A Reivindicação dos Enfermeiros Portugueses

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O efeito da banalização das greves e a má comunicação

Desde 2017 que os ENFERMEIROS PORTUGUESES iniciaram uma reivindicação mais do que justa, relativamente à falta de carreira e baixas remunerações face à responsabilidade e habilitações profissionais e académicas que possuem.

Todo o poder político do passado e do presente, Governos sucessivos, Grupos Parlamentares da esquerda à direita e Presidência da República, têm tratado mal os ENFERMEIROS PORTUGUESES.

Desde sempre que a greve foi uma “arma” ao serviço dos trabalhadores, que deve ser usada quando o diálogo e as negociações se esgotam. Os ENFERMEIROS, neste contexto não fogem à regra, desta forma de luta promovida pelos diversos sindicatos.

Mas, passados tantos anos, tantas greves, com a banalização das mesmas, será que ainda adiantam alguma coisa? Penso que não, ou se valem, valem muito pouco.

Correndo o risco de colher poucos consensos e simpatias com o que vou escrever, permitam-me no entanto dizer que, não pretendo: desclassificar nada nem ninguém, não desvalorizar as lutas vividas e muito menos ofender Colegas. Mas…. Mas permitam-me esta reflexão!

A Sociedade evoluiu e muito. As necessidades de hoje nada têm a ver com as de tempos passados. As exigências são de outro nível.

Perante estas e outras realidades, permitam-me perguntar:

  • Ainda faz muito sentido focarmos a luta nas greves avulsas e espartilhadas que se têm vindo a fazer? Com isso a banalização do verdadeiro efeito pretendido com a greve?
  • As informações veiculadas pelos diferentes Sindicatos são objectivamente certas? Não, não são! Veja-se o facto da contagem de tempo, entre as diferentes opiniões sobre a contagem de pontos e forma qualitativa a atribuir para a mudança de escalão e as diferentes interpretações e comunicações que são feitas aos ENFERMEIROS. Nem os Sindicatos se entendem. Isto dá credibilidade? Quer para dentro da Classe, quer para a Sociedade e poder político? Claramente NÃO!
  • Comunicação? Uma falha tremenda! Relativamente à comunicação dos Sindicatos com os ENFERMEIROS e muito particularmente com a Sociedade, tem falhado rotunda e totalmente.

 

Acabamos de Viver mais 2 dias de greve (20 e 21 de Setembro/2018) por parte dos ENFERMEIROS PORTUGUESES. Nas redes sociais e por outras vias, queixavam-se os ENFERMEIROS, que as noticias eram só sobre os taxistas e a nomeação da Procuradora Geral da República. Nesta greve mobilizaram-se os ENFERMEIROS para serem notícia? Pois, mas na semana de luta e de greve em Setembro/2017, fomos abertura de todos os jornais e noticiários, imprensa escrita, imprensa internacional, debates políticos, crónicas e editoriais. A imprensa estava com OS ENFERMEIROS PORTUGUESES, o Governo estremeceu! Mas todos nós e particularmente os Sindicatos não souberam aproveitar esta onda e desbarataram todo este património. Até nas horas nobres e picos de informação nas TVs, foram falar da “guerra de 14”, em vez da actualidade e com os olhos focados no futuro. A estes interlocutores faltou estatuto, autoridade, notabilidade e estratégia, saber ser e estar perante a magnitude da reivindicação dos ENFERMEIROS, o que se tinha e estava a viver – REVOLUÇÃO DOS CRAVOS BRANCOS.

Passados poucos meses perdemos o apoio da Sociedade e da Imprensa, que nesse momento era pleno e explícito.

 

Sou de opinião que os Sindicatos adoptem uma nova forma de comunicação com os ENFERMEIROS PORTUGUESES e com a Sociedade. Um gabinete de comunicação, constituído por profissionais é concerteza uma mais valia neste mundo cada vez mais, com causas e formas mediáticas.

Urge mudar caras e protagonistas. As principais lideranças e caras dos sindicatos estão gastas, fora de tempo e já não criam empatia com o público-alvo e Sociedade.

É preciso comunicar com a Sociedade e reganhar a sua confiança e apoio.

É preciso peso e influência política em favor dos ENFERMEIROS PORTUGUESES!

A nossa causa é justa, séria e inequívoca. Não deixemos de lutar, mas saibamos defende-la e explica-la à Sociedade. Saibamos merecer o respeito e o apoio da Sociedade, porque ela sente e percebe o importante papel dos ENFERMEIROS, na prestação de cuidados de saúde. Saibamos recolocar na agenda política e na agenda do dia a reivindicação da nossa Classe Profissional.

Juntos somos mais fortes! Assim o queiramos e saibamos sê-lo!

Humberto Domingues

Enf. Especialista Saúde Comunitária

2018.09.23 – 22h15

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