frequentemente utilizados encontram-se em prateleiras altas? Então remova as coisas que habitualmente utiliza mais vezes, para as prateleiras mais baixas do seu armário. Deve evitar subir aos bancos e escadotes, mas se for inevitável, não substitua
o escadote por cadeiras ou bancos, e prefira os escadotes com barras laterais de apoio.

– Quarto: Olhe para os quartos; a luz mais próxima da cama é de difícil alcance? Tente colocar uma lâmpada perto da cama que seja fácil de alcançar. O caminho da cama até à casa de banho é escuro? Pode ser útil utilizar uma luz de presença durante a noite. Existem luzes de presença no mercado que se ligam
automaticamente após escurecer. A cama deverá ser firme e de altura adequada que permita a entrada e saída sem grande dificuldade.

– Casa de banho: Deve preferir-se o banho de chuveiro ao de banheira, podendo substituir-se a banheira por uma base mais fácil de transpor. Em qualquer dos casos, deve colocar um tapete ou outra superfície anti-derrapante e colocar barras de suporte na parede que ajudem a entrada e saída do banho, bem como dos lados da sanita. É essencial adoptar medidas que tenham em atenção as características e factores de risco de cada idoso, bem como reduzir ao máximo os factores de risco existentes em cada casa, prevenindo não só a queda, como também as suas consequências.

A família tem um papel fundamental, através da observação de alterações do seu familiar idoso. Caminhe com o idoso e aperceba-se da estabilidade, força e equilíbrio. Tenha atenção às armadilhas do ambiente.
Valorize as queixas de tonturas, fraqueza ou outras alterações. E não se esqueça, se tiver dúvidas ou necessitar de ajuda, não hesite em procurar resposta entre os profissionais!

fonte: partes deste artigo foram extraidos de um artigo da Enfª Sónia Ferrão: “A sua casa: um porto seguro ou um mar de perigos” (ESE Calouste Gulbenkian Lisboa), www.advita.pt

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