Hospitais. 6% dos internamentos têm complicações

Urgências do Hospital São José, em Lisboa, 10 de fevereiro de 2013. MARIO CRUZ/LUSA
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Foram avaliados os internamentos de todos os hospitais públicos nacionais entre 2000 e 2015

Chamam-lhe “eventos adversos” e, na prática, referem-se a reações a medicamentos, erros resultantes da prestação de cuidados ou complicações inesperadas relacionadas com procedimentos médicos. Segundo um estudo realizado nos hospitais nacionais, este tipo de problemas acontece em 6% dos internamentos, uma situação que se associa a um aumento de 5% para 7% do risco de morte hospitalar desses doentes.

Publicado no “Journal of Medical Systems”, a investigação teve como objetivo avaliar a frequência e o impacto dos eventos adversos nos doentes internados em Portugal. Para isso, a equipa liderada por Alberto Freitas, especialista em análise de dados na área da saúde do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde – CINTESIS, avaliou os registos dos internamentos hospitalares de todos os hospitais públicos nacionais entre 2000 e 2015.

Fazendo uma análise ao longo dos anos, é possível perceber que a frequência de eventos adversos aumentou substancialmente de 2,3% para 8% entre 2000 e 2015. É possível ainda dividir esses problemas por segmentos: registaram-se mais de 500 mil complicações inesperadas de intervenções médicas, seguindo-se as reações a medicamentos (279 mil). Os erros resultantes da prestação de cuidados de saúde por parte dos profissionais de saúde são os menos frequentes (apenas 90 mil ocorrências ao longo dos 16 anos do estudo).

Mais problemas A equipa de investigação concluiu que este aumento de eventos adversos em Portugal acompanha a tendência internacional. Os autores apontam duas possíveis explicações para este fenómeno: “Por um lado, os profissionais de saúde estão mais rigorosos no registo destas ocorrências e, por outro, assiste-se efetivamente a um crescimento dos eventos adversos”, esta última situação justificada pelo envelhecimento da população. “A idade mais avançada e a coexistência de várias doenças são dois dos fatores que podem potenciar a ocorrência de um evento adverso”, adianta Bernardo Sousa Pinto, investigador do CINTESIS.

Mais gastos Durante a análise, os investigadores calcularam ainda os gastos associados a estas ocorrências. Enquanto, num internamento normal, os custos médios são de 1760 euros, nos internamentos que registam eventos adversos ultrapassam-se os 3 mil euros. Mais: entre 2000 e 2015, os eventos adversos foram associados a aumentos na fatura do SNS em 1700 milhões de euros – um custo de mais de 100 milhões de euros/ano.

Parte desses gastos extra poderão estar relacionados com o tempo de internamento, uma vez que os investigadores perceberam que os doentes que sofreram um evento adverso ficam internados o dobro dos dias por comparação com aqueles cujo internamento decorreu dentro da normalidade.

Fonte Sol.sapo.pt

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