«Em Portugal os profissionais de saúde falham 3 em cada 10 oportunidades de higienização das mãos»

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A cada três segundos, morre uma pessoa por infeção hospitalar. O número foi apresentado por Paulo André Fernandes, diretor interino do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA), na Be Well Global Health Conference, que decorreu no passado dia 1, em Lisboa.

De acordo com o responsável, «em 2050 estima-se que morrerão 10 milhões de pessoas devido a infeções por organismos multirresistentes», algo que para Paulo Fernandes tem de mudar.
«Quando falamos de infeções hospitalares devemos falar em infeções ligadas aos cuidados de saúde, ou seja, a infeção pode acontecer em qualquer local onde os cuidados de saúde sejam prestados», salientou o especialista, acrescentando que «cada contacto é uma oportunidade para transmitir uma infeção».

No fundo, temos de sair do ciclo vicioso da infeção-agravamento-antibióticos, porque «a prescrição de antibióticos na comunidade agrava as resistências nos indivíduos e no hospital».
O responsável lembrou ainda o último estudo realizado a nível europeu, em 2012, para mostrar que Portugal ainda está bastante atrás: «tínhamos 10,5 % de prevalência de infeção hospitalar e usávamos mais antibióticos; o número médio de enfermeiros e médicos dedicados ao controlo da infeção era em Portugal dos mais baixos da Europa; a média de quartos individuais das mais baixas a nível europeu». Além de que «em Portugal os profissionais de saúde falham 3 em cada 10 oportunidades de higienização das mãos».

Apesar deste cenário, o diretor interino do PPCIRA recusa uma ótica derrotista e garante que «nem tudo são más notícias», até porque «passámos para baixo da média europeia para consumo de antibióticos em ambulatório em 2015 e estamos a regressar a valores de resistências mais a par com o resto da União Europeia».

Para Manuel Delgado, «o Governo tem que ter respostas adequadas às novas realidades em Saúde»

Para o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, «o Governo tem que ter respostas adequadas às novas realidades em Saúde». Segundo o responsável, «o potencial da informação diversificada é uma ferramenta poderosíssima para o futuro da humanidade».

Esta foi a principal mensagem do governante, que encerrou a Be Well Global Health Conference, numa referência clara a uma das palestras sobre Big Data Revolution do norte-americano Joel Selanikio.

Perante uma plateia de cerca de 3 mil profissionais de saúde, Manuel Delgado afirmou ainda que «a longevidade dos seres humanos, a erradicação de muitas doenças, e a evolução constante no combate a tantas outras, conduziu a humanidade a patamares de saúde e bem-estar» nunca antes vistos. Mesmo assim, continuam algumas realidades, como ‘«s doenças crónicas que “não matam, mas moem”».

Uma evolução que coloca novos desafios que, garantiu o secretário de Estado, «o Governo acompanha com muita atenção».

Fonte: Univadis

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