“O que mata são as condições de trabalho dos enfermeiros”

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Bastonária da Ordem dos Enfermeiros aponta a mira ao Governo e diz que não são as greves que matam os doentes. “Enfermeiros têm garantido cirurgias para além dos serviços mínimos.”

Ana Rita Cavaco não aceita as insinuações de que a greve dos enfermeiros cirúrgicos possa levar à morte de pacientes e nega que tenham sido adiadas cirurgias importantes. Em declarações à SÁBADO, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros louvou ainda a atitude da ministra do Mar por ter aceitado reunir com os estivadores, numa farpa lançada à ministra da Saúde.

“O País está em convulsão e o Governo tem de assumir as suas responsabilidades. O problema não é dos enfermeiros”, assegura Ana Rita Cavaco. “Não é possível haver um enfermeiro para 40 pacientes. Isso é que mata pessoas. Os enfermeiros não podem trabalhar sem material, sem colegas que garantam a segurança porque isso aumenta o número de dias que as pessoas passam internadas e os riscos de infecções hospitalares. O que mata são as condições de trabalho actuais dos enfermeiros”, acusou.

A Ordem dos Enfermeiros terá, durante a reunião com os enfermeiros directores dos cinco blocos em greve, tentado averiguar se havia garantias de que não estão a ser colocadas vidas em perigo apesar da greve. E ficaram satisfeitos com a resposta dos representantes dos grevistas, sendo que a bastonária garante estar em condições de assegurar que todos os enfermeiros grevistas têm “tido um comportamento exemplar” e que não foi colocada em risco “a vida de qualquer paciente”. “Em todos os hospitais, os grevistas foram e vão continuar a ir além dos serviços mínimos decretados, se for necessário, e vão continuar a permitir que se abram mais blocos operatórios, em situações imprevistas.”

A bastonária frisou ainda que, ao contrário do que foi noticiado, no hospital de Santa Maria as crianças não deixaram de ser operadas. “A enfermeira directora do hospital foi ta6xativa ao afirmar que, desde o início da greve, já foram operadas 30 crianças. Mas o que foi divulgado é que nenhuma tinha sido operada ali. Isso é falso”, garantiu à SÁBADO. “O que se passa é que, as operações urgentes de crianças são operadas no bloco central e nunca no bloco de pediatria. Mas isso já acontecia antes da greve.”

Ana Rita Cavaco referiu ainda que as operações cardiovasculares mais graves não têm sido afectadas porque “são situações de risco”.

Não só a greve dos enfermeiros afecta as cirurgias

Para se defender do argumento utilizado por Miguel Guimarães, o bastonário da Ordem dos Médicos, que afirmou não poder “garantir” que não haja pessoas a morrer, Ana Rita Cavaco refere que não é apenas a greve dos enfermeiros a impedir a realização de cirurgias.

“Já houve cirurgias que não se realizaram devido à greve dos técnicos de diagnóstico e terapêutica – e isto não é uma crítica – e dos guardas prisionais”, contou a bastonária dos enfermeiros, explicando que houve um prisioneiro que não pôde ser operado devido à greve dos guardas – é obrigatório que o recluso seja sempre acompanhado.

“Não pode haver diferenças entre ministérios”

Ana Rita Cavaco considera que “não é aceitável que dentro do Governo dois ministérios funcionem de forma diferente”, referindo-se ao facto da ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, ter reunido com o representante dos sindicatos dos estivadores, enquanto a ministra da Saúde, Marta Temido, se “recusa a encontrar-se com os enfermeiros”.

A bastonária considera mesmo que há “pouca vontade e má-fé” por parte do Ministério com a tutela da saúde e que, ao contrário do que acontece com outras classes, profissionais, “aos enfermeiros, o Governo não está interessado em dar absolutamente nada”.

Sindicatos voltam a reunir

A Bastonária da Ordem dos Enfermeiros confirmou ainda à SÁBADO que os dois sindicatos que pretendem alargar o período de greve para além de 31 de Dezembro se reuniram esta terça-feira.

À semelhança do que aconteceu antes da greve, foi lançado um novo projecto de angariação de fundos.

Fonte: Sábado

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