Canábis: Legalização à vista? Bloco está (outra vez) empenhado nisso

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Bloco de Esquerda vai voltar a propor a legalização do uso da canábis em duas vertentes, a terapêutica e a recreativa, ainda este ano.

Tem sido uma das bandeiras do Bloco de Esquerda e que, ao fim ao cabo, reflete na plenitude a sua ideologia. Se há matéria pela qual o Bloco é conhecido, desde sempre, é pela defesa da legalização da canábis.

Até agora, o assunto não tem conhecido abertura suficiente no Parlamento, contudo, com este Governo, apoiado pelos partidos de Esquerda, pode ser uma ‘janela de oportunidade’ para que a legalização da canábis chegue a bom porto.

Moisés Ferreira, deputado do Bloco de Esquerda, disse ao Notícias ao Minuto que o partido está de facto a trabalhar num projeto-lei que abarcará tanto a legalização para fins terapêuticos como para fins recreativos, embora o modelo para cada um dos casos ainda esteja a ser estudado. Na primeira situação, a ideia é que esta substância possa ser comprada em farmácias, com prescrição médica e com possível comparticipação do Estado, tal como acontece com todos os outros medicamentos.

No caso dos fins recreativos, o partido ainda não tem um modelo em mente. Mas tem plena convicção por que defende a legalização: Por uma questão de saúde pública, para proteger o consumidor quer de substâncias adulteradas e, portanto, mais perigosas, quer do contacto com redes de tráfico.

O partido está, para já, empenhado em estudar “os melhores modelos para encontrar o que sirva as melhores práticas” [olhando para as experiências internacionais], garantiu Moisés, sublinhando que a proposta bloquista está ainda numa fase embrionária, mas que, posteriormente o partido quer discutir o documento “de forma franca e aberta com outros partidos e com a sociedade em geral, colhendo contributos para o melhorar”.

Embora o Bloco ainda não tenha falado com outros partidos, Moisés Ferreira saúda a abertura tanto do PS como do PCP, no caso da legalização para fins medicinais, demonstrada após a notícia de que o Bloco iria avançar com esta proposta esta legislatura. “É bom. É melhor ter uma base de conversa positiva, de abertura para a aprovação, do que o contrário”, fez sobressair.

Legalização da canábis: “A ignorância é que é uma grande droga de atitude”

Fora da política, quem também se tem posicionado a favor da legalização da canábis é Luís Patrício, médico psiquiatra interveniente em patologias aditivas quer a nível nacional quer internacional.

Para este especialista, há cada vez mais gente a usar esta substância para fins recreativos. “Mais oferta, mais procura, e vice-versa”, sublinhou em conversa com o Notícias ao Minuto. E é exatamente aqui que reside o maior problema, na ótica de Luís Patrício.

“O que é adquirido no comércio de rua, nomeadamente resina e erva, não oferece a ninguém qualquer garantia do que seja ou do que tenha misturado. Mas é consumido”, explica, apresentando como solução para a redução desses riscos a possibilidade de o consumidor cultivar canábis para uso pessoal. “É uma atitude para reduzir vários riscos para quem consome e para a comunidade”, sustentou.

Além de que, e sendo um profundo conhecedor do tema e tendo contacto com consumidores, este especialista vê na sociedade uma grande “desinformação e falta de verdade neste tema”.

“Com pouco saber e muita oferta, muita procura, muito consumo e pouca educação. Assim a ilegalidade ’cega’ pode fomentar mais riscos e danos. As substâncias não são inócuas, não são todas iguais, não têm todas a mesma agressividade, a mesma capacidade de causar danos”, argumenta ainda, propondo a criação de “clubes regulados, responsavelmente informados, para reduzir o liberalismo selvagem e riscos de consumo desregulado”.

Quanto ao uso para fins terapêuticos, recorda que “há evidências de benefício em algumas doenças [tratamento da epilepsia ou atenuação da dor em doentes oncológicos, por exemplo”, mas “há muito caminho a percorrer a investigar”. “O facto de ser ilegal não tem permitido avançar muito na investigação…”, lamentou.

“Consumidores nunca foram ensinados a consumir”

Para Luís Patrício, autor do livro ‘Políticas e Dependências – Álcool e (De) Mais Drogas em Portugal, 30 anos Depois’, o problema do consumo de todas as drogas é os consumidores ‘atirarem-se’ para estas sem informação: “Mas há que reconhecer que muitos consumidores nunca foram ensinados a consumir, por exemplo bebidas com álcool ou tabaco, e isso significa que na sua falta de saber estão expostos a maiores riscos para a saúde individual familiar, social, comunitária e ambiental. A ignorância é que é uma grande droga de atitude”.

Fonte: Notícias ao minuto

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