Delirium afeta metade dos idosos hospitalizados

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Metade dos doentes hospitalizados com mais de 65 anos sofre em algum momento de delirium, mas o problema raramente é diagnosticado, alerta o presidente da associação Cérebro e Mente, Joaquim Cerejeira.

Psiquiatra, Joaquim Cerejeira está na organização em Portugal de um congresso científico sobre delirium, que durante dois dias (quinta e sexta-feira, em Vilamoura) junta médicos, enfermeiros, psicólogos e investigadores de mais de 20 países europeus, América do Norte e Austrália.

O psiquiatra referiu à agência Lusa que é muito frequente que um idoso que seja internado, nomeadamente com um problema como uma pneumonia ou uma infeção urinária, desenvolva também sintomas psiquiátricos, como confusão e agitação.

“Aparentemente não haveria razões para uma infeção urinária causar alterações psiquiátricas. É isso que tentamos avaliar porque não há uma resposta ainda, de qual a influência que uma disfunção no corpo tem no cérebro”, disse à agência Lusa.

No entanto, o problema “passa despercebido ou não é diagnosticado”, até porque os médicos que seguem o doente são de especialidades diferentes, da doença primária que está a ser tratada.
“No entanto se ocorre um episódio de ‘delirium’, a doença que levou à hospitalização do doente pode complicar-se, pode aumentar o tempo de internamento, afetar irremediavelmente o doente, pelo que é preciso treino dos profissionais de saúde. No Reino Unido, por exemplo, já se avalia o estado mental do doente todos os dias”, defendeu o especialista.

Joaquim Cerejeira salientou que o problema não afeta apenas pessoas idosas, mas que “pode acontecer a qualquer pessoa em que a disfunção do corpo seja suficientemente grave para afetar o cérebro”.

Os casos de delirium são frequentes em lares de idosos mas raramente diagnosticados, desvalorizando-se a “confusão” das pessoas, que de repente não sabem que dia da semana é por exemplo, atribuindo isso “à idade”.

Para o médico, é necessário sensibilizar os profissionais que cuidam dos doentes, para que se descubra a causa do delirium, seja uma infeção ou um medicamento.

“A cura é identificar a doença que está por trás. No fundo o delirium’ é o equivalente à febre”, no sentido de ser um aviso “de que algo não está bem”. “O problema é que a febre mede-se facilmente, o delirium não”.

Fonte: Univadis

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