“Conhecer a doença: os doentes em primeiro lugar”

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O i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, no Porto, elaborou um documento que fornece informação sobre vários cancros numa linguagem “clara, concisa e acessível”, com base nas necessidades verbalizadas pelos doentes.

Paula Silva, a coordenadora do projeto, ouviu 143 doentes oncológicos, tendo ficado com uma ideia bastante precisa ou consistente, pelo menos, das necessidades verbalizadas pelos doentes. “O que eu fiz foi analisar as suas narrativas”, referiu a investigadora responsável à agência Lusa.

O projeto “Conhecer a doença: os doentes em primeiro lugar” foi desenvolvido no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup) pela investigadora Paula Silva e financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), que entrecruza a oncologia, as ciências sociais e a biomedicina.

O trabalho teve por base entrevistas a doentes oncológicos, cujas vivências, dúvidas e iliteracia em relação ao cancro impulsionaram a elaboração de brochuras “com uma linguagem acessível e educativa, capaz de desconstruir medos, mitos e termos médicos habitualmente incompreensíveis”.

Estas brochuras, dedicadas aos cancros de cólon, esófago, mama, próstata, pulmão, estômago, bexiga e tiroide, têm a chancela da Direção-Geral de Saúde (DGS), que os disponibilizará no seu website, e irá distribuí-las aos doentes com estes tipos de cancro, numa primeira fase, nas unidades das administrações regionais de saúde do Norte e do Alentejo.

Paula Silva refere que “o conteúdo não é suscetível de ser deixado em folheto. A ideia era que funcionasse com um reforço do vínculo entre, por exemplo, os médicos de família e os doentes. Porque todos os doentes que são tratados em ambiente hospitalar e têm um diagnóstico de cancro são referenciados nos médicos de família. Seria um instrumento benéfico, não só para os doentes no sentido de os capacitar, torná-los mais informados relativamente a sua situação, mas também seria um facilitador para o médico de família”.

As publicações incluem uma série de temas considerados de interesse para a realidade da doença oncológica: fatores de risco, sinais e sintomas, o diagnóstico, o relatório (com uma explicação dos termos médicos mais utilizados no exame anatomopatológico) e o tratamento.

Além dos aspetos clínicos, o cancro “na primeira pessoa” – através das narrativas da experiência da doença – inclui questões relativas aos direitos dos doentes oncológicos e contactos de instituições cuja atividade se desenvolve no domínio do cancro (nomeadamente associações de doentes).

Fonte: Univadis

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