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Consultoria Endocrinologia, CSP em debate nestas jornadas

Passados 3 anos de suspensão devido à pandemia, o Serviço de Endocrinologia do Hospital de Braga volta a organizar as Jornadas de Endocrinologia e Diabetes de Braga. Como está a ser a experiência? Quais os objetivos a que a organização se propôs para esta 3.ª edição?
O Serviço de Endocrinologia do Hospital de Braga tem mostrado uma vitalidade crescente, afirmando-se cada vez mais nas áreas clínica e científica do meio médico nacional. A organização das Jornadas é um dos seus objetivos não assistenciais, que contribui para o progresso da endocrinologia regional e tem como público-alvo os internos e especialistas em Endocrinologia, Medicina Geral e Familiar (MGF) e Medicina Interna, nutricionistas, enfermeiros e alunos dos últimos anos do curso de Medicina. Após 3 anos de suspensão, estas 3.ª Jornadas revelam-se de importância fundamental para o retomar da formação contínua e permite que os médicos divulguem os seus trabalhos sob a forma de pósteres.

Escolhemos um espaço de excelência para voltar ao formato presencial, promover o contacto entre equipas e associamos alguns momentos de descontração. Queremos uma participação ativa e tudo faremos para que o evento corresponda às expectativas.

O programa é bastante abrangente. Qual foi o critério para a escolha dos temas?
O tempo dedicado a estas jornadas é sempre insuficiente para o que gostaríamos de fazer.

Procurámos criar um programa cativante e abrangente, que procurasse ir ao encontro dos interesses de todos os profissionais e assim se revelasse útil para a sua atividade clínica. Baseámo-nos ainda nos pedidos de referenciação para a nossa consulta e nas sugestões das avaliações das jornadas anteriores.

Abordamos temas como a patologia tiroideia, osteoporose, terapêutica da diabetes, patologia endócrina na gravidez e obesidade. Destacamos ainda a organização do Curso de Insulinoterapia e Terapêuticas Injetáveis na Diabetes, sempre muito procurado pelo interesse do tema e pela abordagem interativa.

“Procurámos criar um programa cativante e abrangente, que procurasse ir ao encontro dos interesses de todos os profissionais e assim se revelasse útil para a sua atividade clínica”

 

Tem-se verificado muitos avanços nestas áreas? Quer destacar alguns?
Nesta especialidade estão incluídas duas doenças consideradas um problema de saúde pública – Diabetes e Obesidade. A evidência científica tem mostrado grandes vantagens de ganhos em saúde com os novos fármacos, quer na eficácia e segurança, quer nas indicações terapêuticas múltiplas o que nunca tinha acontecido com os fármacos mais antigos.

Relativamente às doenças da tiróide destaco os novos critérios ecográficos de classificação dos nódulos da tiróide que permitem uma orientação mais criteriosa para citologia aspirativa (biópsia).

Como é a ligação do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Braga com os cuidados de saúde primários? Quais os principais desafios?
Os médicos de família são os nossos principais referenciadores e com eles partilhamos os cuidados aos doentes dado que a maioria das doenças endócrinas são patologias crónicas. Em termos organizativos o modo como nos interligamos é fundamental para a rapidez na resolução dos problemas e a garantia da segurança do doente, pelo que darmo-nos a conhecer, quem somos e o que fazemos é fundamental.

O maior desafio é conseguir um acesso fácil à consulta pelo elevado número de pedidos.

Criámos um momento para a discussão da consultoria de Endocrinologia nos CSP por ser um projeto do Serviço de Endocrinologia com os ACES (Braga I e Geres-Cabreira) com o objetivo de melhorar a resposta à lista de espera para consulta e que já se encontra em fase de implementação.

“Nesta especialidade estão incluídas duas doenças consideradas um problema de saúde pública – Diabetes e Obesidade”

 

No que respeita à área da diabetes, quais são as maiores preocupações dos endocrinologistas no controlo e acompanhamento destes doentes?
Sendo uma doença que depende muito dos hábitos e da colaboração do doente, a educação e a motivação para o cumprimento terapêutico são fundamentais para o sucesso. Pretendemos abordar as novidades terapêuticas e evidências científicas mais recentes, esclarecer dúvidas e sensibilizar os colegas para que “passemos a falar todos a mesma linguagem” na transmissão da informação aos doentes e cuidadores. Procuramos sempre uma abordagem prática, de modo a que quem participa fique apto para aplicar os conhecimentos.

A obesidade é outro dos temas escolhidos para estas jornadas e, intimamente, ligado ao da diabetes. Como é que avalia o tratamento e acompanhamento desta doença em Portugal?
A Endocrinologia tem feito um esforço muito grande junto da comunidade médica para o tratamento desta doença crónica e para o esclarecimento da população em geral sobre as complicações potencialmente graves, entre as quais a diabetes. Também tem alertado as autoridades governamentais sobre os gastos em saúde e absentismo laboral que lhe estão associados. Mas há muito ainda a fazer: necessidade de investimento na sua prevenção e tratamento, dotando os CSP de capacidade de intervenção que é ainda muito reduzida. O primeiro objetivo é diagnosticar precocemente. O grande desafio motivar/educar o doente e tratar agressivamente desde o início. Para tal, faltam nutricionistas e psicólogos nos CSP.

 

“Os médicos de família são os nossos principais referenciadores e com eles partilhamos os cuidados aos doentes dado que a maioria das doenças endócrinas são patologias crónicas”

 

Mas, existem mais duas temáticas em discussão – Patologia Tiroideia, Osteoporose associada a doença tiroideia e Endocrinologia e Gravidez. Qual a importância de se discutir estes temas com os colegas da Medicina Geral e Familiar? Qual o papel dos cuidados de saúde primários no seguimento destes doentes?
As doenças da tiróide são comuns, crónicas e podem ser diagnosticadas em qualquer idade. Na patologia nodular o objetivo é identificar os nódulos com características suspeitas para excluir malignidade. A disfunção tiroideia exige tratamento adequado e pode causar complicações/comorbilidades se não for convenientemente tratada. Uma delas é a osteoporose, muitas vezes esquecida e para a qual devemos estar alerta.

Na gravidez ocorrem condições hormonais únicas. Se existir doença endócrina prévia, a referenciação para vigilância pela especialidade é mandatório. Cada vez mais, temos grávidas que foram submetidas a cirurgia de correção da obesidade ou com diabetes prévia. Há necessidade de uma estreita interação entre CSP e hospitalares na educação destas mulheres, para a necessidade de planearem a sua gravidez e de os cuidados se iniciarem na fase de preconcepção.

SM

Fonte: Saúde Online

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