Psicose, alucinações e delírios. Covid-19 pode afetar o cérebro até dos doentes com sintomas leves

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Neurologistas britânicos publicaram esta quarta na publicação científica Brain um estudo com mais de 40 participantes que procura alertar para as sequelas da Covid-19 no cérebro, mesmo dos doentes com sintomas leves da doença. Em algumas casos, segundo a pesquisa, o problema neurológico é o primeiro e único sintoma da Covid-19; noutras situações, é detetado em pessoas com manifestação ligeira da doença ou até em doentes a recuperar do vírus.

Uma das doentes descritas no estudo, uma mulher de 55 anos sem historial de doença psiquiátrica, começou a comportar-se de forma estranha dias depois de ter alta do hospital, após ter sido infetada com Covid-19. Vestia e despia o casaco repetidamente e começou a ter alucinações: dizia que via macacos e leões em casa. Novamente internada, acabaria por melhorar depois de medicada com antipsicóticos.

Outra mulher, de 47 anos, foi internada com dores de cabeça e dormência na mão direita, uma semana depois de ter febre e tosse. Precisou de ser operada de urgência para remover parte do crânio e assim aliviar a pressão no cérebro inflamado.

Queremos que os médicos de todo o mundo estejam alerta para estas complicações do coronavírus”, disse Michael Zandi, um dos autores do estudo. “Temos visto que a Covid-19 afeta cérebro como nunca vimos com outros vírus”, explicou ao The Guardian.

No Instituto de Neurologia do hospital da University College de Londres, a Covid-19 provocou uma subida no número de casos de encefalomielite aguda disseminada (EMDA): antes da pandemia, era reportado cerca de um caso por mês, agora são dois ou três por semana. Uma mulher, de 59 anos, morreu na sequência desta inflamação no sistema nervoso central.

Dos casos analisados no estudo britânico, doze doentes tiveram inflamação do sistema nervoso central, dez tiveram psicose ou delírios, oito tiveram acidentes vasculares cerebrais e pelo menos oito tiveram problemas no sistema nervoso periférico, na maioria diagnosticados como casos da síndrome Guillain-Barré, uma doença autoimune que ataca os nervos e causa paralisia.

O que vimos nos doentes com EMDA, e noutros pacientes, foi que é possível ter problemas neurológicos graves mas ser diagnosticado com uma forma trivial de doença pulmunar”, referiu Zandi.

As sequelas neurológicas somam-se a outros problemas de saúde a longo prazo reportados por doentes em convalescença da Covid-19, nomeadamente dormências, fraqueza, demência e problemas de memória.

Agora, precisamos de melhor pesquisa para perceber o que está realmente a acontecer no cérebro”, assinalou o especialista, que admite que há preocupação com o facto de o novo coronavírus deixar danos cerebrais numa minoria da população infetada e que estas sequelas se tornem visíveis apenas com o passar do tempo. “É uma preocupação se alguma epidemia oculta puder ocorrer depois da Covid, quando virmos os efeitos no cérebro, porque pode haver efeitos subtis no cérebro e coisas a acontecer lentamente nos próximos anos, Mas é ainda muito cedo para que o possarmos afirmar agora”, explicou Michael Zandi.

 

Fonte: https://tvi24.iol.pt/

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