“Maioria absoluta é virtualmente impossível” – Observador

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O primeiro-ministro traçou a linha vermelha. Em entrevista à SIC, António Costa diz que não há mais negociação possível com os sindicatos dos enfermeiros depois de o Governo ter aceitado rever a carreira destes profissionais. “Fomos justos no que aceitámos, fomos ao limite daquilo que podíamos aceitar”, disse o chefe do Governo, depois de deixar um aviso: “Se for necessário”, o executivo vai recorrer a requisição civil para travar os efeitos da greve às cirurgias. Chefe do Governo não vê maiorias absolutas no horizonte e volta a abrir a porta a entendimentos com o PCP, o Bloco de Esquerda e Os Verdes.

Na entrevista à SIC, Costa começou por ser confrontado com a tensão entre Governo e enfermeiros, cuja greve às cirurgias já levou o primeiro-ministro a falar numa paralisação “brutal”. O primeiro-ministro diz que o “ponto da discórdia” em que os sindicatos têm insistido — a revisão do valor salarial de início da carreira, dos atuais 1200 para os 1600 euros mensais — está fora de questão. É “absolutamente insustentável”, diz Costa.

O primeiro-ministro admite ainda avançar judicialmente contra a Ordem dos Enfermeiros por estar convencido de que houve violação dos estatutos das ordens profissionais. Em causa estará uma defesa da greve por parte da bastonária. “Iremos comunicar as autoridades judiciárias os factos apurados e que são uma manifesta violação das leis das ordens profissionais”, diz.

Questionado sobre revisões salariais na Função Pública, Costa acena com eventuais novidades, mas só depois das eleições. “Há carreiras que estão bloqueadas há anos” e “há pessoas que viram as suas expetativas”, reconhece. “Isso provoca uma revolta que eu percebo”.

Compromissos, porém, só depois de “o cenário macroeconómico para os próximos quatro anos” estar definido. “A minha expectativa é a de que, se o país mantiver a trajetória de crescimento, para o ano possamos retomar a normalidade”. Para já, “a margem que há é esta e julgamos que atuamos de forma justa valorizando os salários mais baixos”.

Na entrevista à SIC, Costa volta ao episódio do último debate quinzenal, quando reagiu com a sugestão de que Assunção Cristas estaria a ser racista quando o questionou sobre se condenava ou não a violência contra a PSP no bairro da Jamaica. “Há coisas que eu não admito: uma pessoa que escreve um texto a dizer que eu sou uma pessoa sem caráter… eu não admito isso no debate político”, diz Costa, sem referir o nome da líder do CDS.

“Há limites para o que estou disposto a ouvir”, diz. “Não consigo ter duas caras, não vou sorrir para uma pessoa que diz que diz eu sou uma pessoa sem caráter”, defende o primeiro-ministro. Concretamente sobre a questão de Cristas, Costa diz ter sido uma “pergunta insultuosa” que “não fazia sentido” colocar a um primeiro-ministro.

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As eleições legislativas estão oito meses de distância. Pelo meio há europeias e até regionais na Madeira — a que António Costa está particularmente atento. Com o foco nesse fim da legislatura, o primeiro-ministro admite que não consegue ser “original” e que, como qualquer político, quer ganhar e “com o melhor resultado possível”. Como admite que “é virtualmente impossível uma maioria absoluta”, volta a abrir a porta a uma versão 2.0 da chamada “Gerigonça”.

“O objetivo de qualquer político é ganhar as eleições, e ganhar com o melhor resultado possível, aí não consigo ser original”, admite Costa. O chefe de Governo volta a dizer que, na sua leitura, “uma boa solução política deve ser prosseguida” e, naquilo que lhe diz respeito, o modelo é para reeditar. “Eu, por mim, sigo em frente”, diz.

E trocas na pasta das Finanças? Costa diz-se “muito satisfeito” com Mário Centeno e não antevê, a esta distância, mudanças nesse campo. “O ministro não me deu nenhum sinal de estar indisponível para estar no Governo”, garante.

Bem mais tarde, só em 201 o país volta a eleger um Presidente da República. Costa é lapidar: “Com o apoio popular que [Marcelo Rebelo de Sousa] tem, se se recandidatar, é altamente improvável que não seja reeleito”.

[em atualização]

Fonte: Observador

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